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A Capital do Calçado Feminino produz 120 mil pares por dia e foi a 4ª cidade do Brasil a ter luz elétrica
Onde nascem 120 mil pares de sapatos por dia e a eletricidade.
Fundada em 1853 e batizada por um peixe do Rio Tietê, Jaú troca a herança do café pelo ritmo das fábricas de sapato. A cidade a 296 km da capital paulista reúne 400 casarões do século 19, o maior transplante de medula da América Latina e o couro que sai das oficinas para o país inteiro.
O peixe do Tietê que virou nome de cidade
Bandeirantes que navegavam o Rio Tietê fisgaram um peixe enorme na foz de um ribeirão. O bicho, chamado jaú, batizou o povoado que nasceu em 15 de agosto de 1853. A terra roxa fértil atraiu famílias de Itu, Porto Feliz e do sul de Minas Gerais.
Em poucas décadas, a cidade liderava a exportação de café pela Companhia Paulista de Estradas de Ferro. Segundo o Governo do Estado de São Paulo, a riqueza do grão fez de Jaú um dos municípios mais ricos do estado. Em 1907, o município ocupava o primeiro lugar entre as estações da Companhia Paulista em volume de café escoado para o Porto de Santos.

Quarta cidade do país a acender a luz elétrica
Em 28 de setembro de 1901, foi inaugurada a Companhia de Força e Luz do Jahú. O município se tornou o quarto do Brasil a receber luz elétrica, atrás apenas de nomes muito maiores da época. Um ano depois, em 1922, o número médio de chamadas telefônicas por aparelho superava o das centrais de São Paulo e do Rio de Janeiro.
A herança arquitetônica dessa fase segue intacta. Mais de 400 prédios daquela época seguem de pé no centro histórico, distribuídos em estilo eclético e neogótico. A Igreja Matriz de Nossa Senhora do Patrocínio, inaugurada no mesmo ano da luz elétrica, tem vitrais e órgão alemães, telhas francesas e piso hidráulico original.
Como é morar na cidade dos 120 mil pares por dia?
Jaú registra IDHM de 0,778, classificado como alto pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). O título de Capital Estadual do Calçado Feminino foi oficializado pela Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) por meio da Lei Estadual 17.476, de 16 de dezembro de 2021.
A cidade reúne cerca de 130 empresas do setor, gera em torno de 10 mil empregos diretos e produz entre 112 mil e 120 mil pares por dia. A saúde é o outro pilar. O Hospital Amaral Carvalho, fundado em 1915, é referência nacional em oncologia e realiza o maior volume de transplantes de medula óssea da América Latina, atendendo pacientes de mais de 900 municípios pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
O que fazer no interior paulista dos casarões?
O roteiro cabe em dois dias e mistura arquitetura do café, indústria calçadista e a memória de um pioneiro da aviação. Boa parte das atrações fica a menos de 15 minutos do centro.
- Território do Calçado: shopping ao ar livre com mais de 180 lojas de fábrica, maior aglomerado de calçado feminino da América Latina, recebe compradores do país inteiro.
- Igreja Matriz de Nossa Senhora do Patrocínio: inaugurada em 1901, estilo neogótico alemão com vitrais importados, órgão original e telhas francesas.
- Centro Histórico: mais de 400 casarões do ciclo do café preservados por lei, com passeios guiados que percorrem as principais ruas em cerca de 2 horas.
- Museu Municipal: acervo dedicado a João Ribeiro de Barros, aviador jauense que fez a primeira travessia aérea do Atlântico Sul com o hidroavião Jahú, em 1927.
- Parque do Rio Jaú: área verde urbana com pistas de caminhada, playground e espaço para prática esportiva ao ar livre.
- Praça da República: entardecer clássico em frente à Matriz, com bares e cafés no entorno para acompanhar a iluminação dos casarões.
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Sabores do interior no ritmo da terra roxa
A cozinha jauense herda a tradição italiana dos imigrantes que ergueram o parque calçadista. As cantinas do centro convivem com self-services de comida caipira e docerias abastecidas por sítios da região.
- Cantinas italianas: massas frescas e molhos de família, presença comum no centro e nas ruas próximas aos casarões históricos.
- Comida caipira: frango com quiabo, arroz de carreteiro e feijão tropeiro servidos em self-services tradicionais no centro.
- Doces caseiros: goiabada, doce de leite e figada produzidos em fogão a lenha nos sítios do entorno rural.
- Cachaça artesanal: alambiques da região abastecem bares locais com rótulos envelhecidos em madeira nativa.

Qual a melhor época para visitar a Capital do Calçado?
O clima é tropical, com verões quentes e chuvosos e invernos secos e amenos. Os meses mais frescos são a temporada preferida por quem faz turismo de compras no Território do Calçado.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à cidade do peixe bandeirante?
Jaú fica a 296 km de São Paulo pela Rodovia Marechal Rondon (SP-300) até Bauru e depois pela SP-225, em cerca de 3h30 de carro. O acesso também é possível pela SP-255, que conecta Barra Bonita e Araraquara. O aeroporto comercial mais próximo é o de Bauru, a 55 km.
A cidade do couro e dos casarões
Poucos endereços paulistas equilibram indústria pesada, hospital de referência continental e centro histórico do ciclo do café na mesma calçada. Jaú entrega o cheiro de couro das fábricas, o silêncio das ruas arborizadas e o aviador que atravessou o Atlântico Sul.
Você precisa descer pela SP-225 e caminhar pelo centro histórico ao entardecer para entender por que a cidade do peixe bandeirante virou destino de quem compra sapato e de quem procura viver bem.