Ciência e Saúde

Crianças celebridades: Psicogenealogista Roberta Calderini alerta sobre exposição e pressão ainda na infância

Recentemente, pronunciamento de celebridades como Jennette McCurdy, a Sam de ICarly, levantou a discussão sobre como as crianças são inseridas no show business

Por Victor Yemba

Crianças celebridades: Psicogenealogista Roberta Calderini alerta sobre exposição e pressão ainda na infância
Crianças celebridades: Psicogenealogista Roberta Calderini alerta sobre exposição e pressão ainda na infância (Foto: Divulgação)

Bruna Marquezine, Maísa Silva, Britney Spears. Entre esses três nomes de peso no mundo das celebridades, uma característica é comum: elas começaram suas carreiras ainda na infância. Enquanto nomes como Maísa conseguiram passar por essa fase sem traumas, o mesmo não pode ser dito sobre outros nomes do show business como Jennette McCurdy, atriz revelação da Nickelodeon.

Jennette McCurdy, que interpretou Sam no sucesso ICarly, recentemente afirmou que parou de atuar devido aos traumas de trabalhar e lidar com o sucesso ainda na infância. De acordo com ela, a mãe forçou a carreira de atriz desde cedo, o que gerou nela diversos problemas psicológicos como ansiedade, distúrbios alimentares, inseguranças e até mesmo vícios. Com a experiência, ela escreveu um livro, que será lançado em agosto deste ano.

“Foi importante para mim explorar o abuso emocional e psicológico que sofri durante meu tempo como jovem artista. Eu não tinha as ferramentas, a linguagem ou o apoio necessários para falar por mim mesma naquela época, então este livro é uma maneira de honrar essa experiência e dar voz ao meu antigo eu”, declarou.

Roberta Calderini explica que esse cenário, no qual os pais obrigam o filho a seguir uma carreira ainda na infância ou mesmo buscam se realizar por meio deles, é tão comum quanto perigoso. “ Acontece muito isso de um pai ou uma mãe gostaria de ser atriz ou cantora e na frustração de não ter conseguido realizar isso, projeta todas as expectativas nos filhos. A partir daí vem um excesso de cobrança para que ele se torne uma celebridade. Essa maior pressão acaba prejudicando a criança, pois ela assume uma responsabilidade. Ela precisa provar para os pais que é boa o suficiente e caso falhe, vem a dor, o medo e a insegurança”, alerta.

No caso de pais abusivos, ao invés de minimizar os impactos da fama, eles pressionam ainda mais a criança. “Ao invés de perguntar como a criança se sente, esses pais perguntam porque ela não fez melhor. Isso gera culpa e ao mesmo tempo raiva do Pai. Essa criança vai viver numa confusão de sentimentos que vai impactar justamente na carreira dele, no resultado dele e em como ele vai encarar a vida”, pontua Roberta Calderini.

No caso de atrizes mirim, muitas vezes elas passam a ser o principal sustento da casa ainda muito jovens. “Toda criança que recebe responsabilidades cedo demais vai ter impactos no futuro. Na infância, a criança precisa dos momentos de prazer, de brincar e de se divertir sem muitas pressões. Essa responsabilidade deve ser introduzida aos poucos. Quando bebês, os pais são inteiramente responsáveis, depois eles começam a ser responsáveis pelos brinquedos, pelo parto de comida que colocam na mesa para ele, depois pelos estudos, pelo relacionamento com os amigos. Na adolescência, começam a ser responsáveis pela construção de um caminho para carreira, até que chegam à fase adulta e são donos de si. Há uma adição lenta de tarefas”, explica.

Não incomumente, casos de celebridades mirins de canais de sucesso como Disney e Nickelodeon — no caso de Jennette McCurdy — que tem envolvimento com psicoativos ilícitos virem à tona. Roberta Calderini pontua que a exposição e amadurecimento precoce costumam gerar esse efeito. “Elas buscam substâncias psicoativas, porque há ali uma criança que precisava sentir prazer, mas teve muitas responsabilidades muito cedo, e agora busca esse prazer de forma irresponsável”, pontua.

Segundo ela, as responsabilidades devem ser introduzidas aos poucos na vida de uma criança, em especial das que têm mais exposição. “Na infância, a criança precisa dos momentos de prazer, de brincar e de se divertir sem muitas pressões. Essa responsabilidade deve ser introduzida aos poucos. Quando bebês, os pais são inteiramente responsáveis, depois eles começam a ser responsáveis pelos brinquedos, pelo parto de comida que colocam na mesa para ele, depois pelos estudos, pelo relacionamento com os amigos. Na adolescência, começam a ser responsáveis pela construção de um caminho para carreira, até que chegam à fase adulta e são donos de si”, alerta.

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