Brasil

Mais de 823 mil aderem ao saque-aniversário do FGTS em 2020

O pico da demanda pelos recursos deve ocorrer em janeiro, quando deverão ser retirados 11,5% do total, ou R$ 717,3 milhões

José Cruz/Agência Brasil

(Correio Braziliense/ Vera Batista) Mais de 823 mil pessoas já optaram pelo saque-aniversário do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para 2020, de acordo com o secretário de Política Econômica do Ministério da Economia, Adolfo Sachsida. Pelos cálculos da Secretaria, apenas no ano que vem os trabalhadores vão retirar R$ 1,1 bilhão do fundo. Eles possuem um total de 2,9 milhões de contas ativas e inativas, nas quais estão depositados R$ 6 bilhões. O pico da demanda pelos recursos deve ocorrer em janeiro, quando deverão ser retirados 11,5% do total, ou R$ 717,3 milhões.

Segundo o secretário, os trabalhadores estão em um forte movimento de demanda. “Migram agora em um volume de 15 mil ao dia para o saque aniversário. Isso já gerou saldo de recebíveis de R$ 1,1 bilhão”, contou. “O saque nem começou ainda. Esse modelo entra em vigor no ano que vem e já tem esse tamanho de mercado”, complementou Sachsida.

No saque-aniversário, o trabalhador retira anualmente uma parcela do saldo da conta vinculada, o que permitirá que ele tenha uma renda extra. Ao escolher essa modalidade, porém, abrirá mão do direito de sacar todo o saldo em caso de demissão sem justa causa — ficará apenas com a multa de 40%.

Seguro

O secretário comentou ainda o seguro obrigatório Dpvat (indenização em casos de acidentes de trânsito), que foi extinto pelo governo na semana que passada, por medida provisória. Pelas novas regras, em 2020, esse seguro deixa de existir. Sachsida elogiou a iniciativa, porque o Dpvat, na sua avaliação, não é transparente. “É extremamente ineficiente e não estava em situação de equilíbrio. Se quiser manter o Dpvat, vai ter que aumentar o preço dele em três, ou quatro vezes”, afirmou Sachsida.

O secretário de Política Econômica do Ministério da Economia voltou a defender a intenção do governo, rejeitada pelo Senado, de dispensar a publicação de balanços de empresas em jornais impressos. Ele disse que a medida provisória enviada pelo governo ao Congresso, em agosto, não foi acatada por um erro de comunicação. “O que posso dizer com transparência é que a medida, tecnicamente, está correta. Se sofreu resistência no Congresso é porque, em algum momento, nossa secretaria falhou”, disse.

Sachsida disse não saber se há intenção do governo de reapresentar a MP. “Caso isso aconteça, vou chamar minha equipe para trabalhar melhor”, reiterou.

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