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A “Capital das Blusinhas” fatura e veste milhões de brasileiros e recebe 100 mil compradores por semana
Esse polo da moda veste milhões de brasileiros e movimenta multidões.
No agreste de Pernambuco, a 186 km do Recife, uma cidade de pouco mais de 120 mil habitantes produz e vende moda popular em escala que rivaliza com São Paulo. Santa Cruz do Capibaribe, a Capital das Blusinhas, nasceu de retalhos de tecido e hoje abriga o maior centro atacadista de confecções do Brasil.
De colchas de retalhos ao milagre da sulanca
A história começa em 1750, quando o português Antônio Burgos fincou uma grande cruz de madeira em frente a uma capela às margens do rio Capibaribe. O crucifixo original ainda está na Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus dos Aflitos, construída em 1874. O povoado cresceu devagar até a década de 1940, quando comerciantes trouxeram do Recife sacos de retalhos descartados por fábricas de tecido.
Os moradores costuravam esses pedaços para fazer colchas e lençóis. Até que alguém percebeu que os retalhos maiores rendiam mais dinheiro transformados em shorts e camisetas. A ideia se espalhou. O apelido “sulanca” vem de “helanca do sul”, o tecido sintético que chegava de São Paulo. O improviso virou indústria: segundo o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), Santa Cruz é a maior produtora de confecções de Pernambuco e a segunda do Brasil, conforme registra a Prefeitura de Santa Cruz do Capibaribe.

Como funciona o Moda Center Santa Cruz?
O Moda Center Santa Cruz, inaugurado em 2006, é o coração do comércio local. São 320 mil m² com mais de 10 mil boxes e lojas organizados em seis módulos identificados por cores: vermelho, laranja, azul, verde, branco e amarelo. A estrutura inclui seis praças de alimentação, estacionamento gratuito para 6 mil veículos e até hotéis e dormitórios dentro do complexo.
As feiras acontecem às segundas e terças, das 7h às 18h. Em semanas normais, o parque recebe cerca de 100 mil visitantes. Em datas como Carnaval e Natal, o número pode chegar a 150 mil. Lojistas vêm de todos os estados, com presença crescente do Sudeste e Centro-Oeste. Muitos boxes pertencem aos próprios confeccionistas, que vendem direto ao revendedor, sem intermediários. Informações atualizadas estão no site do Moda Center.
Santa Cruz do Capibaribe, em Pernambuco, é mundialmente conhecida como a Capital da Moda, e este vídeo do canal Simbora Passear PE oferece um guia completo de como é um dia de compras no Moda Center, o maior centro atacadista de confecções do Brasil.
O que se compra na Capital das Blusinhas?
O forte é a moda popular feminina: blusinhas, vestidos, saias, conjuntos e malharia. A cidade também produz moda infantil, lingerie, bermudas e peças em brim. O mix vai do básico ao elaborado, com estampas exclusivas que acompanham tendências das redes sociais em velocidade impressionante.
Os preços são de fábrica. Marcas conhecidas de outras regiões colocam suas etiquetas em peças produzidas no agreste pernambucano. A roupa que o consumidor compra em butiques de capitais muitas vezes saiu de uma máquina de costura de Santa Cruz sem que ele saiba.

Toritama e Caruaru completam o triângulo das confecções
Santa Cruz do Capibaribe não trabalha sozinha. Junto com Toritama (a 16 km, especializada em jeans) e Caruaru (a 54 km, com feira de artesanato e confecções), forma o Triângulo das Confecções do agreste pernambucano. O setor reúne cerca de 12 mil empresas só em Santa Cruz e responde por 85% das confecções do estado, segundo o Sebrae. O mascote do time local, o Ypiranga Futebol Clube, é uma máquina de costura.
O que visitar além das compras no agreste?
Santa Cruz oferece atrativos para quem quer combinar compras com passeios pela paisagem do agreste.
- Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus dos Aflitos: construída em 1874, guarda vitrais, imagens históricas e o crucifixo de madeira original de Antônio Burgos, datado de 1750.
- Mirante do Cruzeiro: vista panorâmica da cidade, com monumento em homenagem a Frei Damião.
- Serra do Pará: a 22 km da sede, com cavernas que abrigam mais de 100 pinturas rupestres e mirante a 750 metros de altitude com vista panorâmica da região.
- Parque Florestal Fernando Silvestre: área verde preservada na zona urbana, espaço de lazer e contemplação da caatinga.
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Que sabores provar na capital da sulanca?
A gastronomia de Santa Cruz carrega a tradição sertaneja do agreste pernambucano. As praças de alimentação do Moda Center servem opções rápidas para quem está em dia de feira, mas os restaurantes do centro oferecem experiências mais completas.
- Carne de sol com macaxeira: prato clássico do agreste, servido com manteiga de garrafa e feijão-verde.
- Baião de dois: arroz com feijão-de-corda, queijo coalho e nata, herança do sertão pernambucano.
- Tapioca recheada: barracas no entorno do Moda Center servem tapiocas com recheios regionais, do queijo coalho ao charque.

Quando ir à Capital das Blusinhas?
O clima é quente e semiárido, com chuvas concentradas entre março e julho. A alta temporada de compras acontece em junho/julho e novembro/dezembro, quando o movimento no Moda Center dispara.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar ao maior centro atacadista de moda do Brasil?
Santa Cruz do Capibaribe fica a 186 km do Recife pelas rodovias BR-232 e BR-104, cerca de 2h30 de carro. Excursões de ônibus partem regularmente de capitais do Norte e Nordeste com destino direto ao Moda Center, que oferece estacionamento para 315 ônibus. O parque também conta com dormitórios integrados ao complexo para quem chega de longe e precisa pernoitar.
Vista-se no agreste pernambucano
Santa Cruz do Capibaribe transformou retalhos em império e seca em oportunidade. A cidade que nasceu de uma cruz de madeira fincada às margens do Capibaribe em 1750 hoje veste milhões de brasileiros sem que eles saibam a origem da roupa que usam.
Você precisa cruzar os corredores do Moda Center numa segunda-feira de manhã e sentir a energia de 100 mil pessoas comprando, vendendo e costurando o futuro do agreste.