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Pink money movimenta bilhões e reacende debate sobre apoio real à comunidade LGBT+

Especialista alerta para a diferença entre inclusão efetiva e ações de marketing concentradas apenas no mês do orgulho

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Foto: Reprodução

Junho, mês em que é celebrado o orgulho LGBT+, também traz à tona discussões sobre o chamado pink money, termo utilizado para definir o poder de consumo da população LGBTQIA+ e o interesse crescente de empresas em direcionar produtos e campanhas para esse público.

Segundo uma pesquisa da consultoria Out Now, o consumo da comunidade LGBT+ pode movimentar cerca de R$ 420 milhões por ano no Brasil. O impacto econômico desse público pode ser observado em grandes eventos. Um exemplo é o projeto Todo Mundo no Rio, realizado em Copacabana, que atrai milhões de pessoas, muitas delas integrantes da comunidade LGBT+. O show da cantora Shakira, realizado em maio, movimentou aproximadamente R$ 800 milhões na economia carioca.

Para o pesquisador e mestre em Ciências Sociais Anderson Cruz, o conceito de pink money está diretamente ligado ao potencial econômico da comunidade LGBTQIA+.

“O termo pink money refere-se ao poder de consumo da comunidade LGBTQIA+ e ao direcionamento de estratégias de mercado para capturar esse capital. Durante o mês do orgulho, que é em junho, o conceito ganha centralidade porque o mercado publicitário e o setor corporativo intensificam o lançamento de produtos e campanhas temáticas e temporariamente voltados a esse público.”

O especialista destaca, no entanto, que é importante diferenciar ações de marketing de iniciativas concretas de inclusão.

“O apoio real é contínuo e interno. Refere-se a políticas efetivas de contratação, equidade salarial, presença de pessoas LGBTQIA+ em cargos de liderança e no financiamento permanente de projetos sociais.”

Segundo ele, o chamado oportunismo mercadológico acontece quando empresas limitam suas ações ao período das comemorações.

“O oportunismo mercadológico se caracteriza pelo ativismo de fachada, restritamente ao mês de junho.”

Além do potencial de consumo, a exclusão da população LGBT+ também gera impactos econômicos. De acordo com estudo do Banco Mundial, o Brasil perde anualmente mais de R$ 94 bilhões devido à discriminação e às dificuldades enfrentadas por pessoas LGBT+ no mercado de trabalho.

As celebrações do mês do orgulho também mobilizam eventos em todo o país. No último domingo, a cidade de São Paulo recebeu a 30ª edição da Parada do Orgulho LGBT+. Segundo estimativa do Monitor do Debate Político da USP e da ONG More in Common, cerca de 37 mil pessoas participaram do evento.