Brasil
Líder de facção foge da cadeia, grava vídeos brindando com whisky no exterior, mas acaba presa
Apontada como chefe de facção, ela debochava da polícia com vídeos de festas e uísques caros na Bolívia; cerco financeiro levou à sua captura
Foragida da Justiça com seis ordens de prisão, Angélica Saraiva de Sá, conhecida como Angeliquinha, foi presa em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. Ela é apontada como uma liderança do Comando Vermelho no extremo norte de Mato Grosso.
A captura ocorreu na terça-feira, 22 de setembro, em uma ação conjunta da Polícia Civil mato-grossense e da polícia boliviana. Angeliquinha acumulava uma condenação de 99 anos e 11 meses de reclusão, definida em março de 2025.
A pena foi estabelecida após um processo que a considerou mandante do assassinato de quatro operários da construção civil. Os trabalhadores, que atuavam em uma obra de pavimentação, foram confundidos por seu grupo com integrantes da facção rival Primeiro Comando da Capital.
Em 17 de agosto de 2025, cinco meses após a sentença, ela fugiu da Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá. Já fora do país, gravou vídeos em que aparecia brindando e bebendo, além de exibir uma adega com uísques importados como Old Parr e Chivas.
Investigações policiais indicam que a influência de Angeliquinha se concentrava em Alta Floresta. Na região, o grupo liderado por ela controlava o tráfico de drogas, praticava extorsão e explorava pontos de garimpo ilegal.
A rede de apoio da foragida foi alvo da Operação Showdown, deflagrada pela Polícia Civil em março. As apurações revelaram que o pai, a filha e o genro dela faziam parte do núcleo familiar que dava suporte às atividades ilícitas e ocultava o dinheiro por meio de empresas de fachada.
Lavagem de dinheiro e bloqueio de patrimônio
As contas bancárias ligadas ao esquema movimentaram mais de R$ 20 milhões em um período de aproximadamente um ano e sete meses. A investigação levou ao cumprimento de 31 decisões judiciais para enfraquecer o poder financeiro da organização.
As medidas incluíram:
quatro mandados de prisão;
sete de busca e apreensão;
suspensão de três pessoas jurídicas;
bloqueio de sete contas bancárias.
A Justiça também determinou o sequestro de quatro imóveis e seis veículos vinculados ao grupo. As ações patrimoniais e as buscas contínuas resultaram na localização e prisão da chefe da organização fora do Brasil.