No Reino Unido, 61 empresas testaram a semana de 4 dias em 2022 e mais de 50 decidiram manter o modelo depois do fim do experimento - Super Rádio Tupi
Conecte-se conosco
x

Economia

No Reino Unido, 61 empresas testaram a semana de 4 dias em 2022 e mais de 50 decidiram manter o modelo depois do fim do experimento

Teste com cerca de 2.900 funcionários cortou 20% das horas sem reduzir salário, e 18 empresas tornaram a semana mais curta permanente

Publicado

em

Compartilhe
google-news-logo
Das 61 empresas britânicas que testaram a semana de quatro dias, 56 decidiram manter a jornada menor
Das 61 empresas britânicas que testaram a semana de quatro dias, 56 decidiram manter a jornada menor - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

A semana de quatro dias deixou de ser só teoria no Reino Unido. Entre junho e dezembro de 2022, 61 empresas britânicas reduziram a carga horária de cerca de 2.900 funcionários sem mexer no salário. Quando o teste acabou, 56 delas resolveram seguir com o modelo. O resultado alimenta uma pergunta que também interessa ao trabalhador do Rio: dá para trabalhar menos sem perder produtividade?

Como funcionou o teste da semana de quatro dias no Reino Unido?

O teste seguiu uma regra simples: cortar 20% das horas de trabalho durante seis meses, sem nenhuma redução nos salários. Quem organizou foi a 4 Day Week Global, organização que defende o modelo, em parceria com a campanha britânica 4 Day Week Campaign.

A pesquisa ficou com cientistas sociais da Universidade de Cambridge, ao lado de professores do Boston College, nos Estados Unidos, e do centro de estudos Autonomy. Participaram empresas de varejo online, serviços financeiros, animação, consultoria, habitação, tecnologia, recrutamento, hotelaria, marketing e saúde. Até uma loja de peixe com batata frita, prato típico britânico, entrou na lista.

Quantas empresas mantiveram a jornada menor depois do teste?

Das 61 empresas, 56 decidiram manter a semana mais curta depois do fim do experimento, o equivalente a 92% das participantes. Dessas, 18 confirmaram que a mudança é definitiva, segundo os pesquisadores de Cambridge.

O teste cortou 20% das horas de trabalho por seis meses, sem redução de salário
O teste cortou 20% das horas de trabalho por seis meses, sem redução de salário – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

O número chama atenção porque nenhuma empresa era obrigada a continuar. Encerrados os seis meses, cada uma podia voltar à rotina antiga e, mesmo assim, quase todas preferiram ficar com a escala reduzida. O relatório completo, divulgado em fevereiro de 2023, está disponível no site oficial da 4 Day Week Global.

O interesse também cresceu fora do grupo de participantes. “Quase todo mundo que entrevistamos contou que estava sobrecarregado de perguntas de outras organizações”, disse o professor Brendan Burchell, que liderou a pesquisa em Cambridge.

No Brasil, a discussão sobre tempo de trabalho também passa pelas escolhas de cada profissional. Entre a carteira assinada e o serviço por conta própria, a conta vai além do valor do salário.

O que aconteceu com a produtividade e a saúde dos funcionários?

A produtividade se manteve, e o bem-estar dos funcionários melhorou. A receita das 23 empresas que enviaram dados praticamente não mudou no período, com alta média de 1,4%.

Os indicadores de saúde foram comparados com o início do teste ou com o mesmo período do ano anterior. A tabela reúne os principais resultados divulgados pela Universidade de Cambridge.

Resultados do teste britânico2022
Principais efeitos da semana de quatro dias nas empresas participantes
Indicador Resultado
Esgotamento 71% relataram menos esgotamento
Estresse 39% disseram estar menos estressados
Faltas por doença Queda de 65%
Saída de funcionários Queda de 57%

Na prática, menos faltas e menos pedidos de demissão significam economia com contratação e treinamento. Segundo Burchell, muitos funcionários buscaram por conta própria formas de ganhar eficiência para dar conta das tarefas em menos tempo.

Os dados de bem-estar foram informados pelos próprios trabalhadores, o que pede cautela na leitura. Ainda assim, 60% dos participantes disseram que ficou mais fácil conciliar o emprego com o cuidado da família, e 62% com a vida social.

Esgotamento caiu para 71% dos participantes e as faltas por doença diminuíram 65% no teste britânico
Esgotamento caiu para 71% dos participantes e as faltas por doença diminuíram 65% no teste britânico – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

O que o teste britânico ensina ao trabalhador brasileiro?

O teste mostra que diminuir a jornada de trabalho pode funcionar quando a empresa reorganiza tarefas, reuniões e prioridades, e não apenas corta horas. A experiência do Reino Unido segue citada no debate sobre carga horária em vários países, inclusive no Brasil.

Para o trabalhador carioca, que muitas vezes soma horas de trânsito ao expediente no comércio, no escritório ou na fábrica, a discussão vai além do calendário. Envolve saúde, tempo com a família e rendimento de verdade. E você, toparia trocar a sexta de trabalho por mais um dia de descanso? Conte pra gente e siga acompanhando o assunto aqui na Tupi.

Enquanto a discussão sobre a jornada continua, vale ficar de olho nos direitos que já existem. Saber se o patrão está depositando o fundo de garantia é um bom começo.

LEIA TAMBÉM NA SUPER RÁDIO TUPITAMBÉM NO SITE

Trabalhador CLT pode ter saldo no FGTS: veja como consultar pelo celular➔