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A 2.810 metros de altitude, esta gigante montanha surpreende com frio intenso e formações milenares na fronteira do Brasil

Um dos cenários mais antigos e impressionantes do Brasil.

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A 2.810 metros de altitude, esta gigante montanha surpreende com frio intenso e formações milenares na fronteira do Brasil
Monte Roraima, a sentinela de pedra na tríplice fronteira do Brasil, Venezuela e Guiana, é um dos lugares mais enigmáticos do planeta. / Imagem ilustrativa

Monte Roraima, a sentinela de pedra na tríplice fronteira do Brasil, Venezuela e Guiana, é um dos lugares mais enigmáticos do planeta. Localizado no município de Pacaraima, a cerca de 260 km de Boa Vista, este tepui sagrado com cerca de 2 bilhões de anos ergue-se acima das nuvens, oferecendo uma expedição que mistura desafio físico extremo e paisagens que parecem pertencer a outra era geológica.

O que esconde o Mundo Perdido?

Monte Roraima é uma formação geológica pré-cambriana com cerca de 2 bilhões de anos, considerada uma das superfícies mais antigas da Terra. O Parque Nacional do Monte Roraima, no lado brasileiro, foi criado oficialmente em 1989 para proteger este ecossistema singular que inspirou a obra “O Mundo Perdido”, de Arthur Conan Doyle.

O isolamento geográfico do platô permitiu a evolução de espécies endêmicas de flora e fauna que não existem em nenhum outro lugar, como o sapinho preto minúsculo (Oreophrynella quelchii) e plantas carnívoras adaptadas ao solo pobre em nutrientes. A montanha é reverenciada pelos indígenas Pemon como a “Casa de Macunaíma”, carregando uma aura espiritual que acompanha os viajantes durante toda a subida.

Monte Roraima é uma formação geológica pré-cambriana com cerca de 2 bilhões de anos, considerada uma das superfícies mais antigas da Terra. / Créditos: Wikipédia

Como é a expedição ao tepui?

A jornada é um teste de resistência e contemplação que dura entre 6 a 10 dias, partindo geralmente da comunidade indígena de Paraitepuy, na Venezuela. O roteiro atravessa savanas, rios e florestas de nuvens antes de alcançar o paredão vertical e o cume, onde a paisagem se transforma em um labirinto de pedras negras e esculturas naturais.

  • Paraitepuy: Comunidade indígena que funciona como ponto de partida oficial da expedição. É onde ocorre o registro obrigatório antes do início da caminhada.
  • Rio Tek: Local da primeira grande travessia da jornada e um dos principais pontos de acampamento, oferecendo vistas impressionantes dos paredões do Monte Roraima e do Monte Kukenán.
  • La Rampa: Trecho mais íngreme e desafiador da subida. A passagem utiliza uma fenda natural na parede do tepui que permite o acesso ao platô superior.
  • Vale dos Cristais: Área coberta por milhares de cristais de quartzo espalhados pelo solo, criando uma das paisagens mais emblemáticas do topo do Monte Roraima.
  • Ponto Triplo: Marco geográfico que indica o encontro das fronteiras de Brasil, Venezuela e Guiana sobre o platô do tepui.
  • Jacuzzis: Piscinas naturais de águas cristalinas e geladas formadas entre rochas e cristais, muito procuradas pelos trilheiros para descanso.
  • Maverick: Ponto culminante do Monte Roraima, a 2.810 metros de altitude, com vista panorâmica da Gran Sabana e de toda a região ao redor.

O vídeo é do canal Rolê Família, que conta com mais de 340 mil inscritos, e apresenta uma expedição completa pelo Monte Roraima, revelando jacuzzis naturais, o Abismo da Guiana e o Vale dos Cristais:

Quais sabores sustentam a caminhada?

A alimentação durante o trekking é preparada pelos carregadores e guias Pemon, adaptada para fornecer energia e calor. As arepas, massas de milho típicas da Venezuela e da fronteira, são presença constante no café da manhã e no jantar, muitas vezes recheadas com queijo ou carne.

No topo, as refeições são simples mas reconfortantes, como sopas quentes, massas e arroz com feijão, essenciais para combater o frio noturno. O chocolate quente e o café são sagrados nas manhãs geladas do cume, servindo como combustível para as longas caminhadas de exploração do platô.

Com 2 bilhões de anos, 2.810m de altitude e noites que chegam a 2 °C, o santuário de cristais na fronteira do Brasil impressiona pela grandiosidade
O clima no topo é drasticamente diferente da base, comportando-se como uma ilha fria no meio da Amazônia. / Créditos: Wikimedia Commons

Qual o desafio climático no cume?

O clima no topo é drasticamente diferente da base, comportando-se como uma ilha fria no meio da Amazônia. A altitude de 2.772 metros faz com que as temperaturas despenquem, e a mínima pode chegar a 2°C durante a noite, exigindo equipamentos de camping de alta qualidade e roupas térmicas.

ESTAÇÃO SECA
Janeiro – Março
Frio e Seco
🌌 CÉU LIMPO
A melhor visibilidade da expedição! Prepare-se para noites gélidas e um céu estrelado hipnotizante. Os rios estão baixos, facilitando as travessias.
ESTAÇÃO CHUVOSA
Abril – Agosto
Frio e Úmido
💧 MUITAS QUEDAS
O topo revela centenas de cachoeiras temporárias. A trilha fica mais desafiadora e escorregadia devido à neblina constante e chuva.
TRANSIÇÃO
Setembro – Novembro
Variável
🌸 FLORA ATIVA
Momento de floração intensa no topo. Boas janelas de sol alternam com chuvas rápidas, mantendo a paisagem vibrante e a visibilidade aceitável.
INÍCIO DA SECA
Dezembro
Estável
📸 FOTOS ÉPICAS
Clima estável e excelente para registros fotográficos. O desafio aqui são os ventos fortes no topo, que exigem cuidado e equipamentos corta-vento.

Baseado em dados climáticos regionais aproximados aos do Climatempo (Pacaraima).

Tocar o topo do Roraima é sentir a conexão profunda com a história geológica do nosso planeta. / Créditos: Wikipédia

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Como iniciar a jornada?

A logística para o Monte Roraima é complexa e exige planejamento prévio. O acesso principal se dá voando até Boa Vista (RR) e seguindo por via terrestre (táxi ou transfer) até Santa Elena de Uairén, na Venezuela, cruzando a fronteira em Pacaraima. De lá, veículos 4×4 levam até a comunidade de Paraitepuy.

É obrigatória a contratação de guias indígenas e recomenda-se fechar pacotes com agências especializadas que cuidam de toda a estrutura de camping, alimentação e carregadores. A expedição exige vacina contra febre amarela e passaporte ou RG em bom estado para os trâmites fronteiriços.

O Mundo Perdido espera por você

Esta não é apenas uma viagem turística, mas uma expedição de autoconhecimento e superação em um dos cenários mais primitivos da Terra. Tocar o topo do Roraima é sentir a conexão profunda com a história geológica do nosso planeta.

  • Caminhe sobre o solo de cristais no topo do mundo.
  • Banhe-se nas águas geladas das Jacuzzis naturais.
  • Contemple o mar de nuvens abaixo dos seus pés.

Prepare a mochila e o espírito, pois o Grande Tepui aguarda os viajantes corajosos!