Entretenimento
A antiga vila de pescadores sem eletricidade que virou capa de revista no mundo por uma atriz francesa famosa
A vila rústica brasileira que conquistou o mundo.
Uma corrente quente vinda do Equador e outra gelada vinda do polo sul se encontram na mesma península. O resultado são 23 praias com temperaturas, cores e ondas únicas. Búzios é uma antiga vila de pescadores na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, é o tipo de destino que muda de personalidade a cada curva da estrada.
A vila sem eletricidade que virou capa de revista no mundo inteiro
Em janeiro de 1964, Armação dos Búzios era um distrito de Cabo Frio com cerca de 300 famílias de pescadores. Não havia telefone, água encanada nem luz elétrica na maior parte das casas. A atriz francesa Brigitte Bardot, então a maior estrela do cinema europeu, fugiu dos paparazzi do Rio de Janeiro e se refugiou ali com o namorado brasileiro Bob Zagury.
Bardot ficou quatro meses hospedada numa casa na Praia de Manguinhos. Passeava de fusca, comia peixe fresco e brincava com crianças da vila. A imprensa internacional descobriu o esconderijo e estampou Búzios em jornais do mundo inteiro. Segundo a Prefeitura de Búzios, a passagem da atriz deu impulso definitivo ao turismo e levou a península a se tornar município autônomo em 1995. A Orla Bardot e uma estátua de bronze da atriz, esculpida por Christina Motta, marcam a homenagem até hoje.

Quais praias escolher entre as 23 da península?
A geografia de Búzios divide as praias em dois mundos. O lado norte recebe a corrente quente do Brasil, com águas mornas e calmas. O lado sul recebe a corrente fria das Malvinas, com mar mais agitado e temperatura mais baixa. Três praias carregam o selo internacional Bandeira Azul, segundo a Prefeitura: Forno, Azeda/Azedinha e Tucuns.
- João Fernandes: águas cristalinas e calmas, com quiosques e esportes náuticos. A mais procurada para mergulho com snorkel.
- Geribá: 2 km de areia, ondas para surfe e vida noturna nos bares da orla. Na Ponta do Marisco, rochas com mais de 2 bilhões de anos registram a separação entre América e África.
- Azeda e Azedinha: pequenas, protegidas por vegetação, com água verde-esmeralda. Acesso por escadaria a partir da Praia dos Ossos.
- Forno: areia rosada, mar transparente, cercada por costões. Figurou entre as 10 melhores praias da América Latina no ranking da Rede Proplayas em 2024.
- Ferradura: formato de ferradura com mar raso e calmo, ideal para famílias e caiaque.
- Tartaruga: ponto de desova de três espécies de tartarugas marinhas, com águas mornas e boas para mergulho de observação.
Búzios exala charme e sofisticação em um litoral recortado por mais de 20 praias de águas cristalinas e tons de verde-esmeralda. O vídeo é do canal Viagens Cine, que conta com mais de 160 mil inscritos, e apresenta a Praia de Geribá, as praias Azeda e Azedinha e o pôr do sol no Porto da Barra:
Leia também: A Capital do Carvão que se reinventou e hoje está entre as 100 melhores do Brasil para viver.
O que fazer além das praias na Saint-Tropez brasileira?
Búzios entretém o visitante fora da areia com a mesma intensidade. Passeios de escuna percorrem várias praias com paradas para banho. De buggy, o trajeto passa por mirantes e enseadas que o carro comum não alcança. O Mirante do Pai Vitório, após uma trilha curta no caminho da Praia Rasa, oferece vista panorâmica do mar aberto sem nenhuma estrutura ao redor.
Para quem mergulha, as águas ao redor da península abrigam vida marinha diversa, com tartarugas, raias e cardumes em pontos como a Praia da Foca e João Fernandes. O Mangue de Pedras, um manguezal atípico que cresce direto sobre rochas, funciona como berçário de espécies da Mata Atlântica e surpreende quem espera lama e rio.

Da Rua das Pedras ao Porto da Barra ao pôr do sol
A Rua das Pedras é o coração noturno de Búzios. Fechada para carros, a via de paralelepípedos concentra restaurantes, bares com música ao vivo, galerias e lojas que funcionam até a madrugada. O footing se estende pelas ruas transversais e pela paralela Manoel Turíbio de Farias.
No fim da tarde, o Porto da Barra, em Manguinhos, reúne restaurantes com sofás à beira d’água e vista para o pôr do sol mais disputado da Região dos Lagos. Quem prefere algo mais tranquilo pode assistir ao entardecer da Orla Bardot, na Praia da Armação, ao lado das esculturas de Christina Motta.
Que sabores esperam o visitante na península?
A culinária de Búzios mistura a tradição caiçara de peixes e frutos do mar com influências francesas, argentinas e italianas, herança dos estrangeiros que se instalaram na cidade desde os anos 1960. Peixe grelhado, moqueca, risoto de camarão e crepes recheados dividem espaço nos cardápios da Rua das Pedras e do Porto da Barra.
O Festival da Sardinha e Frutos do Mar, organizado pela Prefeitura, acontece em setembro e movimenta restaurantes com pratos autorais à base de pescados. Fora dos festivais, o Chez Michou, famoso pelas crepes desde os anos 1980, e os restaurantes do Porto da Barra com cozinha autoral são paradas obrigatórias.

Quando visitar o balneário mais ensolarado do estado
Búzios tem o menor índice pluviométrico do Rio de Janeiro, com cerca de 750 mm de chuva por ano. A temperatura média anual gira em torno de 24°C, e os dias de sol superam os nublados mesmo no inverno. O verão é a alta temporada, com praias lotadas e vida noturna intensa. O outono e o inverno atraem quem busca tranquilidade e preços mais baixos.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à península saindo do Rio ou de São Paulo
Búzios fica a 173 km do centro do Rio de Janeiro pela Via Lagos (RJ-124), cerca de 2h30 de carro. Ônibus da Auto Viação 1001 partem do Terminal Novo Rio com frequência quase horária. De São Paulo, são aproximadamente 580 km pela Dutra até o Rio e depois pela Via Lagos, totalizando cerca de 7 horas de viagem. Outra opção é voar até o Aeroporto de Cabo Frio, a 30 km da península.
A península que Bardot escolheu como refúgio
Búzios entrega o que poucos destinos litorâneos conseguem: praias de água morna e gelada na mesma tarde, ruas com charme europeu a minutos da areia, gastronomia que mistura caiçara com sotaque francês, e um pôr do sol que faz todo restaurante virar camarote. A península cresceu, ganhou selo internacional nas praias e fama consolidada, mas o ritmo da antiga vila de pescadores ainda pulsa nas ruelas de pedra.
Você precisa conhecer Búzios e entender por que Brigitte Bardot ficou quatro meses numa vila sem luz elétrica e ainda quis voltar.