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A capital brasileira que já foi de outro país e foi comprada por 2 milhões hoje atrai olhares para a Amazônia
Uma capital amazônica marcada por história internacional.
Uma gameleira centenária à beira do Rio Acre marca o ponto exato onde tudo começou. Em 1882, o cearense Neutel Maia ancorou seu vapor sob a sombra dessa árvore e fundou o seringal que daria origem a Rio Branco, a capital brasileira mais ocidental do país.
Do seringal ao museu: a revolução que fez o Acre brasileiro
O território que hoje é o Acre pertencia à Bolívia até o início do século XX. Entre 1899 e 1903, seringueiros brasileiros liderados por José Plácido de Castro travaram a Revolução Acreana, uma guerra de trincheiras na selva que terminou com a assinatura do Tratado de Petrópolis em 1903. O Brasil pagou dois milhões de libras esterlinas e se comprometeu a construir a ferrovia Madeira-Mamoré para incorporar o território.
Essa história está viva nas ruas de Rio Branco. O Palácio Rio Branco, inaugurado em 1930 com projeto do arquiteto alemão Alberto Massler, funciona como museu desde 2002. Nas salas com colunas dóricas e pisos de madeira de lei, o visitante percorre da era dos seringais até a luta de Chico Mendes.

O que conhecer na capital mais ocidental do país?
Rio Branco concentra atrações entre o centro histórico e os parques urbanos. A maioria dos pontos fica a poucos minutos de carro ou aplicativo, e dois dias inteiros são suficientes para percorrer os principais.
- Calçadão da Gameleira: o berço da cidade, às margens do Rio Acre. A gameleira original foi tombada como monumento histórico em 1981 e tem mais de 2,5 metros de diâmetro no tronco.
- Novo Mercado Velho: o antigo Mercado Municipal, construído na década de 1920, foi revitalizado e reúne artesanato, ervas medicinais, produtos da floresta e comida regional a preços acessíveis.
- Memorial dos Autonomistas: inaugurado em 2002, abriga acervo fotográfico da Revolução Acreana, galeria de arte e o Theatro Hélio Melo, com 150 lugares.
- Parque Ambiental Chico Mendes: 50 hectares de mata preservada em antigo seringal, com zoológico (o único do Acre), trilhas e memorial dedicado ao ambientalista.
- Parque da Maternidade: 6 km de extensão ao longo de um igarapé no centro da cidade, com ciclovia, a Casa dos Povos da Floresta e a Biblioteca da Floresta.
Rio Branco é a capital mais ocidental do Brasil e o coração pulsar do Acre, às margens do Rio Acre. O vídeo é do canal Cidades & Cia, que conta com mais de 350 mil inscritos, e apresenta a história da “Capital da Amazônia Ocidental”, destacando o Museu da Borracha, o Memorial dos Autonomistas e o histórico bairro da Gameleira:
Quibe de arroz e rabada no tucupi: a cozinha que mistura três fronteiras
A gastronomia de Rio Branco nasce do encontro entre ingredientes amazônicos, tradição nordestina dos soldados da borracha e influência boliviana da fronteira próxima. Os imigrantes árabes, que chegaram ao Acre no século XX, também deixaram marca no cardápio.
- Rabada no tucupi: prato símbolo da capital, preparado com rabo bovino cozido no caldo amarelo de mandioca e finalizado com folhas de jambu.
- Tacacá: servido na cuia, leva tucupi, goma de tapioca, camarão seco e jambu, a erva que deixa a boca levemente dormente.
- Quibe de arroz e de macaxeira: criação dos árabes que substituíram o trigo pelos ingredientes disponíveis na floresta. Mais popular que coxinha nas feiras locais.
- Saltenha: espécie de empanada boliviana adotada pelos acreanos, recheada de frango com batata e frita em óleo quente.

Quando o clima favorece cada tipo de passeio?
Rio Branco tem clima equatorial com duas estações bem definidas. O período seco, de maio a setembro, é o mais indicado para passeios ao ar livre e voos de balão sobre a floresta.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar ao coração da Amazônia?
O Aeroporto Internacional Plácido de Castro fica a 20 km do centro e recebe voos diretos de Brasília e São Paulo (Guarulhos), com conexões via Manaus e Porto Velho. Por terra, Rio Branco fica a 530 km de Porto Velho pela BR-364. Atenção ao fuso: a capital acreana tem duas horas a menos em relação a Brasília. A fronteira com a Bolívia está a 230 km (via Brasiléia), e a do Peru, a 340 km (via Assis Brasil).
Visite a cidade que já foi de outro país
Rio Branco carrega no nome uma homenagem ao Barão que negociou sua incorporação ao Brasil. Poucas capitais brasileiras têm uma história de fundação tão improvável: um seringal à sombra de uma árvore, uma revolução na selva e uma fronteira redesenhada.
Você precisa caminhar até a Gameleira, provar a rabada no tucupi no Mercado Velho e sentir o ritmo de uma cidade que respira Amazônia a cada esquina.