Brasil
Intérprete fala sobre a importância da língua de sinais para inclusão no Brasil
A reportagem da Super Rádio Tupi conversou com um especialista que também falou sobre as dificuldades enfrentadas para as pessoas que se comunicam em Libras
Nesta sexta-feira (24), é celebrado o Dia Nacional da Língua Brasileira de Sinais, usada pelos surdos e mudos no Brasil. O dia é comemorado hoje porque foi nesse data, em 2002, que a lei reconheceu a língua brasileira de sinais como meio legal de comunicação e expressão.
Mas foi só em dezembro de 2005, que um Decreto regulamentou essa lei, incluindo libras como uma disciplina curricular obrigatória na formação de professores surdos, professores bilíngues, pedagogos e fonoaudiólogos.
Esse decreto também trata da formação de docentes para o ensino de libras. De acordo com o texto, a formação deve ser realizada em nível superior, em curso de graduação de licenciatura plena em letras-libras, no caso de professores de ensino fundamental, médio e superior, e em curso de graduação de pedagogia, no caso de professores de educação infantil.
A Tradutora Intérprete de Libras e CEO da empresa UniLibras, Jessica Terra, fala sobre a importância do ensino de Libras nas escolas, com o objetivo de fazer com que cada vez mais pessoas se comuniquem na língua.
“É uma forma de começar pela educação e, ao mesmo tempo, ampliar o uso dessa língua. Hoje, não é difícil encontrar pessoas que se comunicam por meio da Língua de Sinais no Brasil. Conheço também outros intérpretes que atuam em diferentes estados, facilitando a comunicação com pessoas surdas — e o caminho inverso também”.
Jéssica também explica a importância da língua.
“A Libras é fundamental, apesar de tudo, por ser uma língua completa, com gramática e regras próprias. É por meio dela que a comunidade surda se comunica, se expressa e constrói entendimento. Para nós, ouvintes que também fazemos parte desse contexto, ela é a ponte de troca de informações e de aprendizado mútuo. Por isso, sua importância é enorme e faz toda a diferença. Se mais pessoas se dispusessem a aprendê-la, o convívio seria muito mais inclusivo — quase um cenário ideal”.
Por fim, ela conta quais as principais dificuldades enfrentadas pelas pessoas que se comunicam em Libras.
“A dificuldade de comunicação enfrentada por pessoas surdas, especialmente em locais sem acessibilidade, é muito grande. Como ouvinte, não vivencio isso diretamente, mas tenho amigos surdos próximos que relatam esses desafios. Eles destacam que a situação se agrava principalmente na área da saúde, quando não conseguem expressar o que estão sentindo ao chegar a uma emergência. Em alguns casos, até mesmo com a ajuda de um filho ouvinte — que ainda é criança e tem limitações na comunicação — o processo se torna complicado. Isso ocorre porque, para a maioria das pessoas surdas, a Libras é a primeira língua (L1), enquanto o português escrito é a segunda (L2), o que pode dificultar ainda mais a compreensão e a expressão em determinadas situações”.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil tem cerca de 10,7 milhões de pessoas com algum grau de deficiência auditiva . Desses, uma parcela utiliza Libras como principal forma de comunicação. No entanto, o número de pessoas que sabem Libras no Brasil é bastante limitado se considerarmos a necessidade de comunicação acessível.
Embora não exista um levantamento oficial recente sobre o total de pessoas fluentes em Libras no país, estimativas apontam que apenas cerca de 1 milhão de pessoas tenham conhecimento da língua – incluindo surdos, intérpretes, educadores e familiares. Este número representa menos de 0,5% da população brasileira. Segundo o Ministério da Educação, atualmente cerca de 12 mil professores têm formação específica em Libras.