Carnaval

Rosa Magalhães: “O Brasil é machista, meu ‘cumpade’. O Carnaval também!”

Carnavalesca concedeu entrevista à SUPER RÁDIO TUPI e falou sobre seu enredo para 2020 na Estácio de Sá, primeira escola a desfilar no domingo de Carnaval pelo Grupo Especial

Por Pedro Henrique Leite

Rosa Magalhães assina Carnaval da Estácio de Sá em 2020. Foto: Reprodução Internet/ Divulgação

Aos 73 anos, Rosa Magalhães está de volta à Estácio de Sá. Para 2020, a carnavalesca levará o enredo “Pedra” para a Marquês de Sapucaí. Em entrevista à SUPER RÁDIO TUPI no barracão da escola, na Cidade do Samba, a artista contou como a vermelho e branco desenvolverá a temática na Avenida:

“O enredo é simples. Começa com a pedra como o primeiro registro do homem com as descrições rupestres. Depois nós vamos para a primeira exploração no Brasil – e tudo focando no Brasil -, as primeiras explorações de pedras preciosas em Minas Gerais, sobretudo em Diamantina. Depois continuamos em Minas, falando da exploração de ferro em Itabira no meado do século passado durante a Segunda Guerra Mundial. De Itabira a gente vai para a região dos Carajás, dos índios Carajás. Segundo a tradição deles, eles moravam dentro da gruta antes de nascer. E quando nasciam, saíam da pedra. É nessa região dos índios Carajás que você encontra outra exploração da pedra, que é o ouro da Serra Pelada”, explicou Rosa.

A carnavalesca também citou outro momento do enredo, que segundo ela tem como intuito passar uma mensagem de preservação do planeta:

“Agora faz 50 anos que o homem foi à lua. Neil Armstrong trouxe uma pedrinha de 2 centímetros, mas que tinha 4 bilhões de anos. E se ninguém tomar conta da Terra nós vamos virar uma segunda Lua, só de pedra. O enredo tem mensagem de preservação. Talvez um sacode, sabe?!”, analisou.

Rosa também comentou o atual momento do Carnaval devido as dificuldades financeiras que as escolas atravessam por conta da falta de apoio por parte da Prefeitura do Rio. A profissional também se referiu aos obstáculos enfrentados pelas agremiações pertencentes a Série A:

“O Carnaval dá três passos pra frente, dois para trás. Três passos pra frente, quatro pra trás. A Cidade do Samba, por exemplo, foi um grande passo para frente. As pessoas não imaginam o que é trabalhar debaixo de um viaduto, sem banheiro, sem água, sujeito a chuva, ventania, inundação. É uma dificuldade na Série A ainda maior. O ideal seria pelo menos um espaço com luz e banheiro para não expor tanto a vida, né?!”, lamentou.

Tradicionalmente, as escolas de samba que ascendem ao Grupo Especial disputam apenas a permanência na elite. Raros são os anos em que isso não acontece, como em 2019 onde a Unidos do Viradouro foi vice-campeã do Grupo Especial logo após subir da Série A. Para Rosa, a dificuldade em gabaritar os quesitos é maior para as escolas que abrem os desfiles, mas não acredita em pré-julgamentos:

“Mais difícil para se conquistar a nota máxima é. Mas eu espero que não tenha [pré-julgamento]. A escola é a primeira, mas poderia ser a terceira, quinta. Temos que nos imbuir de um espírito de que vai sair tudo bem, que vai cantar, dançar e distrair o público”, ponderou.

Das 13 escolas do Grupo Especial do Rio de Janeiro, apenas duas tem em seus quadros carnavalescas mulheres. A própria Estácio de Sá, com Rosa, e a Portela, com Márcia Lage ao lago de Renato Lage. A não renovação de figuras femininas no cargo de carnavalesca é visto por Rosa Magalhães como uma resposta ao machismo no Carnaval, no Brasil e no mundo.

“A mulher continua morrendo, apanhando. Uma coisa horrível. Às vezes consegue lugares de destaques, mas às duras penas. É muito difícil. Mulher tem família, filho, outras conjunções. O Brasil é machista, meu ‘cumpade’. O Carnaval também”, opinou. E continuou: “Aqui na Estácio não tem isso. Mas de um modo geral é assim. O mundo é assim”. Rosa também relembrou um momento de sua carreira que retrata o tema:

“Uma vez estava trabalhando na Sapucaí com os operários. Era tarde da noite. Passou um homem e disse assim: ‘A sua família sabe que a senhora está aqui até essa hora?!’. Eu respondi: ‘Sim, sabe porque estou trabalhando!’. Então é muito preconceituoso sim”, recordou.

Barracão da Estácio a todo vapor. Foto: Tupi

Rosa Lúcia Benedetti Magalhães é a maior detentora de títulos na era Sambódromo. Foi campeã com o Império Serrano, em 1982 (antes do Sambódromo), pentacampeã com a Imperatriz Leopoldinense (1994, 1995, 1999, 2000, 2001), e campeã com a Vila Isabel, em 2013. Aos 73 anos de idade, Rosa não sabe a hora de parar:

“Não sei. É uma incógnita. É um passo de cada vez, ano a ano. O que eu vou fazer daqui a três meses eu sei. Mas daqui um ano eu já não sei. Tá sempre em aberto”, finalizou.

No ano de 2007, Rosa Magalhães elaborou a Cerimônia de abertura dos Jogos Pan-Americanos do Rio, o que lhe rendeu, no ano seguinte, em Nova Iorque, o mais importante prêmio da televisão mundial, o Emmy de melhor figurino. Além disso, Rosa já ganhou incontáveis prêmios na área carnavalesca.

 



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