Economia
Programa Mais Inovação Brasil apoia economia de baixo carbono
Setor mineral recebe incentivo para descarbonização industrial
O anúncio de novos investimentos em inovação tecnológica para o setor mineral indica uma tentativa de aproximar a pesquisa científica da realidade industrial brasileira, por meio do programa Finep Mais Inovação Brasil, coordenado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) em parceria com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), que direciona recursos para transformar conhecimento em produtos, processos e serviços com menor impacto ambiental, com ênfase em projetos inovadores voltados para uma economia de baixo carbono e para o futuro energético do país.
Como os projetos inovadores fortalecem a competitividade industrial?
Ao priorizar a cooperação entre empresas e instituições científicas e tecnológicas, o programa reforça que a competitividade industrial depende de pesquisa estruturada, acesso a financiamento e planejamento de longo prazo. Os projetos inovadores apoiados fortalecem cadeias produtivas estratégicas, reduzem dependências externas e abrem espaço para novas soluções em mineração sustentável, descarbonização e reaproveitamento de recursos, dialogando com temas como transição energética e segurança econômica.
O que caracteriza projetos inovadores no setor mineral?
No contexto do MCTI e da Finep, projetos inovadores vão além da simples modernização de equipamentos ou da digitalização de rotinas, envolvendo risco tecnológico, desenvolvimento de novos materiais e aplicação de ciência de ponta. Um projeto é considerado inovador quando apresenta novidade tecnológica, potencial de escalabilidade industrial e capacidade de gerar impacto econômico e socioambiental mensurável, alinhado a políticas públicas de sustentabilidade.
Entre os focos destacam-se os minerais críticos, a chamada mineração urbana e os ímãs de terras-raras, essenciais para cadeias de alto valor agregado como baterias, semicondutores, energias renováveis e eletrônicos. Em paralelo, tecnologias sustentáveis para mineração e soluções de descarbonização da transformação mineral compõem o núcleo das propostas apoiadas, contribuindo para uma economia de baixo carbono.
Quais são as principais linhas de atuação dos projetos inovadores?
As áreas priorizadas pelo edital foram estruturadas para cobrir toda a cadeia da mineração sustentável, desde a exploração de recursos até a industrialização de produtos de maior valor. A seguir, a tabela apresenta de forma sintética as principais linhas temáticas e seus objetivos, facilitando a compreensão dos focos estratégicos apoiados pelo programa.
| Linha temática | Foco principal | Exemplos de aplicações |
|---|---|---|
| Minerais e materiais críticos | Mapear, explorar e processar minerais estratégicos de alto valor tecnológico. | Baterias, semicondutores, painéis solares. |
| Mineração urbana | Recuperar metais e insumos a partir de resíduos e rejeitos urbanos. | Reciclagem de eletrônicos e sucata industrial. |
| Ímãs de terras-raras | Desenvolver e produzir ímãs de alto desempenho com tecnologia nacional. | Turbinas eólicas, veículos elétricos, equipamentos eletrônicos. |
| Tecnologias sustentáveis para mineração | Reduzir consumo de água e energia e minimizar rejeitos. | Processos de beneficiamento mais eficientes e seguros. |
| Descarbonização da transformação mineral | Diminuir emissões em etapas de refino e processamento de minérios. | Rotas de baixo carbono e uso de fontes renováveis. |
Como os projetos inovadores promovem sustentabilidade e economia circular?
Nessas frentes, os projetos inovadores podem envolver desde novos métodos de extração menos invasivos até rotas industriais que aproveitam resíduos, promovem economia circular e reduzem emissões de gases de efeito estufa. A integração com universidades e Instituições Científicas, Tecnológicas e de Inovação (ICTs) é elemento-chave para garantir rigor científico, atualização tecnológica permanente e aderência a metas climáticas.
Além disso, o desenvolvimento de soluções que reduzam consumo de recursos naturais e ampliem o reaproveitamento de materiais contribui para cadeias produtivas mais resilientes. Essa abordagem fortalece a imagem internacional do país, atende exigências de mercados por produtos mais limpos e estimula novos modelos de negócio baseados em inovação verde.
Como as empresas podem participar dessas iniciativas?
A participação no programa exige planejamento técnico e atenção às exigências formais do edital, com toda a tramitação realizada de forma digital. As empresas interessadas devem realizar cadastro na plataforma da Finep, preencher a proposta no sistema específico de financiamento e observar rigorosamente o prazo de envio, definido até 31 de agosto de 2026, às 18h, no horário de Brasília.
- Cadastro da empresa na plataforma de serviços da Finep.
- Elaboração do projeto, com definição de objetivos, metas, cronograma e orçamento.
- Formalização da parceria com ICTs, quando houver cooperação em pesquisa e desenvolvimento.
- Envio da documentação exigida no edital, incluindo informações financeiras e jurídicas.
- Acompanhamento da avaliação, que ocorre em duas etapas.
Após o encerramento das inscrições, as propostas passam por uma fase de habilitação, que verifica os requisitos formais, e por uma análise de mérito. Nessa segunda etapa, são avaliados critérios como grau de inovação, relevância estratégica para o país, consistência técnica, aderência às linhas temáticas e potencial de impacto em cadeias produtivas e na transição energética, conforme detalhado no edital disponível no portal da Finep.

Qual é o impacto esperado dos projetos inovadores para a economia e a energia?
O apoio público a projetos inovadores no setor mineral busca ampliar a autonomia tecnológica do Brasil em áreas sensíveis para o desenvolvimento econômico e a segurança energética. Ao direcionar recursos para minerais críticos, terras-raras e descarbonização industrial, a iniciativa cria bases para uma nova etapa de industrialização, alinhada a compromissos climáticos e a exigências internacionais por cadeias de suprimento mais limpas.
Com a consolidação dessas iniciativas, espera-se maior integração entre ciência, indústria e políticas de transição energética, estimulando novos negócios e empregos qualificados. A perspectiva é modernizar o parque industrial, diversificar a matriz energética e reduzir impactos ambientais associados à mineração e à transformação mineral, tornando o país mais competitivo e sustentável no longo prazo.