Carnaval

Em comemoração aos 80 anos de história, Império da Tijuca levanta ‘bandeira da educação’ em 2020

Enredo conta a história do "Homem-Livro", um sergipano que aprendeu a ler aos 18 anos a partir da Bíblia e fundou bibliotecas pelo país

Por Pedro Henrique Leite

Detalhe de uma das alegorias do Império da Tijuca. Foto: Reprodução Instagram

O ano de 2020 é muito especial para o Império da Tijuca, verde e branco do Morro da Formiga. A escola, que desfila na Série A do Carnaval do Rio, levará o enredo “Quimeras de um eterno aprendiz”, do jovem carnavalesco Guilherme Estevão, para a Marquês de Sapucaí neste ano, que marca 80 anos de fundação da escola. Em entrevista à SUPER RÁDIO TUPI, Estevão explicou a forma como desenvolverá a história de Evando Santos, o “Homem-Livro”:

“O enredo do Império da Tijuca fala de educação utilizando a história do homem-livro como fio condutor. Se trata de um sergipano analfabeto até os 18 anos e que aprendeu a ler a partir da Bíblia. Depois passou a catar livros pela rua e criou uma coleção de 55 mil livros. Depois passou a abrir bibliotecas pelo país. É dessa história de transformação de vida pela educação, que a gente vai abordar uma série de aspectos da própria educação, como o processo de construção do livro do saber como símbolo do Brasil, as correntes literárias e seus personagens e contextualizar o Império da Tijuca, que é a primeira escola de samba educativa do Carnaval”, simplificou Guilherme.

O Carnavalesco também contou a forma como setorizou o quesito:

“A gente abre o desfile mostrando a história do homem-livro, esse processo dele no Sergipe vindo para o Rio de Janeiro, construindo um personagem, e transformando essas bibliotecas em máquinas do saber. É uma entrada lúdica. O segundo setor se baseia na memória, na ancestralidade, representado pela Deusa Minerva, que é a deusa do conhecimento. No terceiro setor, a gente mostra as correntes literárias. A gente traz as literaturas nacionais e internacionais que influenciaram a vida do Evandro e como essas literaturas se rebelam. A gente passa por Shakespeare, Pablo Neruda, Miguel de Cervantes, Machado de Assis, João Cabral de Melo Neto e termina no Macunaíma. O último setor da escola é o Império da Tijuca contando que a forma de educar o cidadão é através da arte, cultura e da religião. A gente relembra desfiles importantes da história da escola e termina com a educação do futuro, a utopia do saber”, destrinchou Estevão.

 

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Visita surpresa do Homem-Livro no barracão nessa manhã de terça! #imperiodatijuca

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Guilherme Estevão é daqueles profissionais rotulados como “da nova geração”. Isso em função dos poucos desfiles que já assinou. A estreia oficial aconteceu em 2019, pela Independentes de Olaria, na Intendente Magalhães. A agremiação foi campeã do Grupo C. Guilherme falou sobre a rápida ascensão:

“São dois anos como carnavalesco e cinco como assistente de Carnaval. Mas eu fiz trabalho em outros lugares, como São Paulo, Uruguaiana, Porto Alegre, interior do Rio e escolas do Grupo D. O convite surgiu depois que o Marcus Ferreira [ex-carnavalesco do Império da Tijuca] foi para a Viradouro. Eu sou muito amigo dele, ele já conhecia o meu trabalho e quando saiu acabou fazendo uma ponte para que eu apresentasse meu trabalho ao presidente, que aprovou. Fiquei extremamente feliz, honrado e com um desafio enorme”, contou.

Em 08 de dezembro de 2020, o Império da Tijuca completa 80 anos de fundação. Além disso, vai desfilar após a Unidos de Padre Miguel – escola que tem brigado pelo título nos últimos anos – e Imperatriz Leopoldinense, que caiu do Grupo Especial. Para Guilherme, as circunstâncias fazem com que o desafio fique ainda maior:

“Pressionado não. Me sinto desafiado. São grandes escolas, assim como o Império da Tijuca. Mas não acho que seja amedrontador. Eu acho que isso faz com que tenhamos ainda mais vontade de fazer um Carnaval grandioso. Até porque dessas três escolas, a única que já ganhou a Série A foi o Império da Tijuca”, brincou. E completou:

“Apesar desse embate, fechar o Carnaval é muito positivo. Eu não gosto de medir esforços por nome. Este é um ano de superação. Então só em colocar o Carnaval na rua já é merecedor de todos os elogios. Nunca houve um abandono tão grande do poder público para a cultura, pro samba”, finalizou a entrevista.

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