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A “Capital Mundial dos Botecos” a única cidade do país com 12 bares por km² e um festival que parou o Brasil
Botecos, gastronomia e um grande festival.
Em Belo Horizonte, a concentração de bares chama atenção: são 178 estabelecimentos para cada 100 mil moradores, mais que o dobro da proporção registrada em São Paulo. A chamada “Capital Mundial dos Botecos” possui a maior proporção de botecos entre as capitais brasileiras e, desde 2019, carrega também o título da UNESCO de Cidade Criativa da Gastronomia.
Como os botecos se transformaram em símbolo de Belo Horizonte?
A fama de BH não surgiu apenas como estratégia de divulgação. A Prefeitura de Belo Horizonte contabilizou mais de 9.500 estabelecimentos cadastrados, número que representa aproximadamente 12,5 bares por km² em uma área municipal de 332 km². Em 2009, a Lei Municipal 9.714 oficializou a cidade como Capital Nacional dos Botecos.
Por trás dessa tradição existe uma história que começou com a própria formação da capital mineira. Inaugurada em 1897 para substituir Ouro Preto como capital de Minas Gerais, Belo Horizonte foi planejada e inicialmente demorou a desenvolver uma vida noturna movimentada. A partir dos anos 1940, os bares passaram a ganhar espaço como opção de lazer para os moradores que chegavam à cidade, criando um hábito que atravessou gerações e acabou se tornando parte da identidade belo-horizontina.

O título da UNESCO que selou a fama
Em 30 de outubro de 2019, BH recebeu da UNESCO o título de Cidade Criativa da Gastronomia, integrando uma rede mundial com cerca de 250 cidades. O reconhecimento veio depois de uma candidatura que envolveu 240 lideranças, do poder público a chefs e botequeiros tradicionais.
Segundo a Belotur, a gastronomia da cidade movimenta cerca de R$ 4,5 bilhões por ano, segundo dados da Abrasel, com mais de 18 mil bares e restaurantes distribuídos em mais de dez polos gastronômicos.
Belo Horizonte ostenta títulos que celebram sua cultura boêmia única. O vídeo é do canal Portal Aventuras, com 10 mil inscritos, e detalha a gastronomia e os festivais da capital mineira. O Portal Aventuras é referência em destinos.
Quais bares tradicionais valem a parada?
O projeto Bares com Alma, lançado pela Prefeitura, mapeou 30 endereços icônicos. São bares com décadas de história, parte do patrimônio cultural da cidade.
- Cantina do Lucas: funciona desde 1962 no Edifício Maletta, tombada como Patrimônio Cultural em 9 de dezembro de 1997, ponto de encontro de Milton Nascimento e Toninho Horta.
- Café Palhares: na Rua dos Tupinambás, no Centro, é o templo do Kaol (kibe, arroz e ovo, com linguiça), receita que virou patrimônio popular.
- Bar do Nonô: o “Rei do Caldo”, com mocotó servido fumegante para repor energia no roteiro pelo hipercentro.
- Bar do Bolão: em Santa Tereza, com mais de 60 anos de história, lendário pelas almôndegas e pela cerveja gelada na praça onde nasceu o Clube da Esquina.
O concurso que nasceu em BH e virou Brasil
O Comida di Buteco começou em 2000 na capital mineira e hoje se espalha por mais de 50 cidades em 27 circuitos pelo país, segundo o site oficial do concurso. Em 2026, são 128 bares disputando o título de melhor petisco em Belo Horizonte, o maior número entre todos os circuitos.
A regra é simples: cada bar cria um petisco inédito a preço fixo, jurados e clientes votam, e o vencedor da cidade disputa a etapa nacional. O festival popularizou pratos como goulash, língua da vovó, costelinha desfiada e variações infinitas de torresmo. Acontece anualmente entre abril e maio.

Os bairros mais boêmios da cidade
A concentração de bares se desenha no mapa. Segundo a Prefeitura, o Centro lidera com mais de 700 estabelecimentos, seguido pela Savassi com 235 e por Santa Efigênia com 192. Cada região tem uma vibe própria.
- Centro: clássicos da boemia, bares no Edifício Maletta, Rua da Bahia e Praça Sete, redutos de jornalistas, intelectuais e artistas há décadas.
- Savassi: vida noturna jovem e gastronomia contemporânea, com bistrôs, cervejarias artesanais e restaurantes premiados.
- Santa Tereza: bairro de artistas que viu nascer o Clube da Esquina, com botecos antigos e mesas na calçada.
- Lourdes e Funcionários: roteiros mais sofisticados, com casas premiadas pelo Comida di Buteco e cartas de cachaça extensas.
O que comer em um boteco belo-horizontino?
A cozinha de bar de BH é diferente da de qualquer capital do Brasil. Mistura raízes campeiras, herança italiana e portuguesa, e uma obsessão por petiscos servidos quentes na mesa.
- Frango com quiabo: cozido lento servido com angu cremoso, presença obrigatória nas tábuas dos botecos.
- Torresmo: crocante por fora e macio por dentro, parceiro inseparável da cerveja gelada.
- Feijão tropeiro: feijão, farofa, linguiça, bacon e ovos, prato campeiro que virou clássico de balcão.
- Pão de queijo: feito com polvilho e queijo minas, consumido a qualquer hora, da padaria ao boteco.
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Quando ir e o que esperar do clima?
BH tem clima tropical de altitude, com 850 m de altitude média garantindo manhãs frescas mesmo no verão. As estações são bem marcadas, e cada uma combina com um tipo de roteiro.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Belo Horizonte?
O Aeroporto Internacional de Confins fica a 38 km do centro e recebe voos diretos das principais capitais brasileiras e voos internacionais. De carro, BH está a 434 km do Rio de Janeiro pela BR-040 e a 586 km de São Paulo pela BR-381 (Fernão Dias).
Sente em uma mesa e entenda o ritmo da capital
BH não tem mar, mas tem mais de 9 mil balcões, garçons que sabem o nome do cliente e uma cultura de boteco que virou patrimônio reconhecido pela UNESCO. É a capital onde uma cerveja gelada, um torresmo crocante e uma boa conversa formam o cartão-postal mais autêntico da cidade.
Você precisa sentar em um boteco belo-horizontino, pedir um tropeiro com torresmo e descobrir por que o mineiro trocou o mar por uma mesa de bar sem nenhum arrependimento.