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Eleições

Aos 80 anos, Lula vence de virada e se torna o primeiro presidente eleito quatro vezes no Brasil

Petista reverte resultado do primeiro turno e derrota Flávio Bolsonaro em disputa acirrada

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Lula. Foto: Ricardo Stuckert

Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de 80 anos, foi reeleito presidente da República neste domingo (25). Com 99,82% das urnas apuradas, o petista soma 51,76% dos votos válidos, contra 48,24% de Flávio Bolsonaro (PL). Lula chega ao quarto mandato, que começa em 2027, e se torna o primeiro presidente eleito quatro vezes pelo voto direto no país.

A contagem foi apertada do início ao fim. Lula, que completa 81 anos nesta terça-feira (27), largou na frente, mas Flávio virou por volta das 19h45, com cerca de 14% das urnas apuradas, à medida que avançava a contagem no Sul e no Sudeste. O senador ficou na liderança por cerca de 40 minutos, até Lula retomar a dianteira às 20h25, com 48,42% das seções totalizadas. O resultado inverte o placar do primeiro turno, em 4 de outubro, quando Flávio terminou na frente com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula.

Como surgiu a disputa judicial?

A votação foi marcada por uma disputa judicial sem precedente em eleição presidencial. Às 13h22, a campanha de Lula pediu ao TSE a prorrogação do horário por falta de ônibus em Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas, na Bahia. O presidente do tribunal, Kassio Nunes Marques, só despachou às 16h12, pedindo informações aos TREs. Dez minutos depois, o PT recorreu ao STF, e o ministro Cristiano Zanin, sorteado relator, concedeu liminar estendendo a votação até as 19h em todo o país. O Ministério Público Eleitoral foi contra.

A campanha de Flávio também havia pedido mais tempo ao TSE, mas apenas em 17 municípios de São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, por causa de chuvas, alagamentos e mudanças em locais de votação.

A decisão foi conhecida depois das 17h, quando muitas urnas já tinham sido encerradas, e o TSE suspendeu a divulgação dos resultados com 0,25% das seções apuradas. Por volta das 18h, Zanin esclareceu que a extensão valia apenas para as seções ainda abertas. Na prática, houve desencontro: em São Paulo, escolas fecharam as urnas antes de receber a orientação, e o TRE-RS informou que não reabriria seções encerradas. A divulgação da apuração foi retomada a partir das 19h.

Lula. Foto: Ricardo Stuckert

Qual foi a reação da oposição?

A prorrogação provocou forte reação da oposição. Coordenador da campanha de Flávio, o senador Rogério Marinho (PL-RN) chamou a decisão de “vergonhosa e intempestiva” e lembrou que Zanin foi advogado de Lula. O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) acusou o ministro de abrir caminho para “ganhar no tapetão”, o senador eleito Marcel van Hattem (Novo-RS) anunciou que vai pedir o impeachment de Zanin, e a senadora Tereza Cristina (PP-MS) classificou o episódio como “uma mancha”. O PL convocou fiscais a voltar aos locais de votação, e aliados de Flávio levantaram a possibilidade de contestar o resultado na Justiça.

Do lado governista, as críticas se voltaram contra o TSE. O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, classificou como caótica a condução de Nunes Marques ao longo do processo eleitoral, e Guilherme Boulos chamou a prorrogação de “vitória contra o golpe baixo”. Jornais como The New York Times, o argentino Clarín e o português Público deram destaque à tensão em torno da decisão.