Por 26 anos, um indígena viveu completamente sozinho numa área de floresta em Rondônia, último sobrevivente de seu povo, e ficou conhecido como "índio do buraco" pelas covas que cavava - Super Rádio Tupi
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Por 26 anos, um indígena viveu completamente sozinho numa área de floresta em Rondônia, último sobrevivente de seu povo, e ficou conhecido como “índio do buraco” pelas covas que cavava

Último sobrevivente de seu povo, ele morreu em 2022, e a área onde viveu deu origem a um parque nacional criado por decreto em junho de 2026

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O último sobrevivente do povo Tanaru viveu 26 anos isolado na floresta de Rondônia, sem aceitar contato
O último sobrevivente do povo Tanaru viveu 26 anos isolado na floresta de Rondônia, sem aceitar contato - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Durante 26 anos, um homem viveu completamente sozinho numa área de floresta no sul de Rondônia, sem aceitar contato com ninguém de fora. Último sobrevivente de seu povo, ele ficou conhecido como índio do buraco e morreu em agosto de 2022, dentro da Terra Indígena Tanaru. Sua trajetória virou símbolo da proteção aos povos indígenas isolados no Brasil.

Quem era o índio do buraco que viveu sozinho em Rondônia?

O índio do buraco era um homem adulto que servidores da Funai avistaram pela primeira vez em 5 de dezembro de 1996. Meses antes, em agosto, a equipe havia achado vestígios de indígenas isolados entre os rios Taboca e Tanaru, numa região já muito desmatada. Desde o primeiro encontro, ele resistiu a qualquer aproximação.

Esse apelido nasceu dos grandes buracos escavados no chão que os servidores encontraram nos locais onde ele vivia. A finalidade dessas covas nunca foi esclarecida, segundo o histórico do caso publicado pelo Supremo Tribunal Federal. A equipe também registrou roças, armadilhas e habitações, e o indígena passou a ser chamado ainda de Tanaru, nome de um rio da região.

Como a Funai protegeu a floresta onde ele vivia isolado?

A proteção veio da restrição de uso do território. A área de 8.070 hectares foi interditada judicialmente com base em laudo antropológico. Até a morte do indígena, ela era resguardada apenas por uma portaria da Funai que restringia o uso da terra.

Servidores da Funai avistaram o indígena pela primeira vez em 5 de dezembro de 1996, numa região já muito desmatada
Servidores da Funai avistaram o indígena pela primeira vez em 5 de dezembro de 1996, numa região já muito desmatada – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Esse cuidado segue a lógica aplicada aos povos indígenas isolados, grupos que evitam contato com a sociedade de fora. Em 2022, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) levou ao STF a ADPF 991, ação que cobra da União medidas para proteger esses povos e os de recente contato.

A preservação da floresta amazônica e das terras indígenas também entrou na pauta de encontros recentes em Brasília. A matéria abaixo mostra um desses momentos.

Como foram a morte e o sepultamento do último Tanaru?

O indígena foi encontrado morto em agosto de 2022, deitado numa rede e ornamentado com penas de arara. Não havia sinais de violência, e a morte aparentemente ocorreu por causas naturais, de acordo com o relato do Supremo sobre o caso.

Purá, indígena da etnia kanoê, conduziu o sepultamento no próprio local onde ele viveu. Seguindo tradições indígenas, a sepultura foi aquecida com fogo e forrada com folhas, num gesto de respeito ao último representante daquele povo.

O sepultamento seguiu tradições indígenas, com a sepultura aquecida a fogo e forrada com folhas, no local onde ele viveu
O sepultamento seguiu tradições indígenas, com a sepultura aquecida a fogo e forrada com folhas, no local onde ele viveu – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

O que muda com o parque nacional criado na terra Tanaru?

A principal mudança é que a antiga Terra Indígena Tanaru passou a ser um parque nacional. Depois da morte, a Apib pediu ao ministro Edson Fachin que mantivesse a portaria da Funai em vigor. Daí até a criação do parque, foram quase quatro anos.

Os principais passos desse processo estão reunidos na linha do tempo abaixo. As datas foram divulgadas pelo STF e pelo texto oficial do decreto.

Linha do tempo do caso Tanaru1996 A 2026
Do primeiro registro à criação do parque nacional
Data Acontecimento
Agosto de 1996 Funai encontra vestígios entre os rios Taboca e Tanaru
5/12/1996 Primeiro avistamento do indígena
Agosto de 2022 Indígena é encontrado morto em sua rede
21/5/2025 Acordo no STF para a União apresentar o plano do parque
Setembro de 2025 Fachin homologa o plano
10/6/2026 Decreto cria o parque nacional

O Decreto nº 13.016, de 10 de junho de 2026, criou o Parque Nacional Povos Indígenas do Rio Tanaru. São cerca de 7.638 hectares em Chupinguaia, Corumbiara, Parecis e Pimenteiras do Oeste. A gestão cabe ao ICMBio, de forma integrada com a Funai, e um dos objetivos é preservar sítios ligados à memória do povo tanaru.

Por que a história do índio do buraco ainda importa hoje?

A história importa porque mostra o que está em jogo quando um povo inteiro desaparece. A floresta onde o índio do buraco viveu fica numa faixa de transição entre Amazônia e Cerrado. Pelos objetivos do decreto, ela agora guarda a memória dos Tanaru e abriga espécies ameaçadas.

Para o ouvinte carioca, longe das matas de Rondônia, o caso ajuda a entender por que a proteção dos povos isolados segue em debate no país. Se essa trajetória mexeu com você, guarde o nome Tanaru e conte essa história para quem ainda não conhece.

Quem quiser seguir no tema da floresta encontra no site da Tupi a Amazônia pelo olhar de quem viaja. A leitura abaixo traz curiosidades da região.