Brasil
Parece um conjunto de morros comuns, mas fica no Brasil a maior cratera de impacto de meteorito da América do Sul, com cerca de 40 quilômetros de diâmetro e mais de 250 milhões de anos
Astroblema tem centro entre Araguainha e Ponte Branca, em Mato Grosso, avança por Goiás e figura na lista mundial de patrimônio geológico da IUGS
Quem passa pela divisa entre Mato Grosso e Goiás vê morros, serras e o Rio Araguaia. Pouca gente imagina que ali está o Domo de Araguainha, a maior cratera de impacto de meteorito da América do Sul. A estrutura tem cerca de 40 quilômetros de diâmetro, nasceu há mais de 250 milhões de anos e é estudada por geólogos desde os anos 1960.
Onde fica o Domo de Araguainha e por que ele engana quem passa?
O centro do domo fica entre as cidades de Araguainha e Ponte Branca, em Mato Grosso, e cerca de 40% da estrutura avança por Goiás. É o que mostra a proposta de geoparque do Serviço Geológico do Brasil, que destaca o Rio Araguaia cortando a cratera e separando os dois estados.
A cara de morro comum tem explicação. O choque foi tão antigo que a erosão apagou o buraco original e deixou um astroblema, nome dado a uma cratera de impacto desgastada pelo tempo. No meio sobrou um núcleo elevado de rochas antigas, cercado por anéis de camadas sedimentares que lembram um alvo.
Esse desenho ocupa mais de 1.300 km², segundo a União Internacional de Ciências Geológicas (IUGS). A entidade incluiu o Domo de Araguainha na sua lista de sítios de patrimônio geológico do planeta. Na ficha, ele aparece como a maior e mais bem exposta estrutura de impacto da América do Sul.

Como a ciência calculou a idade do meteorito que caiu ali?
A data mais aceita vem da análise de minerais alterados pelo choque. Um estudo publicado em 2012 no periódico Geochimica et Cosmochimica Acta estimou a idade do impacto em 254,7 milhões de anos, com margem de 2,5 milhões para mais ou para menos.
Os pesquisadores dataram grãos de monazita e de quartzo das rochas atingidas pelo meteorito. O resultado coincide com a virada do Permiano para o Triássico, época de uma extinção em massa global. Ainda assim, os autores concluíram que a energia liberada não bastaria para causar a extinção sozinha, embora os efeitos regionais possam ter sido grandes.
Para guardar os números principais, a ficha abaixo reúne dados do SGB, da IUGS e do estudo de 2012. Eles ajudam a medir o tamanho do fenômeno escondido na paisagem.
| Critério | Informação |
|---|---|
| Diâmetro | Cerca de 40 km |
| Área | Mais de 1.300 km² |
| Idade estimada | 254,7 milhões de anos, com margem de 2,5 milhões |
| Localização | Centro entre Araguainha e Ponte Branca (MT), com cerca de 40% em Goiás |
Nem toda cratera tem origem no espaço, e a ciência às vezes leva décadas para resolver o mistério. Foi o que aconteceu com um cone de pedra que intrigou pesquisadores por quase 80 anos.
O que o visitante encontra na cratera entre Mato Grosso e Goiás?
Quem visita encontra marcas clássicas de impacto, como as brechas, rochas quebradas e coladas de novo. Há também cones de estilhaçamento, desenhos em forma de cone deixados pela onda de choque. A proposta do SGB inclui ainda corredeiras do Araguaia, cachoeiras e cavernas em arenito.

A região também caminha para virar geoparque. Segundo o Ministério Público Federal em Mato Grosso, 15 geossítios foram selecionados para a proposta que une Araguainha e Ponte Branca. O órgão informa que a cratera é a 15ª maior do mundo e acompanha os possíveis efeitos da rodovia estadual MT-100 sobre a área central do domo.
Vale incluir o Domo de Araguainha no roteiro de viagem?
Para quem gosta de ciência e natureza, sim, desde que a viagem seja bem planejada. O Domo de Araguainha junta paisagem de rio, cachoeiras e um capítulo raro da história da Terra gravado nas pedras.
O roteiro envolve cidades pequenas, estradas e trechos de rio. Por isso, consulte antes os órgãos de turismo de Mato Grosso e de Goiás e, se possível, contrate um guia local. Se você curte destinos fora do circuito tradicional, bota essa cratera na lista e depois conta pra gente o que achou.
Enquanto planeja a próxima viagem, aproveite para conhecer outra história curiosa, que foi parar até numa revista médica.
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