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PL quer saber se Flávio Bolsonaro teve mais contatos com Vorcaro
A relação muito próxima entre o senador e o ex-banqueiro estremeceu os preparativos da campanha presidencialO PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, está preocupado com a extensão das relações entre o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (RJ) e o ex-banqueiro e dono do Banco Master Daniel Vorcaro. Em conversas reservadas, parlamentares da legenda comandada por Valdemar Costa Neto sinalizam apreensão com o desenrolar da história entre os dois e o envolvimento com o deputado Mário Frias (PL-SP), o deputado cassado Eduardo Bolsonaro e a produção do filme biográfico do ex-capitão, Dark Horse (“Cavalo Negro”, na tradução literal).
Nesta semana, a legenda deve ter reuniões com o senador para que ele dê garantias de que conseguirá se manter competitivo na campanha. O que tem mais deixado os aliados inquietos é a linha do tempo das trocas de mensagens, ligações, encontros e áudios entre Flávio e Vorcaro expostos pelo Intercept Brasil na semana passada.
Uma delas é a mensagem enviada pelo senador em 16 de novembro de 2025, um dia antes da prisão de Vorcaro no Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos, quando ele tentava viajar para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”, escreveu. Em seguida, o ex-banqueiro enviou uma imagem em visualização única que foi respondida com um “amém” do filho 01 de Bolsonaro.
A conversa entre Vorcaro e Flávio ocorreu poucos minutos depois de o juiz Ricardo Soares Leite decretar a prisão do banqueiro, às 15h29. As palavras de solidariedade do Senador foram enviadas um minuto antes da defesa apresentar uma petição dirigida à 10ª Vara Federal contrária a “medidas cautelares eventualmente requeridas”, às 15h46.
Alguns dias antes, em 22 de outubro, enquanto tentavam marcar um jantar entre Vorcaro com o ator norte-americano Jim Caviezel e o diretor também norte-americano Cyrus Nowrasteh, no começo de novembro, o dono do Master perguntou ao senador se ele iria para Dubai, e o parlamentar contou que o irmão e ex-deputado Eduardo Bolsonaro estaria por lá.
“Não, acho que meu irmão tá indo […] Tá precisando de algo lá? Peço pra ele te encontrar”, respondeu Flávio. Vorcaro esteve em Dubai em 4 de novembro e chegou a afirmar por mensagens que estava em reunião na cidade para Flávio. Ainda naquele mês, Eduardo Bolsonaro chegou a viajar para Bahrein, em 16 de novembro — dois dias antes de o Banco Central decretar a liquidação do Banco Master —, reino vizinho ao Catar, banhado pelo Golfo Pérsico assim como Dubai, destino final de Vorcaro antes da primeira prisão.
Explicações
Na reunião emergencial realizada na última quarta-feira (13),após o vazamento do áudio de Flávio Bolsonaro cobrando o restante do pagamento para financiar olonga-metragem, de acordo comparlamentares do PL, o senadorteria garantido que nada mais viria à tona, que tudo o que foi exposto era o que existia entre os dois. Muitos foram pegos de surpresa e afirmaram não ter conhecimento do negócio entre Flávio e Vorcaro. Contudo, no último sábado, novos fatos foram expostos pelo G1, Intercept Brasil e pelo jornal O Globo sobre a produção do filme nos Estados Unidos e no Brasil.
O Correio tentou entrar em contato com a produtora GO UP Entertainment, responsável pelo longa,mas o servidor do e-mail disponibilizado no site da empresa, aparentemente, está ocupado, off-line outem um problema técnico temporário. O deputado Mário Frias (PL-SP)pediu que a produtora fosse procurada e não comentou as acusações, que foram desde comida estragadaa problemas de pagamentos para osfigurantes brasileiros.
Uma ala do PL resolveu apoiarFlávio sob qualquer circunstância,e outra está mais cautelosa, esperando os resultados das próximaspesquisas para entender quanto ovazamento das conversas afetoua candidatura do senador ao Planalto. Há quem já defenda o nome da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro como a aposta da siglapara as eleições, a mesma ala quedefendia, antes, a chapa dela comovice do governador de São Paulo,Tarcísio de Freitas (Republicanos).