Economia
Governo vai pagar benefício de R$ 810,50 para quem cuida da mãe, avó ou de um familiar dentro de casa
Bolsa Cuidador Familiar no Paraná paga R$ 810,50 veja quem tem direito e como solicitar em 2026
Existe um trabalho invisível dentro de milhares de lares brasileiros: acordar cedo para dar banho, administrar remédios, preparar refeições e abrir mão do próprio emprego para garantir que um familiar idoso seja bem tratado. O Paraná foi o primeiro estado a colocar valor nessa dedicação. A Bolsa Cuidador Familiar, criada pela Lei Estadual nº 22.189/2024 e regulamentada pelo Decreto nº 11.588/2025, paga R$ 810,50 por mês, o equivalente a meio salário mínimo nacional, a quem assume essa função dentro do próprio lar. O programa já está ativo em 20 municípios e os pagamentos começaram em dezembro de 2025.
O que é e como funciona a Bolsa Cuidador Familiar?
A Bolsa Cuidador Familiar é uma transferência de renda mensal paga diretamente ao familiar que exerce o cuidado principal de um idoso em situação de vulnerabilidade, fragilidade ou dependência. O programa integra o projeto Paraná Amigo da Pessoa Idosa, vinculado à Secretaria da Mulher, Igualdade Racial e Pessoa Idosa do Paraná (SEMIPI) e tem como objetivo central evitar a institucionalização precoce em abrigos ou casas de repouso.
O valor de R$ 810,50 acompanha os reajustes do salário mínimo nacional e funciona como complemento de renda, sem substituir aposentadorias, pensões ou o Benefício de Prestação Continuada (BPC) que o idoso já receba. Em 2025, quando os pagamentos foram iniciados, o valor era de R$ 759,00. O auxílio é depositado por até 24 meses, com possibilidade de prorrogação conforme avaliação técnica e disponibilidade orçamentária.

Quem tem direito ao benefício de cuidado domiciliar?
O acesso à bolsa exige que tanto o cuidador familiar quanto o idoso atendam a critérios específicos. O grau de dependência do idoso é avaliado por profissionais de saúde por meio do índice IVCF-20, que mede limitações físicas, cognitivas e sociais. Famílias que atendam às condições abaixo têm o perfil mais adequado para solicitar o benefício.
- Ter 18 anos ou mais e residir no mesmo domicílio que o idoso.
- Estar inscrito no CadÚnico com cadastro atualizado e renda familiar per capita de até um salário mínimo.
- Apresentar aptidão física e mental declarada para exercer o cuidado.
- O idoso assistido deve ter 60 anos ou mais, elevado grau de fragilidade e não estar institucionalizado em abrigo ou instituição de longa permanência.
- O cuidador deve estar inscrito no Cadastro de Cuidadores do Paraná e não receber remuneração por outra atividade remunerada de cuidado.
Como solicitar o auxílio e quais documentos são necessários?
O caminho para acessar o apoio financeiro ao cuidador começa sempre pela rede municipal de assistência social. O processo passa pelo CRAS ou pelo Núcleo Municipal de Cuidados (NUMUC), e envolve uma visita domiciliar de uma equipe técnica para validar as informações fornecidas. A documentação básica reúne os seguintes itens.
- Documentos pessoais do cuidador e do idoso (RG, CPF).
- Comprovante de residência conjunta dos dois no mesmo endereço.
- Comprovantes de renda da família.
- Laudo médico que ateste a necessidade de cuidados contínuos pelo idoso.
- Número do NIS e comprovante de inscrição no CadÚnico.
Em quais cidades do Paraná o benefício já está disponível?
Em março de 2026, o programa estava ativo em 20 municípios paranaenses, com 141 beneficiários, sendo 110 mulheres e 31 homens. Os dados confirmam que o perfil predominante do cuidador domiciliar no Brasil é feminino, em sua maioria filhas ou cônjuges do idoso. A tabela abaixo reúne as cidades participantes e o número máximo de bolsas previsto por localidade nesta fase piloto.
| Município | Vagas previstas (fase piloto) |
|---|---|
| Ponta Grossa | Até 15 |
| Guarapuava | Até 15 |
| Francisco Beltrão | Até 15 |
| Pato Branco | Até 15 |
| União da Vitória | Até 15 |
| Araucária | Até 15 |
| Marechal Cândido Rondon | Até 15 |
| Demais 13 municípios participantes | Até 15 cada |
Vale procurar o CRAS ainda este mês?
Para quem mora em um dos municípios participantes e cuida de um familiar idoso em casa, a resposta é sim. O cuidado domiciliar de idosos é uma das formas mais eficientes e dignas de envelhecimento que o sistema de saúde conhece, e agora ele começa a ser remunerado de forma concreta. Procure o CRAS ou a Secretaria de Assistência Social do seu município, leve a documentação básica e pergunte se a cidade já aderiu ao programa. Reconhecer quem cuida é o primeiro passo para cuidar melhor.