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A cidade do interior paulista que abriga a maior escola de agronomia da América Latina
A joia do interior paulista.
O Rio Piracicaba desce em cascata bem no meio da cidade do interior, e na margem ficam casarões coloridos transformados em restaurantes. Piracicaba guarda a sede mais antiga de ensino agrícola do Brasil e abriga há cinco décadas o salão de humor gráfico mais prestigiado do país.
Da cana-de-açúcar à cidade universitária
Fundada em 1º de agosto de 1767, Piracicaba viveu o auge no fim do século 19, quando o Engenho Central tornou-se a maior usina de açúcar do estado de São Paulo. O complexo chegou a produzir 100 mil sacas de açúcar e 3 milhões de litros de álcool por ano sob administração francesa.
Em 1901, terras doadas pela família Queiroz deram origem à Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ), hoje unidade da Universidade de São Paulo (USP) e referência mundial em pesquisa agrícola. A presença da escola moldou o perfil da cidade, com forte ligação entre indústria, ciência e agronegócio.

Como é viver em Piracicaba?
A cidade combina infraestrutura de centro médio porte com ritmo tranquilo de interior. Está a cerca de 164 km da capital paulista, conectada por rodovias duplicadas que facilitam o acesso a Campinas e ao aeroporto de Viracopos.
O cotidiano gira em torno do rio e dos parques. O Parque do Mirante e o calçadão da Rua do Porto recebem famílias nos finais de semana, e o sotaque caipira piracicabano é reconhecido como patrimônio cultural imaterial do município desde 2016.
O que visitar na terra do peixe e da cachaça?
O turismo se concentra no eixo histórico às margens do rio, onde o salto e os casarões formam o cartão-postal. As principais atrações ficam a poucos minutos de caminhada uma da outra.
- Rua do Porto: calçadão à beira do rio com restaurantes em casarões do século 19, conhecido pelo peixe assado no tambor e pela tradicional pamonha piracicabana.
- Engenho Central: antiga usina de 1881, hoje complexo cultural com 80 mil m² de área verde e palco de festivais, exposições e do salão de humor.
- Parque do Mirante: vista privilegiada do salto, do Engenho Central e da Ponte Pênsil, com aquário municipal anexo.
- ESALQ-USP: campus centenário aberto à visitação, com jardins, museus e arquitetura histórica em meio à mata.
- Tanquã: braço alagado do rio a 30 km do centro, apelidado de Pantanal Paulista pela densidade de aves e vegetação.
Capital mundial do humor gráfico
Desde 1974, Piracicaba sedia o Salão Internacional de Humor, criado em plena ditadura militar por um grupo de artistas reunidos no Café do Bule. O evento é uma das mais antigas iniciativas do gênero no mundo e revelou nomes como Angeli e Laerte.
A cidade ganhou registro como patrimônio cultural imaterial em 2023 e firmou-se internacionalmente como capital mundial do humor gráfico. O salão acontece todos os anos no Engenho Central, com obras vindas de dezenas de países.

O que comer em Piracicaba?
A gastronomia local mistura herança caipira, peixes de rio e a forte presença de imigrantes italianos e portugueses chegados no ciclo do açúcar. Os pratos típicos giram em torno do que sai do Rio Piracicaba.
- Peixe no tambor: pacu, dourado ou tilápia assados em tambores metálicos sobre brasa, prato símbolo dos restaurantes da Rua do Porto.
- Pamonha piracicabana: vendida em barracas tradicionais ao redor do calçadão, é uma das pamonhas mais cremosas do interior paulista.
- Cachaça artesanal: a região mantém alambiques centenários, herança direta do auge canavieiro do século 19.
- Doces caseiros: pé de moleque, paçoca e doce de leite aparecem nas feiras e no Mercado Municipal.
Como chegar à cidade do interior paulista?
Piracicaba fica a 164 km da capital pela Rodovia dos Bandeirantes e pela SP-308, cerca de 2 horas de carro. Ônibus partem da rodoviária do Tietê a cada hora, e o aeroporto de Viracopos, em Campinas, está a 80 km do centro.
A cidade onde o rio para
Piracicaba significa, em tupi, lugar onde o peixe para. A cidade traduz bem o nome: uma pausa entre o agronegócio paulista e o turismo cultural, com cachoeira no meio do centro, salão de humor cinquentenário e a maior escola de agronomia da América Latina às margens do rio.
Você precisa caminhar pela Rua do Porto, ouvir o sotaque piracicabano e entender por que essa cidade do interior virou referência em ciência, humor e gastronomia caipira.