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A cidade com o teatro mais antigo de Santa Catarina e uma escola única na América Latina a 8 km de Floripa

História cultural e educação única marcam cidade próxima a Floripa.

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São José tem mais de 270 mil habitantes e funciona como centro econômico da Grande Florianópolis. / Créditos: Imagem ilustrativa

Casarões açorianos coloridos, um teatro de 1856 que já serviu de quartel e quase foi trocado por dois caminhões, e mestres oleiros que transformam barro em arte a poucos minutos da ponte que leva à Ilha de Santa Catarina. São José é vizinha continental de Florianópolis, mas tem identidade própria, custo de vida mais acessível e uma história que começa antes da capital.

182 casais açorianos e uma tradição que sobreviveu no barro

Em 19 de março de 1750, 182 casais vindos de seis ilhas dos Açores desembarcaram na costa catarinense e fundaram São José da Terra Firme. Portugal precisava ocupar o litoral sul para conter a expansão espanhola, e as famílias trouxeram a fé no padroeiro São José, a arquitetura de fachadas coloridas e o ofício da olaria.

Na década de 1950, a cidade chegou a ter 29 olarias funcionando ao mesmo tempo, o que lhe rendeu o título de Capital da Louça de Barro. Hoje, a Escola de Oleiros Joaquim Antônio de Medeiros, fundada em 1992, é a única da América Latina que ensina o ofício da olaria de forma pública e contínua. Instalada numa casa colonial no bairro Ponta de Baixo, oferece cursos gratuitos de torno tradicional para cerca de 200 alunos, de 9 a 80 anos. A peça que sai do torno carrega séculos de história açoriana.

Com origem em 1750, essa cidade de Santa Catarina continua conquistando moradores pela qualidade de vida
O município combina bairros densamente urbanizados, orla revitalizada com ciclovias e centros multiuso, além de áreas históricas preservadas com influência açoriana. // Créditos: YouTube @pantartrip

O que os números dizem sobre quem mora aqui?

São José ocupa a 21ª posição nacional no Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), com nota de 0,809, considerada muito alta pelo PNUD. É o quarto melhor índice entre todas as cidades catarinenses. A expectativa de vida do josefense ultrapassa os 77 anos, e a taxa de escolarização entre crianças de 6 a 14 anos chega a 98%, segundo o IBGE.

Em 2024, a cidade abriu 8,8 mil vagas formais de emprego e registrou a abertura de 11,6 mil novos negócios. O mercado imobiliário acompanha o ritmo: os preços ainda ficam abaixo de Florianópolis e Balneário Camboriú, com valorização consistente acima da inflação, segundo o Índice FipeZAP.

O vídeo é do canal Coisas do Mundo, que conta com 51 mil inscritos, e detalha a economia diversificada, o centro histórico preservado e a qualidade de vida estratégica de São José:

Como é o dia a dia na vizinha continental da capital?

São José tem mais de 270 mil habitantes e funciona como centro econômico da Grande Florianópolis. A BR-101 corta a cidade e conecta rapidamente a Curitiba (300 km) e ao litoral catarinense. Florianópolis fica a 8 km do centro. Cada bairro tem seu próprio ritmo: Kobrasol concentra vida noturna, restaurantes e comércio completo; Campinas forma o principal corredor urbano junto com Kobrasol; Barreiros abriga o Shopping Itaguaçu, o mais antigo de Santa Catarina.

O bairro Pedra Branca, planejado como modelo de urbanismo sustentável, virou referência nacional em cidade para pessoas, com ruas para pedestres, comércio no térreo e escritórios integrados à área residencial. Para quem busca natureza sem sair do perímetro urbano, o Parque Ambiental dos Sabiás preserva Mata Atlântica com trilhas e observação de aves.

Essa cidade fundada em 1750 continua atraindo moradores por ser uma ótima opção de moradia
O município combina bairros densamente urbanizados, orla revitalizada com ciclovias e centros multiuso, além de áreas históricas preservadas com influência açoriana. // Créditos: YouTube @BRASILVISTOPORDRONE

Um teatro que quase virou caminhão

O Theatro Adolpho Mello, inaugurado em 1856 no mesmo dia em que São José foi elevada à categoria de cidade, é a casa de espetáculos mais antiga de Santa Catarina. Recebeu o nome em homenagem ao josefense violinista e maestro José Adolpho Ferreira de Mello, chamado pela imprensa da época de “Deus da Música”. O teatro tem 150 lugares e já funcionou como cinema, serviu de quartel durante a Revolução de 1930 e quase foi vendido por dois caminhões nos anos 1980. Restaurado e reaberto em 2020, funciona também como escola de artes cênicas com 27 turmas.

O Centro Histórico ao redor reúne casarões luso-brasileiros dos séculos XVIII e XIX, o Museu Histórico Municipal (instalado no Solar dos Ferreira de Mello, que foi sede do Governo Provisório durante a Revolução Federalista de 1893), a Bica da Carioca e a Feira da Freguesia, realizada todo segundo domingo do mês.

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Onde o morador encontra lazer e natureza?

A Beira-Mar de São José tem calçadão, ciclovia, quadras e pista de skate com vista para Florianópolis ao pôr do sol. O Morro da Pedra Branca, ponto mais alto do município, oferece trilha com vista para a Baía Norte. Para praia, São Francisco do Sul e as praias da ilha ficam a menos de meia hora.

Quando o clima favorece cada atividade?

O clima subtropical úmido garante verões quentes e invernos amenos, com chuvas distribuídas ao longo do ano.

Guia de sazonalidade: Cultura, praias e tradição
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Trilhas e Feira da Freguesia

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A cidade que moldou o barro e ganhou forma própria

São José deixou de ser cidade-dormitório de Florianópolis e se firmou como município com economia, cultura e identidade próprias. A herança açoriana aparece nos casarões, na olaria e nas festas de rua. A modernidade chega nos bairros planejados, no mercado de trabalho aquecido e no custo de vida que ainda permite escolher morar bem perto da capital sem pagar o preço da ilha.

Você precisa caminhar pelo Centro Histórico, assistir a um mestre oleiro transformar barro em jarro e entender por que São José é muito mais do que a porta de entrada de Florianópolis.