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Lula aceita exigências de Flávio Bolsonaro para quebra total de sigilos

Campanha petista entrega documentos ao TSE com dados de familiares e contas; medida eleva a disputa e pressiona o adversário a cumprir o acordo

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Flávio Bolsonaro e Lula em imagem dividida, ambos com ternos e camisas sociais
Lula e Flávio Bolsonaro em foto dividida. Presidente aceita condições de senador para quebra de sigilos bancário, fiscal e telefônico. Crédito: Ed Alves/CB/D.A Press e Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aceitou todas as condições apresentadas pelo senador Flávio Bolsonaro para autorizar a quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico. O coordenador da campanha petista, Camilo Santana, leva ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) os documentos com as autorizações nesta quinta-feira (21), conforme apurou o “Correio”.

A proposta inicial partiu de Lula no último domingo, durante debate na “Band”. O chefe do Executivo sugeriu ao vivo que ambos os candidatos abrissem os registros sigilosos ao Poder Judiciário. Diante da proposta, o adversário impôs exigências voltadas a mandatos anteriores e à atual administração.

Camilo Santana declarou que as condições feitas por Flávio Bolsonaro configuram manobra. O coordenador afirmou que o presidente não se opõe a nenhuma das exigências, desde que o senador também libere as próprias contas.

Exigências apresentadas por Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro condicionou o levantamento de dados a uma série de solicitações:

  • termos de quebra de sigilo de assessores, incluindo o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola;

  • abertura de contas e sigilos de empresas ligadas a familiares, abrangendo sociedades de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, negócios recentes no exterior, firmas de outros filhos, Instituto Lula e L.I.L.S. Palestras desde 2003;

  • divulgação integral de registros de visitantes no Palácio do Planalto e detalhes de reunião entre Lula e Daniel Vorcaro em dezembro de 2024;

  • esclarecimentos sobre relações com a lobista Roberta Luchsinger, viagens na Força Aérea Brasileira (FAB), entradas em palácios e sigilo do sindicalista Frei Chico;

  • gastos do cartão corporativo da Presidência desde janeiro de 2023, agendas institucionais e despesas de Janja da Silva em viagens, contas de recebedores de recursos do Instituto Lula e visitantes de Daniel Vorcaro na Polícia Federal.

Documento da campanha petista no TSE

Lula protocolou petição no TSE autorizando a divulgação pública de sigilos bancário, fiscal e eletrônico dos últimos oito anos, abrangendo os dados da esposa, Janja, e dos filhos Lurian, Marcos Cláudio, Fábio Luís, Sandro Luís e Luís Claudio.

A petição condiciona a medida à abertura equivalente dos dados do senador do PL e dos seguintes familiares: Jair Bolsonaro, Rogéria Bolsonaro, Carlos Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, Jair Renan Bolsonaro e Fernanda Bolsonaro.

O pedido abrange as empresas Flávio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia, All In One Corretora de Seguros Ltda, Bravo Grafeno Tecnologia e Inovação Ltda, Bolsonaro Digital Ltda e Alcazar Holdings, de propriedade de Willer Tomaz, na qual Flávio consta como usuário master. Flávio não incluiu a Alcazar Holdings na contestação protocolada.

O senador responde a dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal: uma investigação sobre lavagem de dinheiro envolvendo Willer Tomaz e outra sobre negociações com recursos de Daniel Vorcaro, do Banco Master, para o financiamento do filme “Dark Horse”.