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A Cidade das Flores tem moinho europeu, campos floridos e uma origem surpreendente ligada à imigração holandesa
A história de Holambra começou com a imigração holandesa.
Toda colônia de imigrantes chega com um plano, e nem sempre é esse plano que dá certo. Em Holambra, no interior paulista, as famílias holandesas que desembarcaram em 1948 apostaram na pecuária e esbarraram no clima tropical, até que os bulbos de gladíolo mudaram o destino da comunidade. O resultado é uma cidade onde o turismo gira em torno de flores, moinho e herança europeia.
Por que os holandeses vieram parar no interior de São Paulo?
Por causa da Segunda Guerra Mundial. Com o país devastado, o governo da Holanda passou a incentivar a emigração, e depois de negociações com os governos brasileiro e paulista foi comprada a Fazenda Ribeirão, com cerca de 5 mil hectares, que pertencia a um frigorífico norte-americano, segundo a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp).
Os primeiros imigrantes chegaram em 5 de junho de 1948, de acordo com o histórico do município publicado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O nome escolhido por eles junta Holanda, América e Brasil e resume a ideia de união entre os recém-chegados e o novo país. Em julho daquele ano, a comunidade formou a Cooperativa Agropecuária Holambra, base de toda a organização econômica da colônia.

Como as flores salvaram a colônia holandesa?
Substituindo um modelo que não se adaptou ao Brasil. Os primeiros anos foram difíceis, porque os colonos desconheciam as técnicas de cultivo e as condições locais, e o rebanho leiteiro trazido da Europa sofreu com o calor. A virada começou com as sementes de gladíolo, que chegaram entre 1958 e 1965 junto com novos imigrantes, mais capitalizados que os pioneiros, segundo o IBGE.
A floricultura cresceu dentro da cooperativa e ganhou, em 1989, o Veiling Holambra, sistema de leilão de flores inspirado no modelo usado na Holanda. Dois anos depois, em 30 de dezembro de 1991, a antiga colônia se tornou município, com território desmembrado de Jaguariúna, Artur Nogueira, Cosmópolis e Santo Antônio de Posse. Em 1998, recebeu o título de estância turística.
O que é a Expoflora e quando ela acontece?
É a grande festa das flores de Holambra, realizada todos os anos entre o fim de agosto e setembro, às sextas, sábados e domingos. A primeira edição, em 1981, recebeu cerca de 12 mil visitantes, e a de 2026, a 43ª, reuniu mais de 4 mil variedades de plantas e flores de cerca de 450 produtores, de acordo com a Alesp.
O ponto alto é a Parada das Flores, desfile de carros alegóricos cobertos por milhares de flores, seguido da chuva de pétalas. Mostras de paisagismo, exposição de arranjos florais e danças típicas holandesas completam a programação, considerada uma das maiores exposições de flores e plantas ornamentais da América Latina.

O que fazer em Holambra fora da Expoflora?
A cidade mantém o clima de vila europeia o ano inteiro, com atrações que contam a história dos colonos e mostram de perto a produção de flores.
Quando visitar Holambra e como chegar?
O inverno é a estação mais seca, com média de 46 mm de chuva em junho e 42 mm em julho, de acordo com o Climatempo. A Expoflora acontece logo em seguida, na passagem para a primavera.
A cidade fica a cerca de 130 km da capital paulista, na região de Campinas. Para quem chega de avião, o Aeroporto Internacional de Viracopos está entre os terminais mais próximos.
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Uma colônia que floresceu no segundo plano
Holambra é a prova de que nem toda história de imigração segue o roteiro previsto. As famílias que vieram para criar gado encontraram nas flores a saída para ficar, e transformaram uma fazenda de frigorífico em uma estância turística que vive de flores.
Você precisa conhecer Holambra numa sexta de setembro, ver a Parada das Flores passar e terminar o dia diante do moinho que virou símbolo da cidade.