Coronavírus

Mandetta afirma que deve deixar o cargo ‘hoje ou amanhã’

Presidente se reúne, nesta quinta-feira, com nomes cotados para assumir o Ministério da Saúde

Por Renato Souza/Correio Braziliense

Presidente se reúne, nesta quinta-feira, com nomes cotados para assumir o Ministério da Saúde
(Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

(Por: Renato Souza/Correio Braziliense) O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou, nesta quinta-feira, que deve ser exonerado pelo presidente Jair Bolsonaro “hoje ou amanhã”. Ele fez as declarações em uma live com profissionais de saúde.

O ministro vem sendo criticado publicamente por Bolsonaro, que se incomoda com a popularidade que Mandetta vem ganhando e de seu entrosamento com integrantes do Legislativo e do Judiciário. A defesa dele ao isolamento social e a quarentena da população também incomodam o chefe do Executivo. “Devemos ter uma situação de troca no ministério que deve se concretizar hoje ou amanhã”, disse o ministro.

Mandetta declarou que o trabalho de combate ao coronavírus vai continuar independente de quem esteja no cargo. “Eu sou a peça menor dessa engrenagem, eu escolhi muito bem a minha equipe”, disse. Ele participou do encontro virtual promovido pelo Fórum Inovação Saúde (Iniciativa FIS), que reúne lideranças da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro, Fiocruz, UFF, UFRJ, Academia Nacional de Medicina, e outros especialistas.

Substítuto

O presidente se reúne, nesta quinta-feira, com nomes de pessoas cotadas para o cargo. Um dos nomes que figuram entre os primeiros lugares da lista é do Oncologista Nelson Teich. O deputado Osmar Terra é um dos favoritos de Bolsonaro, mas encontra resistência do Legislativo, Judiciário e da área militar do governo, por negar a gravidade da pandemia de coronavírus e ser contra orientações de isolamento social da Organização Mundial da Saúde (OMS).

De acordo com oBlog da Denise, o presidente quer um novo ministro da Saúde que seja médico, cristão e de São Paulo. O perfil “de São Paulo” tem um objetivo muito claro: fazer um contraponto ao governador João Dória com a defesa do fim do isolamento social pregado no estado que é visto como a locomotiva do Brasil.

Estratégia

A demissão de Mandetta só não ocorreu ainda em razão de uma estratégia do governo. A intensão é afundar a popularidade do ministro antes que ele deixe o cargo. Eventuais erros seriam jogados pra cima de Mandetta, para que ficasse aparente que ele não conseguiu atingir resultados satisfatórios.

Reportagem da revista Exame aponta que o governo mobilizou agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para espionar o ministro e levantar um dossiê. Falhas na aquisição de equipamentos seriam o alvo.

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