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A 4ª cidade mais antiga de Santa Catarina tem IDH alto e a única escola de oleiros da América Latina
Entre casarões históricos e peças de barro.
Quem chega a São José vindo de Florianópolis percorre 14 km e muda de endereço sem perceber que trocou de cidade. A vizinha continental da capital catarinense cresceu tanto nas últimas décadas que virou a quarta mais populosa do estado, com mais de 270 mil habitantes. O IDH de 0,809, o mesmo de Joinville, coloca o município entre os 25 mais desenvolvidos do Brasil. O segredo? Uma economia que gera emprego em ritmo acelerado, custo de vida menor que o da ilha e uma herança açoriana que sobrevive nos casarões coloridos e na argila moldada a mão.
De vila açoriana a cidade das oportunidades
A história começa em 1750, quando 182 casais vindos de seis ilhas dos Açores desembarcaram na costa catarinense e fundaram São José da Terra Firme. Trouxeram a fé no padroeiro, a arquitetura de fachadas em cores vivas e a tradição oleira. Na década de 1950, a cidade chegou a ter 29 olarias funcionando ao mesmo tempo, o que lhe rendeu o título de Capital da Louça de Barro.
Esse ofício sobrevive. A Escola de Oleiros Joaquim Antônio de Medeiros, fundada em 1992 no bairro Ponta de Baixo, é a única da América Latina que ensina o ofício da olaria de forma pública e contínua. Instalada numa casa colonial, oferece cursos gratuitos de torno tradicional e modelagem para cerca de 200 alunos, de 9 a 80 anos. Outra curiosidade: o Theatro Adolpho Mello, inaugurado em 1856, é a casa de espetáculos mais antiga de Santa Catarina e a terceira mais antiga do Brasil.

Por que tanta gente está se mudando para São José?
O município se destacou em 2021 como o segundo do país que mais gerou vagas de emprego proporcionais à população, segundo o Caged. Em 2024, abriu 8,8 mil postos formais. O setor de serviços lidera, seguido pela construção civil e pelo comércio. O setor de tecnologia, com cerca de 300 empresas, acompanha a tendência da Grande Florianópolis.
O custo de vida é o grande diferencial. O preço médio do metro quadrado em São José é significativamente inferior ao de Florianópolis, Balneário Camboriú e Itapema, mesmo com valorização imobiliária acima de 18% ao ano. Para quem trabalha na ilha, a proximidade resolve: a ponte que separa as duas cidades é cruzada em minutos fora do horário de pico.
Qualidade de vida que os números confirmam
O IDH de 0,809 é classificado como muito alto pelo PNUD e posiciona São José na 21ª colocação nacional. A expectativa de vida ultrapassa 77 anos. A taxa de escolarização entre crianças de 6 a 14 anos chega a 98%, segundo o IBGE. No ranking Melhores Cidades do Brasil 2022, da Austin Rating, o município apareceu na 9ª posição geral e na 8ª entre cidades de grande porte.
A abertura de empresas também impressiona: São José foi citada pelo Senado Federal como a segunda cidade do país que leva menos tempo para abrir um novo negócio, com média de 4 horas e 18 minutos. Para quem empreende ou trabalha remoto, o dado pesa na decisão de mudança.
O que preenche o tempo livre do josefense?
A rotina combina mar, cultura e vida de bairro sem precisar sair do município.
- Beira-Mar de São José: calçadão com ciclovia, quadras esportivas, pista de skate e pôr do sol com vista para Florianópolis. Programa diário de moradores.
- Centro Histórico: casarões luso-brasileiros dos séculos XVIII e XIX, Museu Histórico Municipal, Casa da Cultura e o Theatro Adolpho Mello. Entrada gratuita na maioria dos espaços.
- Feira da Freguesia: realizada todo segundo domingo do mês no Centro Histórico, com artesanato, gastronomia e música.
- Parque Ambiental dos Sabiás: trilha ecológica, horto florestal e Escola Municipal do Meio Ambiente, no bairro Forquilhas.
- Festa do Divino Espírito Santo: celebração açoriana anual, com cantorias, procissões e comida típica. Uma das tradições mais antigas do estado.
Kobrasol e Campinas: os bairros que não dormem
Kobrasol e Campinas são os bairros mais procurados, tanto pelo comércio forte quanto pela vida noturna. Kobrasol concentra restaurantes, academias, supermercados e uma orla beira-mar que permite resolver quase tudo a pé. Campinas, com localização estratégica entre a BR-101 e o centro, oferece alta demanda por apartamentos e diversidade gastronômica. Para quem busca sossego, bairros como Barreiros e Forquilhinhas entregam rotina residencial com infraestrutura completa.

Quando o clima favorece cada atividade?
O clima subtropical úmido garante quatro estações definidas. Verões quentes convidam à orla, invernos pedem agasalho e programas culturais.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar conforme o ano.
Como chegar à vizinha de Florianópolis?
São José fica a 14 km do centro de Florianópolis e é cortada pela BR-101, principal rodovia do litoral catarinense. O Aeroporto Internacional Hercílio Luz, em Florianópolis, fica a menos de 20 minutos de carro dos bairros centrais de São José. Ônibus metropolitanos conectam as duas cidades com frequência ao longo do dia. De Curitiba, são cerca de 300 km pela BR-101; de Porto Alegre, aproximadamente 460 km pela mesma rodovia.
A cidade que entrega Florianópolis sem o preço da ilha
São José cresceu na sombra da capital e aprendeu a brilhar sozinha. O IDH é de cidade grande, o custo de vida é de interior, a escola de oleiros ensina um ofício de 270 anos e o pôr do sol na Beira-Mar tem Florianópolis como cenário, mas é de São José que se assiste.
Você precisa caminhar pelo calçadão da Beira-Mar ao entardecer e perceber que, a 14 km da ilha mais cobiçada do Sul, existe uma cidade que oferece a mesma qualidade de vida com os pés no continente.