Brasil
No G7, Lula manda recados a Trump sobre combate ao crime e soberania
Presidente usou a cúpula para reforçar críticas a modelos econômicos e sistema financeiro globalNo discurso que fez nesta terça-feira (16) na Cúpula do G7, em Évian-les-Bains, na França, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou recados a Donald Trump com Trump presente na sala. Diante do presidente americano, Lula defendeu que o enfrentamento ao crime organizado precisa respeitar a soberania dos países.
“Esse esforço deve levar em conta o respeito à soberania dos Estados”, disse Lula, ao tratar do crime organizado como tema da agenda de desenvolvimento global, ao lado de escolas, hospitais e estradas.
Narcotráfico, armas e lavagem de dinheiro
O presidente também afirmou que o combate ao narcotráfico não pode ser feito isoladamente, sem considerar crimes financeiros e tráfico de armas. “O enfrentamento ao narcotráfico não pode ser dissociado de outros ilícitos como a lavagem de dinheiro e o tráfico de armas”, declarou, defendendo a cooperação via Interpol para rastrear ativos e pessoas ligadas a essas redes. Em discursos no Brasil, Lula costuma apontar os Estados Unidos como origem de parte das armas contrabandeadas para o país e critica o estado americano do Delaware por ser palco de crimes financeiros envolvendo brasileiros.
Lula também atacou o modelo econômico que dominou as últimas décadas. Para ele, “o neoliberalismo agravou a desigualdade econômica e a crise política que hoje assolam as democracias”, e o protecionismo e o unilateralismo seriam “respostas falaciosas” para os problemas atuais. Na mesma linha, criticou o sistema financeiro internacional, dizendo que nenhum país deveria precisar escolher entre pagar credores e alimentar suas crianças.
Cortes em organismos internacionais preocupam
O presidente brasileiro também se voltou contra os cortes em entidades como a Organização Mundial da Saúde, o Programa Mundial de Alimentos, a Unicef e a Ajuda Oficial ao Desenvolvimento, afirmando que a redução de recursos nessas organizações “impacta diretamente o cotidiano dos habitantes de países em desenvolvimento”. Sem citar nomes, Lula ainda criticou as guerras em curso, argumentando que elas desviam atenção e recursos da agenda de desenvolvimento.