Brasil

Novo presidente da Fundação Palmares nega a existência de racismo no Brasil e manda artistas ‘de volta para África’

Negro, Sérgio Nascimento de Camargo defende fim do feriado da Consciência Negra e ataca diversas personalidades negras do país, de atores e músicos a políticos, e brinca com o AI-5

Foto: Reprodução Facebook

(Estado de Minas) Novo nome à frente da Fundação Cultural Palmares, o jornalista Sérgio Nascimento de Camargo nega a existência de racismo no Brasil. Negro, militante de direita, é usuário frequente de redes sociais, onde defende o fim do feriado da Consciência Negra, critica manifestações culturais ligadas à população negra e ataca diversas personalidades negras, a quem sugere que sejam “mandadas para a África”, segundo levantamento feito pelo jornal O Globo nos perfis de Camargo.

A Fundação Palmares é o órgão responsável pela promoção da cultura afro-brasileira. A nomeação de Camargo foi publicada no Diário Oficial da União desta quarta-feira.
Em 15 de setembro, o jornalista publicou que no Brasil existe um tipo de racismo “nutella”, ao contrário dos Estados Unidos, onde o racismo seria “real”. “A negrada daqui reclama porque é imbecil e desinformada pela esquerda”, disse.

Em 27 de agosto, escreveu que a escravidão foi “terrível, mas benéfica para os descendentes” porque negros viveriam em condições melhores no Brasil do que na África. Também já disse sentir “vergonha e asco da negrada militante”.

Camargo defendeu a extinção do feriado do Dia da Consciência Negra por decreto, porque, para ele, a data causa “incalculáveis perdas à economia do país” ao homenagear quem ele chamou de um “um falso herói dos negros”, Zumbi dos Palmares — que dá nome à fundação que ele agora preside.

Também afirmou que o feriado foi feito sob medida para o “preto babaca” que é um “idiota útil a serviço da pauta ideológica progressista”.

Em um dos posts, ainda segundo a reportagem, ele disse ser favorável a que “alguns pretos sejam levados à força para a África”, e cita Lázaro Ramos e Taís Araújo (classificada de “rainha do vitimismo”) como exemplo. “Sugiro o Congo como destino. E que fiquem por lá!”, disse.

O sambista Martinho da Vila é outro que, na visão de Camargo, deveria “ser mandado para o Congo”, por ser um “vagabundo”. Além disso, o jornalista considera que a vereadora Marielle Franco, assassinada a tiros, “não era negra” e era um “exemplo do que os negros não devem ser”.

Com o mesmo desprezo se refere a Angela Davis, uma das principais líderes do feminismo negro, a quem chamou de “baranga” e “mocreia”.

Camargo ainda dispara contra a cantora Preta Gil e a atriz Camila Pitanga: “ladras racistas”. Segundo ele, elas se dizerem negras “para faturar politicamente e fazer discurso vitimista”.

Nomes importantes da música brasileira, como Gilberto Gil, Leci Brandão, Mano Brown e Emicida, e políticos, como os deputados federais Talíria Petrone e David Miranda (ambos do PSOL-RJ), foram todos chamados de “parasitas da raça negra no Brasil”.

O novo presidente da Fundação Palmares classifica o funk como “macumba” e o “funk carioca” de “desgraças do mundo” e disse que o hip-hop faz “apologia da maconha e do crime”.

Numa declaração machista e carregada de preconceitos, Camargo afirma que uma mulher negra que seja “feminista, lulista e afromimizenta não pode reclamar da ‘solidão da mulher negra'”, porque “ninguém é louco de encarar”.

Sérgio Nascimento de Camargo também já fez piada com o Ato Institucional 5 (AI-5), medida tomada durante a ditadura militar. Em 1º de novembro, após o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) causar polêmica por levantar a possibilidade de um “novo AI-5”, publicou uma foto do presidente Jair Bolsonaro com os seus quatro filhos, acompanhada da legenda “Aí, cinco”.

Em agosto, sugeriu que membros do PT sejam usados como cobaias em testes, no lugar de animais.

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