Economia
China participa de megaobra de R$ 6,8 bilhões no Brasil para construir o primeiro túnel submarino da América Latina, com 870 metros sob a água, que promete reduzir para cerca de 5 minutos a viagem entre Santos e Guarujá
China participa de projeto de R$ 6,8 bilhões para túnel Santos-Guarujá que promete travessia em cerca de 5 minutos
O túnel Santos-Guarujá prevê uma ligação sob o canal portuário, com investimento estimado em R$ 6,8 bilhões e participação da chinesa China Communications Construction Company, a CCCC. A estrutura terá 870 metros imersos e promete permitir a travessia em cerca de cinco minutos. A previsão divulgada para o início da operação é 2031.
Como a China participa do túnel Santos-Guarujá?
A presença chinesa está ligada à CCCC, parceira estratégica e acionista do grupo português Mota-Engil, vencedor da concessão. A participação também aparece nas discussões técnicas: um registro da Prefeitura de Guarujá, publicado em março de 2026, menciona engenheiros das duas empresas em uma reunião sobre grandes intervenções de infraestrutura no município.
A Mota-Engil assinou o contrato da parceria público-privada com o Governo de São Paulo em 28 de janeiro de 2026. A concessão abrange construção, operação e manutenção durante 30 anos. O investimento combina recursos públicos e privados, com aproximadamente R$ 5,1 bilhões em aportes da União e do Estado, divididos igualmente.

O que será construído sob o canal portuário?
O projeto completo terá aproximadamente 1,5 quilômetro de extensão, dos quais 870 metros ficarão submersos. Esse número corresponde ao comprimento do trecho imerso, não à profundidade da estrutura. O desenho reúne circulação de veículos e espaços para outros deslocamentos, com os seguintes componentes previstos:
Elementos previstos para conectar Santos e Guarujá
- 1Três faixas por sentido para organizar o fluxo;
- 2Espaço previsto para circulação do VLT;
- 3Passagens destinadas a pedestres e ciclistas;
- 4Galeria técnica para serviços de infraestrutura;
- 5Acessos viários ligados às ruas de Santos e Guarujá.
Como funciona a construção de um túnel imerso?
A técnica utiliza grandes módulos de concreto produzidos fora do canal. Depois, essas estruturas são transportadas, posicionadas em uma vala preparada no leito e conectadas para formar a passagem. Trata-se de uma solução diferente da escavação contínua com uma máquina tuneladora. A fabricação dos elementos e sua instalação são etapas distintas da obra.
O empreendimento é apresentado oficialmente como o primeiro túnel imerso do Brasil. Sua implantação exige coordenar os trabalhos com o funcionamento do Porto de Santos. A ligação ficará sob um canal utilizado por embarcações, de modo que o planejamento precise considerar tanto a futura circulação terrestre quanto as operações portuárias durante a construção.

Quando a ligação deve começar a funcionar?
A programação divulgada prevê início das obras em 2027 e operação em 2031. Esses prazos representam o cronograma do empreendimento, sujeito ao andamento dos projetos e das intervenções. Antes da abertura ao trânsito, diferentes frentes precisam ser concluídas e integradas, incluindo:
- Desenvolvimento dos projetos e preparação dos canteiros de trabalho;
- Implantação da área de fabricação dos módulos de concreto;
- Preparação do canal para receber os elementos imersos;
- Instalação das estruturas e execução das conexões com os acessos terrestres;
- Montagem dos sistemas, acabamentos e testes necessários à operação.
Uma travessia curta depende também dos acessos urbanos
A estimativa de cerca de cinco minutos se refere à ligação proporcionada pelo túnel. Ela não significa que qualquer viagem entre um endereço de Santos e outro de Guarujá terá essa duração. O tempo completo continuará dependendo da distância até os acessos, do trânsito nas ruas e do destino de cada passageiro.
O túnel Santos-Guarujá pretende acrescentar uma conexão fixa à mobilidade da Baixada Santista, atendendo deslocamentos cotidianos entre as cidades. A integração entre travessia e sistema viário será decisiva para transformar o percurso mais curto em redução efetiva do tempo de viagem. Além dos módulos sob a água, os acessos e a organização dos diferentes meios de transporte fazem parte do resultado esperado.