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Prisão de Deolane Bezerra por lavagem de dinheiro do PCC expõe como um Pix recebido pode virar caso de polícia

Prisão da influenciadora Deolane Bezerra revela esquema de lavagem de dinheiro do PCC. Entenda como evitar cair em ciladas financeiras

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Mulher loira de blusa zebra e joias douradas sentada em cadeira de couro com computador.
A prisão de influenciadora reacende discussão sobre a responsabilidade de quem tem a conta bancária usada em lavagem de dinheiro.

Receber um Pix inesperado não transforma ninguém em cúmplice de um crime, mas a prisão da influenciadora Deolane Bezerra, ocorrida na manhã desta quinta-feira (21/5), serve como um alerta fundamental. A ação, parte da “Operação Vérnix” do Ministério Público e da Polícia Civil de São Paulo, investiga um esquema de lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC) e expõe como cidadãos comuns podem ser envolvidos em redes criminosas sem ter a dimensão completa do risco.

O episódio reacende a discussão sobre a responsabilidade de quem tem a conta bancária usada para transitar recursos de origem ilícita. Para entender mais sobre o contexto, veja o que se sabe sobre a lavagem de dinheiro.

Leia Mais

O que aconteceu com Deolane Bezerra?

A influenciadora Deolane Bezerra foi detida preventivamente durante a operação, que também investiga Marco Herbas Camacho, o Marcola, líder do PCC. Ele já cumpre pena na Penitenciária Federal de Brasília e recebeu um novo mandado de prisão expedido pela Justiça paulista. A operação cumpre seis mandados de prisão preventiva no total, incluindo o irmão e dois sobrinhos de Marcola e o operador financeiro Everton de Souza, conhecido como Player.

Segundo a investigação, o esquema usaria como fachada a transportadora Lopes Lemos Transportes, também identificada como Lado a Lado Transportes, com sede em Presidente Venceslau (SP). A empresa teria movimentado mais de R$ 20 milhões com incompatibilidade entre os valores declarados ao Fisco e a movimentação financeira real.

Foto: Reprodução/Instagram

No caso específico de Deolane, o Ministério Público aponta cerca de 50 depósitos somando R$ 716 mil em duas empresas ligadas a ela, segundo apuração da TV Globo. Em paralelo, a investigação identificou mais de R$ 1 milhão em depósitos fracionados em valores abaixo de R$ 10 mil entre 2018 e 2021 — prática conhecida como “smurfing”, usada para escapar dos limites que disparam alerta automático nos órgãos de controle. A Justiça determinou ainda o bloqueio de R$ 27 milhões em nome da influenciadora.

Como uma pessoa comum se envolve em lavagem de dinheiro?

Casos de lavagem de dinheiro envolvendo grandes facções raramente operam só com nomes conhecidos. O fracionamento (dividir grandes quantias em depósitos pequenos espalhados por várias contas) depende justamente de uma rede de pessoas físicas dispostas a “emprestar” suas contas em troca de comissão. É o esquema clássico do laranja.

Proteja seu CPF: fique alerta contra fraudes

Identifique e evite situações que podem te envolver em esquemas de lavagem de dinheiro.

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Promessas de ganho rápido

Desconfie de propostas que prometem dinheiro fácil e rápido sem qualquer esforço claro. É um sinal clássico de golpe ou esquema.

💸

Movimentação de dinheiro de terceiros

Evite receber valores de desconhecidos na sua conta para repassar a outros, mesmo com comissão. Você pode se tornar um “laranja”.

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Pedidos de informações pessoais

Fique alerta a pedidos de extrato bancário, comprovante de conta ou foto de documento para “emprego” ou “negócio”. Seu CPF pode ser o alvo.

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Ofertas boas demais para ser verdade

A regra de ouro: se a oferta parece boa demais para ser verdade, provavelmente é. Recuse para proteger seu CPF e seu nome.

Segundo advogados, o objetivo é fracionar o dinheiro sujo em várias contas para dificultar o rastreamento pelas autoridades. A Lei nº 9.613/98, que trata dos crimes de lavagem de dinheiro, é clara ao punir quem oculta ou dissimula a origem de valores provenientes de infração penal.

Recebi um Pix estranho. Posso ser preso?

Não. Um erro de transferência ou um depósito desconhecido e isolado não caracteriza crime. O problema surge quando há indícios de que a pessoa sabia ou deveria saber da procedência ilícita do dinheiro. A Justiça pode interpretar como “cegueira deliberada”, ou seja, a pessoa escolheu não saber a origem para se beneficiar.

Portanto, se você recebe uma oferta para usar sua conta em troca de dinheiro fácil, a alegação de desconhecimento dificilmente será aceita. A devolução voluntária é a saída segura. Reter valor recebido por engano pode configurar apropriação indébita, prevista no Código Penal.

E o Pix recebido por engano? Tem que devolver?

Tem. E não é só uma questão moral. Reter dinheiro que chegou por erro na sua conta pode configurar apropriação indébita, prevista no artigo 169 do Código Penal, com pena de detenção e multa.

Pix recebido por engano ou suspeito?

Entenda as diferenças e saiba como agir para evitar problemas legais.

1.

Distinga entre erro e crime

Um Pix isolado por engano não é crime. O problema surge com indícios de conhecimento da origem ilícita ou participação em esquema.

2.

Devolva o Pix por engano

Reter valores recebidos por engano é apropriação indébita. Use a função de devolução automática do seu banco para segurança.

3.

Cuidado com “cegueira deliberada”

Aceitar ofertas para movimentar dinheiro de terceiros pode ser interpretado como escolha de ignorar a origem ilícita dos fundos.

4.

Mecanismo Especial de Devolução (MED)

O MED serve para fraudes e golpes, não para Pix por engano. A devolução nesse caso depende da sua boa-fé.

Vale uma distinção importante: o Mecanismo Especial de Devolução (MED), do Banco Central, não se aplica a Pix enviado por engano — ele cobre apenas casos de fraude, golpe ou falha operacional do banco. Em transferência feita por erro, a devolução depende da boa-fé de quem recebeu. A forma mais segura é usar a função de devolução automática no próprio aplicativo do banco, que devolve o valor exatamente para a conta de origem e gera comprovante.

Sinais de alerta para não cair em uma cilada

A armadilha clássica é a promessa de ganho rápido sem esforço. Desconfie quando aparece proposta para receber dinheiro de desconhecidos na sua conta e repassar a terceiros, mesmo que o valor da comissão pareça pequeno. Verifique também a identidade de quem oferece “emprego” ou “negócio” que envolva movimentar dinheiro em seu nome — pedido de extrato, comprovante de conta e foto do documento são pistas de que a sua conta é o ativo de interesse, não o seu trabalho.

A regra prática continua valendo: se uma oferta parece boa demais para ser verdade, a melhor proteção para o seu CPF é recusar.

Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.