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Vorcaro e Moraes trocaram mensagens com visualização única no dia da prisão

Mensagens mostram uma certa correria na venda do Banco Master no dia em que ele foi preso pela primeira vez, em novembro de 2025

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Vorcaro menciona 18 vezes à ex-namorada encontro com ministros. Crédito: Foto: Banco Master/Divulgação

O banqueiro Daniel Vorcaro, CEO do Banco Master, e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes trocaram mensagens em visualização única no dia da primeira prisão do investigado pela Polícia Federal, 17 de novembro de 2025. Ele foi preso novamente na última quarta-feira (4/3), em nova operação da Polícia Federal (PF).

Mensagens reveladas pela jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, sugerem que Vorcaro prestava contas ao ministro sobre o avanço das negociações para a venda do banco e falou sobre o inquérito sigiloso que tramitava na Justiça Federal de Brasília e o levou à prisão. A defesa do empresário quer uma investigação sobre o vazamento das conversas.

Isto porque, na manhã do dia em que foi preso, ele escreveu: “Fiz uma correria aqui para tentar salvar. Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”. Por volta de 22h, ele foi preso no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP), enquanto tentava embarcar para Dubai, nos Emirados Árabes, em um jato particular.

A última prisão ocorreu no mesmo dia em que Vorcaro era aguardado para prestar depoimento à CPI do Crime Organizado, em Brasília (DF), que teve a sessão cancelada. Ele não foi o único alvo da Operação Compliance Zero: o cunhado dele, o pastor ligado à Igreja Batista da Lagoinha, Fabiano Zettel, também teve um mandado de prisão e se entregou à polícia; outros dois investigados também foram presos e 15 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Minas Gerais e São Paulo.

Segundo as investigações, o grupo é suspeito de envolvimento em um esquema bilionário de fraudes financeiras baseadas na comercialização de títulos de crédito supostamente falsos. A apuração federal também abrange possíveis crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos.

Depois disso, as mensagens foram trocadas por meio de prints de textos escritos no bloco de notas e enviados pelo modo de visualização única, que somem depois que o usuário as vê. Os prints de Vorcaro foram recuperados pela quebra de sigilo telefônico da PF, mas os de Moraes não foram disponibilizados. O número dele, porém, foi confirmado.

Os horários dos prints dos blocos de notas coincidem com os horários das mensagens, que foram enviadas cerca de um minuto depois dos prints. Apenas uma delas, de nove acessadas, foi mandada seis minutos depois.

Nos prints do banqueiro, ele afirmava que “estava tentando antecipar os investidores” sobre a venda do Master, cujo anúncio ao grupo Fictor foi feito às pressas, e que “tinha chance de conseguir assinar e anunciar ainda hoje uma parte”. Vorcaro também comentou sobre uma jornalista que tinha feito perguntas no BRB e que temia o vazamento do assunto da venda, mas que poderia resultar em “um gancho para entrar no circuito do processo”.  

O banqueiro também alegou que teria feito “uma correria” para tentar se salvar de uma ordem de prisão contra ele, ao enviar uma petição dirigida ao juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal de Brasília, onde corria o inquérito em sigilo. As mensagens foram respondidas por Moraes também em visualização única.

As investigações da PF indicam que o banqueiro conseguiu a informação do inquérito a partir de um acesso ilegal aos sistemas da Polícia Federal. Depois, usou o próprio sistema para tornar a informação pública e justificar a petição enviada ao juiz, apenas 18 minutos depois da determinação da prisão.

Justificativas

Em nota, a assessoria do ministro negou os contatos: “O Ministro Alexandre de Moraes não recebeu essas mensagens referidas na matéria. Trata-se de ilação mentirosa no sentido, novamente, de atacar o Supremo Tribunal Federal”. 

Por outro lado, a defesa de Vorcaro alegou que as conversas foram “talvez editadas e tiradas de contexto” e que pediu uma investigação da origem de vazamentos de “supostos diálogos com autoridades”, inclusive o ministro Alexandre de Moraes.

“O espelhamento dos dados dos aparelhos apreendidos foi entregue à defesa apenas no dia 3 de março de 2026 e o HD foi imediatamente lacrado na presença da autoridade policial, dos advogados e de tabelião, para preservar o sigilo das informações”, diz a nota da defesa.

“Apesar disso, diversas mensagens supostamente extraídas desses aparelhos passaram a ser divulgadas por veículos de imprensa nos últimos dias, mesmo sem que a própria defesa tenha tido acesso ao conteúdo do material.”, diz trecho da nota. A defesa também afirmou que requereu ao Supremo “que seja instaurado inquérito para identificar a origem dos vazamentos e que a autoridade policial apresente a relação de todas as pessoas que tiveram acesso ao conteúdo dos aparelhos apreendidos”.