Economia
Bolsa aciona circuit breaker pela primeira vez desde 2020 após reeleição de Lula
Operações na B3 foram suspensas; dólar saltou mais de 12% e risco-Brasil avançou 27%
A Bolsa brasileira acionou o circuit breaker nesta segunda-feira (26) pela primeira vez desde março de 2020, no auge da pandemia de Covid-19. O gatilho foi a forte queda dos ativos após a vitória de Lula (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial.
O mecanismo suspende temporariamente as negociações na Bolsa quando o mercado cai de forma acentuada, interrompendo a compra e venda de ações, derivativos e títulos de renda fixa privada até que as oscilações se estabilizem. Ele é ativado em três estágios, de acordo com a intensidade da queda do Ibovespa em relação ao fechamento do dia anterior:
10% de queda: paralisação de 30 minutos
15% de queda: interrupção de uma hora
20% de queda: suspensão por prazo definido pela própria B3
Por que os ativos caíram tanto?
O mercado havia precificado uma vitória de Flávio Bolsonaro, que os investidores associavam a maior rigor fiscal. A continuidade de Lula na Presidência reforçou o temor de que o governo não adote medidas suficientes para equilibrar as contas públicas. Esse cenário tende a elevar o prêmio de risco exigido para financiar o governo, pressionando a curva de juros e, com ela, o custo do crédito para empresas.
Os reflexos se espalharam por outros ativos. Por volta das 10h20, o dólar subia 12,04%, cotado a R$ 5,597, e as taxas dos contratos de DI avançavam até 260 pontos-base. O risco-Brasil registrava alta de 27% às 10h34, sinal de maior desconfiança dos investidores sobre a capacidade do país de honrar seus compromissos financeiros — o que também encarece a captação de recursos no exterior.
O movimento desta segunda-feira reverte os ganhos do pós-primeiro turno. Na eleição inicial, Flávio Bolsonaro terminou na liderança com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. No pregão seguinte, a Bolsa disparou 7,70%, atingindo 206.911 pontos em recorde nominal e real, enquanto o dólar recuou 4,11%, a R$ 5,001, no maior queda de fechamento desde 2018.