Coronavírus

Coronavírus e estresse pós-traumático: entenda mais sobre a relação

Pandemia global pode desencadear transtornos psicológicos, com destaque para o estresse pós-traumático

Por Victor Yemba

(Divulgação)

A pandemia de coronavírus afeta os mais diversos segmentos da vida pessoal e coletiva. Enquanto a doença física ainda depende de medidas intensas de contenção, as consequências psicológicas da epidemia e do isolamento social começam a despertar um alerta entre a comunidade de profissionais de saúde mental.

Segundo estudo publicado por pesquisadores da Universidade Médica Naval de Shangai, até 20% dos habitantes da China já apresentam sinais de transtorno de estresse pós-traumático (TSPT). “Normalmente, esse quadro surge após situações de maior magnitude, como guerras e catástrofes naturais. No cenário atual, estamos comprovando que ele também pode ser decorrente de situações adversas vividas em formato individual”, pondera a psicóloga Daniela Faertes.

De acordo com a especialista, isso pode ser visualizado por meio de algumas etapas. “Vivemos a fase do susto e da adaptação. Agora, podem vir os sentimentos constantes de ansiedade e alerta, em um processo de estresse contínuo. E, quando a situação se normalizar, em vez de se transformar em alívio, pode culminar em um estresse pós-traumático”, explica.

 

Entenda mais:

O que é o estresse pós-traumático?

Ao lidar com um fator estressante significativo, o hipocampo (envolvido no processamento da memória) e a amígdala (envolvida nas emoções) são inundados por hormônios do estresse. Dessa forma, o indivíduo não consegue processar a experiência traumática como um evento acabado (embora a ameaça não exista mais) e a memória permanece ativa no cérebro. “Quando se recorda do fato – ou de situações associadas a ele -, a pessoa revive o episódio, manifestando as mesmas sensações de dor e sofrimento que a situação estressora provocou”, afirma Daniela.

 

Como reconhecer?

Os sintomas podem se apresentar de formas e intensidades distintas.  A psicóloga destaca os seguintes sinais:

– Pensamentos invasivos e recorrentes que remetem à situação vivida;

– Pequenas associações com questões do dia a dia que também remetam a essas lembranças;

– Angústia continuada e sintomas físicos sem uma motivação causal aparente;

– Desinteresse em atividades que antes eram prazerosas;

– Sensação de distanciamento de outras pessoas e áreas da vida;

– Esforço contínuo para tentar “esquecer” a vivência.

 

Estresse pós-traumático e coronavírus

Quando o assunto é a atual epidemia de coronavírus, o cerne do estresse pós-traumático envolve o medo, que traz à tona a sensação constante de que estamos vulneráveis ao incontrolável. “E isso afeta todas as áreas da vida. Está atingindo a área familiar por meio do medo de algum parente contrair a doença e falecer, a saúde física e individual das pessoas que temem ser infectadas. A área profissional e financeira por meio do medo do desemprego ou da crise econômica que está por vir. O lazer fica comprometido. A parte social fica limitada pelo isolamento. Afeta a parte de comunidade, quando há a reflexão das consequências da doença nas populações de baixa renda e do número de mortes que vamos assistir”, exemplifica Daniela.

Segundo ela, se não for possível administrar esse medo e ansiedade em níveis um pouco mais adaptativos, a tendência é que as pessoas que já tenham essa predisposição genética – ou por outras questões – desenvolvam um transtorno de estresse pós-traumático.

 

Buscando ajuda

Para quem já está com dificuldade de enfrentar a situação, algumas técnicas podem ajudar a minimizar os sentimentos paralisantes. “Cada pessoa tem os seus próprios recursos para lidar com as questões que estão acontecendo. A saída para isso é encontrar uma zona de flexibilidade e transitar dentro dela. Uma técnica que eu recomendo é parar um momento do dia, cerca de 10 a 20 minutos, e pensar em todos os cenários catastróficos possíveis. Deixar que todos os pensamentos venham de forma intensa. Isso ajuda a esgotar cada vez mais os pensamentos e a tendência é que eles venham menos ruminativos”, recomenda.

A aceitação do momento atual como temporário é fundamental para amenizar as sensações frequentes de incerteza. Outra importante dica que serve como medida protetora é construir uma forte rede de suporte social, baseada no apoio mútuo e em práticas compassivas com o próximo e com si mesmo.

 

Tratamentos

“Entre os tratamentos para o estresse pós-traumático destacam-se a psicoterapia, os grupos de apoio e, dependendo da intensidade dos sintomas e do nível de prejuízo na vida, a medicação”, finaliza Daniela.

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