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Lula e Flávio Bolsonaro duelam em primeiro debate do 2º turno na Band

Candidatos trocam propostas para a economia e segurança em disputa acirrada; veja os principais momentos e promessas do confronto decisivo

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Flávio Bolsonaro e Lula em debate na Band com pódio 'LULA'
Lula e Flávio Bolsonaro se enfrentam no primeiro debate do segundo turno das eleições de 2026, promovido pela Band. Foto: Reprodução/Band

O presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) participaram, neste domingo (18), do primeiro debate do segundo turno das eleições presidenciais, promovido pela Band. O encontro foi marcado por acusações relacionadas a investigações, propostas para áreas como segurança pública e saúde e divergências sobre a economia. A votação será realizada no dia 25 de outubro.

Após o confronto, veículos de checagem analisaram declarações dos dois candidatos. Entre os pontos verificados estão afirmações sobre o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), a relação de Flávio com empresas ligadas ao empresário conhecido como Careca do INSS e acusações envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Segurança pública

Flávio Bolsonaro defendeu uma política mais rígida contra o crime organizado. O senador prometeu declarar guerra ao chamado “narcoterrorismo”, classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho e as milícias como organizações narcoterroristas e endurecer as penas para integrantes de facções. Ele também afirmou que pretende recuperar territórios dominados por criminosos.

Lula defendeu a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, que prevê ampliar a participação da União na área, e afirmou que pretende criar um Ministério da Segurança Pública caso a proposta avance. O presidente também citou a Lei Antifacção e defendeu a atuação conjunta de União, estados e municípios no combate às organizações criminosas.

Durante o debate, Flávio afirmou que não mantinha escritório com o Careca do INSS. A declaração foi classificada como enganosa pelo UOL Confere. Segundo a checagem, a empresa de capacetes Bravo Gafeno, da qual o senador é proprietário, dividia endereço em Brasília com companhias de Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. O veículo ressalvou que essa relação não era formalmente investigada pela Polícia Federal.

Economia e crescimento do PIB

Lula destacou iniciativas voltadas aos pequenos negócios, incluindo políticas para Microempreendedores Individuais (MEIs), e afirmou que o Brasil estava próximo de recuperar o grau de investimento. Flávio criticou o endividamento público, os preços dos alimentos e os gastos do governo federal. O senador prometeu controlar as despesas e ajudar famílias endividadas.

Uma declaração de Lula sobre o crescimento econômico foi contestada pelo UOL Confere. O presidente afirmou que o Brasil só voltou a crescer acima de 3% durante seu atual governo. A checagem apontou que a afirmação era incorreta, já que o país também registrou crescimento superior a esse patamar em períodos anteriores, incluindo os governos de Dilma Rousseff (PT) e Jair Bolsonaro (PL).

A Folha de S.Paulo também publicou uma checagem das declarações do debate. Entre os pontos analisados, o jornal apontou que Flávio errou ao afirmar que viagens de Lula e da primeira-dama, Janja, custaram R$ 7 bilhões. O valor mencionado em publicações nas redes sociais correspondia às despesas totais de órgãos do governo federal com viagens, e não apenas às viagens do presidente e da primeira-dama.

Acusações sobre INSS, Lulinha e Daniel Vorcaro

O debate também foi marcado por acusações envolvendo investigações. Flávio questionou Lula sobre a lobista Roberta Luchsinger e Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente. Os dois são investigados em inquéritos que apuram suspeitas de tráfico de influência em órgãos federais para beneficiar empresários. Roberta nega irregularidades e afirma que sua relação com Lulinha é de amizade.

Flávio também citou o esquema de descontos indevidos em benefícios do INSS e acusou o governo Lula de não proteger aposentados e pensionistas. O presidente respondeu que as fraudes foram descobertas e combatidas durante sua gestão e afirmou que a Polícia Federal indiciou 48 pessoas na primeira investigação sobre o caso.

Em outra troca de acusações, Lula questionou Flávio sobre os R$ 134 milhões que o senador teria solicitado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro. Flávio negou irregularidades e afirmou que o contrato não foi cumprido conforme o previsto. A Polícia Federal investiga suspeitas relacionadas ao financiamento, e Flávio é investigado no inquérito.

O senador, por sua vez, acusou Lula de ter recebido R$ 30 milhões de Vorcaro “por fora” para financiar um documentário sobre o presidente. O UOL Confere classificou a afirmação como insustentável. Segundo a checagem, as informações atribuídas a um áudio não aparecem nas mensagens do celular apreendido de Vorcaro nem nas três propostas de delação premiada obtidas pelo veículo. A Polícia Federal, a Procuradoria-Geral da República e a defesa do ex-banqueiro negaram que ele tenha prestado depoimento sobre suposta propina para o documentário.

Confira a apuração completa no UOL Confere e a análise de outras declarações na checagem do Aos Fatos.

Saúde e propostas para o SUS

Flávio prometeu criar um prontuário eletrônico único, com informações das redes municipal, estadual, federal e privada integradas pelo CPF. O senador também defendeu o uso da telemedicina, da tecnologia e da inteligência artificial para agilizar o atendimento. Ele afirmou que pretende levar ao Sistema Único de Saúde (SUS) o que chamou de “padrão Einstein” e indicou Claudio Luiz Lottenberg para comandar o Ministério da Saúde em um eventual governo.

Lula criticou a gestão da saúde durante o governo Bolsonaro, especialmente na pandemia de Covid-19, e questionou se a proposta do adversário poderia significar a privatização do SUS. O presidente defendeu a recuperação do sistema público e citou medidas para ampliar o atendimento médico e reduzir o tempo entre o diagnóstico e o tratamento de câncer.

Redução da maioridade penal

Flávio defendeu reduzir a maioridade penal para 16 anos na maioria dos crimes e para 14 anos em casos específicos. O senador também defendeu a castração química de estupradores e o endurecimento das penas para crimes como roubo de celular.

Lula passou a defender a redução da maioridade penal para 16 anos em casos de crimes hediondos. Para os demais casos, o presidente manteve a defesa de uma abordagem diferenciada para adolescentes em conflito com a lei.

Pesquisas eleitorais

O debate ocorreu em meio a uma disputa apertada pela Presidência. Pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (15) indicou Flávio Bolsonaro com 47% das intenções de voto e Lula com 45%. Já levantamento Quaest divulgado na quarta-feira (14) apontou 46% para o senador e 44% para o presidente. Nos dois casos, os resultados indicavam empate técnico, consideradas as margens de erro.