Parece uma cidade inglesa do século 19, mas fica no alto da Serra do Mar, em São Paulo: a vila ferroviária com casas de madeira, relógio de estação e neblina quase o ano todo - Super Rádio Tupi
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Parece uma cidade inglesa do século 19, mas fica no alto da Serra do Mar, em São Paulo: a vila ferroviária com casas de madeira, relógio de estação e neblina quase o ano todo

Distrito de Santo André nasceu com a ferrovia da São Paulo Railway, é tombado pelo Iphan e está na lista da Unesco para virar Patrimônio da Humanidade

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Paranapiacaba preserva uma vila ferroviária de origem britânica no alto da Serra do Mar, em Santo André
Paranapiacaba preserva uma vila ferroviária de origem britânica no alto da Serra do Mar, em Santo André - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Quem desce a serra rumo a Santos talvez nem perceba, mas a cerca de 840 metros de altitude existe um pedaço da Inglaterra vitoriana. É Paranapiacaba, distrito de Santo André, no ABC paulista. A vila ferroviária nasceu com a primeira grande ferrovia paulista e guarda casas de madeira, ruas alinhadas e um relógio que atravessa a neblina da Serra do Mar.

Como a São Paulo Railway criou a vila no alto da serra?

Tudo começou como acampamento dos operários que abriam caminho para os trilhos na encosta. O projeto teve início com o Barão de Mauá. Em 1860 foi fundada a São Paulo Railway, empresa britânica que ficou com a concessão da linha Santos-Jundiaí por 90 anos, segundo a história da Vila de Paranapiacaba publicada pela Prefeitura de Santo André.

A ferrovia foi inaugurada em 1867 e levava a produção paulista até o Porto de Santos. Em 1897 surgiu a Vila Martin Smith, um bairro planejado com ruas regulares, vielas sanitárias e casas de madeira com telhas francesas. O tamanho da casa dependia do cargo do ferroviário na companhia.

O nome Paranapiacaba só foi adotado em 1945. No ano seguinte, a linha passou para o governo federal e o controle britânico chegou ao fim.

Por que o relógio da estação virou símbolo de Paranapiacaba?

Porque ele comandava a rotina da vila ferroviária: marcava os turnos, os horários dos trens e os intervalos de descanso. Segundo a prefeitura, as badaladas eram ouvidas mesmo quando a neblina densa escondia todo o entorno.

Criada em 1897, a Vila Martin Smith tinha ruas planejadas e casas cujo tamanho variava conforme o cargo do ferroviário
Criada em 1897, a Vila Martin Smith tinha ruas planejadas e casas cujo tamanho variava conforme o cargo do ferroviário – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

O relógio é da fabricante inglesa John Walker e ganhou a torre por volta de 1898, quando uma nova estação de madeira foi erguida. Em 1977, a estação foi desativada e a torre foi reconstruída mais alta, em outro ponto, com o mecanismo original. Depois de cerca de dez anos parado, ele voltou a funcionar após um restauro de R$ 1,2 milhão. A Prefeitura de Santo André registra a reinauguração em 20 de julho de 2019, na abertura do 19º Festival de Inverno.

Quem gosta de destinos paulistas onde história e natureza andam juntas tem outro bom exemplo no litoral norte. A matéria abaixo mostra como uma ilha cercada por montanhas preserva mata e patrimônio.

O que o visitante encontra hoje na vila ferroviária?

O visitante encontra um conjunto histórico protegido nas três esferas de governo, com museus, trilhas e festas tradicionais. O tombamento estadual, pelo Condephaat, é de 1987. O federal, pelo Iphan, vale desde 2002, e a vila está na lista da Unesco para ser reconhecida como Patrimônio da Humanidade.

O Castelinho, antiga residência do superintendente da ferrovia, virou museu e integra o patrimônio de Paranapiacaba
O Castelinho, antiga residência do superintendente da ferrovia, virou museu e integra o patrimônio de Paranapiacaba – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

A página oficial de Paranapiacaba no portal da prefeitura destaca o Castelinho, antiga casa do superintendente da ferrovia que virou museu, e o Museu do Funicular, com locomotivas e máquinas antigas. As trilhas da Pontinha, do Mirante e da Água Fria exigem guia credenciado. O calendário inclui o Festival de Inverno, o Festival do Cambuci, em abril, e a Feira de Artes e Antiguidades.

A Secretaria de Cultura de Santo André percorreu a vila no programa Santo André na Lupa. No episódio, moradores, artistas plásticos e a idealizadora da feira de antiguidades contam como é viver e criar no alto da serra.

Vale incluir Paranapiacaba no roteiro da próxima viagem?

Vale, principalmente para quem gosta de história, fotografia e natureza. A vila está cercada de Mata Atlântica, integra a Reserva da Biosfera da Unesco desde 2000 e fica ao lado do Parque Natural Municipal Nascentes de Paranapiacaba, criado em 2003. É uma herança da São Paulo Railway que resistiu ao fim do funicular, parado em 1982.

Para o passeio, leve agasalho, calçado firme e capa de chuva, porque a neblina pode encobrir o caminho a qualquer hora. Antes de sair, confira a programação e as regras das trilhas nos canais oficiais da prefeitura. Horários e contatos do posto de atendimento também ficam nesses canais. Depois é só ir sem pressa, ouvir as badaladas e deixar essa viagem no tempo acontecer.

Se a ideia é continuar planejando passeios por São Paulo, tem mais um destino tranquilo esperando por você no interior.

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