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A “Atenas Alagoana” guarda altar folheado a ouro, o primeiro teatro de Alagoas e esconderijos históricos

Arte, história e vestígios do Brasil colonial marcam a Atenas Alagoana.

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Casarões coloridos, igrejas com ouro no altar e o Rio São Francisco passando logo ali embaixo. Penedo, apelidada de “Atenas alagoana” no extremo sul de Alagoas, guarda um dos centros históricos mais preservados do Nordeste e, desde 2023, carrega o selo de Cidade Criativa do Cinema concedido pela UNESCO.

De povoado estratégico a berço de poetas e filósofos

O povoado nasceu na década de 1560, quando portugueses alcançaram as margens do São Francisco para controlar a navegação e frear invasores. Em 1637, holandeses ocuparam a cidade e ergueram o Forte Maurício de Nassau sobre a rocheira. A ocupação durou cerca de uma década e deixou marcas na arquitetura. Nos séculos seguintes, a prosperidade do comércio fluvial ergueu casarões, igrejas e sobrados que moldaram o perfil urbano preservado até hoje.

O apelido de Atenas veio no século XIX, quando o Convento dos Franciscanos oferecia aulas de filosofia, latim e francês, formando uma elite letrada que influenciou Alagoas inteira. A Sociedade Instrutora Penedense, fundada em 1858, promovia debates e apresentações artísticas nos salões dos casarões coloniais. Poetas, escritores e músicos circulavam com frequência rara para o interior nordestino da época. Em 1859, Dom Pedro II visitou a cidade e registrou sua beleza no diário imperial.

Penedo é uma cidade histórica de Alagoas às margens do Rio São Francisco, com arquitetura colonial preservada. // Créditos: Wikipédia

O que visitar no centro histórico tombado pelo IPHAN?

O centro histórico, tombado pelo IPHAN, funciona como museu a céu aberto. São oito igrejas em poucas quadras, cada uma com história distinta.

  • Igreja Nossa Senhora da Corrente: construída entre 1764 e 1790, é obra-prima do rococó brasileiro. Altar-mor em ouro, azulejos portugueses em policromia e o esconderijo abolicionista na parede lateral.
  • Convento e Igreja Santa Maria dos Anjos: complexo franciscano erguido a partir de 1660, tombado pelo IPHAN desde 1941. A talha barroca traz ouro misturado a óleo de baleia e clara de ovo.
  • Theatro Sete de Setembro: inaugurado em 1884, é o primeiro teatro de Alagoas. Projetado pelo italiano Luigi Lucarini, exibe quatro estátuas de louça portuguesa na fachada representando as musas da poesia, música, dança e pintura.
  • Museu do Paço Imperial: sobrado onde Dom Pedro II se hospedou. Porcelanas, mobiliário e documentos do período colonial.
  • Mirante da Rocheira: ponto mais alto da cidade, com vista panorâmica do São Francisco. O pôr do sol refletido nas águas do Velho Chico é o cartão-postal de Penedo.

Uma curiosidade local: Penedo recebeu o selo de Cidade Criativa do Cinema da UNESCO e sediou o Festival de Cinema Brasileiro de Penedo, que transformava praças e edifícios históricos em salas de exibição.

Penedo é considerada a “Atenas Alagoana” neste roteiro histórico e cultural. O vídeo é do canal Coisas do Mundo, focado em destinos turísticos e curiosidades, e apresenta os sobrados coloniais, igrejas barrocas e a forte relação da cidade com o Rio São Francisco:

Surubim e camarão pitu na mesa do Velho Chico

A cozinha penedense é filha do São Francisco. Peixe fresco chega diariamente ao mercado e aparece em quase todos os cardápios da orla.

  • Peixada de surubim ao molho de coco: prato mais emblemático da região, servido no prato de barro com pirão e farofa.
  • Camarão pitu: gigante de água doce, grelhado ou ao alho e óleo. Iguaria nobre do São Francisco.
  • Sururu com pirão: molusco típico de Alagoas cozido no leite de coco, acompanhado de farinha de mandioca.
  • Doces conventuais: bolos de massa puba e tapioca fresquinha no Mercado Público, onde aromas e sabores contam outra parte da história.
Penedo mantém vivo seu passado colonial com museus, igrejas barrocas e eventos que celebram suas raízes históricas. // Créditos: @BoaSorteViajante

Passeios de barco até a foz do maior rio inteiramente brasileiro

O São Francisco é protagonista também fora do centro histórico. A vizinha Piaçabuçu, a 28 km, é o ponto de partida para passeios de barco até a foz do rio, onde o Velho Chico encontra o Atlântico formando dunas e praias fluviais. A travessia de balsa desde Neópolis (SE) é outra experiência marcante: a vista panorâmica do casario colonial surge aos poucos à medida que a embarcação cruza o rio.

A Várzea da Marituba do Peixe, área alagada nos arredores, oferece passeios de canoa entre manguezais e observação de aves. É um complemento perfeito para quem quer alternar história e natureza no mesmo roteiro.

Quando o clima favorece cada tipo de passeio?

O clima é tropical, com temperatura média anual de 25°C. As chuvas se concentram entre abril e julho.

Guia de sazonalidade: Rio São Francisco, história e cultura
Planejamento climático para aproveitar a foz, passeios de barco e os festivais locais
Estação
Meses
Temperatura
Chuva
O que fazer
☀️ Verão
Dez-Fev
24-32 °C
Baixa
Foz do São Francisco e passeios de barco
🍂 Outono
Mar-Mai
22-30 °C
Alta
Igrejas, museus e gastronomia ribeirinha
🌧️ Inverno
Jun-Ago
20-28 °C
Alta
Festas religiosas e circuito cultural
🌸 Primavera
Set-Nov
22-32 °C
Baixa
Trilhas, Marituba e Festival de Cinema

Temperaturas aproximadas. Condições podem variar conforme o regime de chuvas do São Francisco.

Penedo Alagoas encanta com casarões coloniais, igrejas barrocas e Rio São Francisco, patrimônio histórico do IPHAN no Nordeste brasileiro. // Créditos: YouTube @passeioseviagens

Como chegar à Atenas Alagoana?

Penedo fica a 160 km de Maceió pela BR-101 Sul, cerca de 2h30 de carro. De Aracaju, são 120 km até Neópolis (SE), de onde uma balsa cruza o São Francisco até o porto da cidade. O aeroporto mais próximo é o Zumbi dos Palmares, em Maceió.

Leia também: O vilarejo alagoano que ganhou o apelido de “Caribe Brasileiro” tem piscinas naturais lindas a 6 km da costa.

Onde o ouro brilha no altar e o rio passa aos pés

Penedo reúne em poucas quadras o que muitas cidades históricas levam quilômetros para oferecer: igrejas com ouro e azulejos, um teatro que antecede o Municipal do Rio de Janeiro e o maior rio inteiramente brasileiro passando a seus pés. Tudo num ritmo que convida a caminhar devagar.

Você precisa subir a ladeira da Corrente, empurrar a porta de madeira da igreja e ver o altar brilhar com a luz da tarde entrando pelos vitrais. Penedo é o tipo de cidade que se entende melhor em silêncio.