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A cidade goiana fundada em 1727 encena batalhas medievais há 200 anos e guarda mais de 80 cachoeiras

A cidade goiana que encanta com festas históricas e um paraíso de cachoeiras.

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A cidade colonial simples e bem localizada que é o destino perfeito para quem busca sossego e paz
Pirenópolis, cidade histórica em Goiás com cachoeiras e arquitetura colonial, cercada pela Serra dos Pireneus. Descubra suas 80+ quedas d'água e centro tombado. // Créditos: depositphotos.com / AngelaMacario

O cheiro de pequi e o som do Rio das Almas recebem quem chega a Pirenópolis, cidade colonial no interior de Goiás. Fundada em 1727 na busca pelo ouro, guarda ruas de pedra quartzítica, a maior igreja religiosa do Centro-Oeste e uma tradição equestre secular que ganha um capítulo especial em 2026 na cidade goiana.

Do arraial de Meia Ponte às pedras do centro histórico

A história começa quando o bandeirante Manuel Rodrigues Tomás chegou ao vale do Rio das Almas em 1727 em busca de ouro. O arraial de Meia Ponte, batizado por uma enchente que levou metade da ponte sobre o rio, prosperou como parada obrigatória no caminho entre São Paulo e a região das minas.

Segundo o Portal de Turismo da Prefeitura, em 1941 a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário se tornou o primeiro monumento tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em todo o Centro-Oeste. Construída entre 1728 e 1732, é considerada a maior construção religiosa da região. Em 1990, o conjunto arquitetônico, urbanístico e paisagístico da cidade inteira recebeu tombamento federal.

A cidade colonial simples e bem localizada que é o destino perfeito para quem busca sossego e paz
Em Pirenópolis, cachoeiras refrescantes e praças charmosas esperam por você. Passeie leve pelo centro histórico e sinta o clima acolhedor goiano. // Créditos: depositphotos.com / Hackman

As Cavalhadas que completam 200 anos em 2026

Introduzidas em maio de 1826 pelo padre Manuel Amâncio da Luz como um espetáculo chamado O Batalhão de Carlos Magno, as Cavalhadas encenam a luta medieval entre mouros e cristãos. Em 2026, a tradição chega ao segundo centenário, marco reforçado pela programação oficial da Festa do Divino Espírito Santo.

Dois exércitos de 12 cavaleiros cada, vestidos de azul (cristãos) e vermelho (mouros), com armaduras bordadas à mão e lanças de madeira, protagonizam três dias de encenações. A festa em torno das batalhas começou em 1819 e mobiliza a cidade por quase 60 dias. Em 2010, foi reconhecida pelo IPHAN como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. Os Mascarados, figuras com cabeça de boi ou de onça, invadem as ruas entre as batalhas: a origem remonta aos escravos que, proibidos de participar, saíam fantasiados para não serem reconhecidos.

O turismo histórico impulsiona a valorização do patrimônio colonial no interior brasileiro. O canal Fernandin por aí, com 832 inscritos, detalha a preservação urbana goiana, consolidando a relevância geográfica desse tradicional destino nacional.

O que fazer entre cachoeiras e casarões coloniais?

Pirenópolis reúne mais de 80 cachoeiras no entorno, boa parte em propriedades particulares com estrutura de banho. As atrações principais ficam a menos de 20 km do centro histórico e podem ser combinadas em três dias de roteiro.

  • Centro Histórico: ruas de pedra quartzítica, casarões do século 18 e a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário, restaurada após incêndio em 2002.
  • Cachoeira do Abade: uma das mais visitadas, com queda de 40 metros formando piscina natural, estrutura de restaurante e trilha leve.
  • Reserva Vagafogo: santuário de vida silvestre com trilha suspensa entre a mata do Cerrado e brunch tradicional aos fins de semana.
  • Parque Estadual da Serra dos Pireneus: leva ao Pico dos Pireneus, com 1.385 metros de altitude, um dos pontos mais altos de Goiás.
  • Teatro de Pirenópolis: casa de espetáculos inaugurada em 1899, ainda ativa e usada em apresentações da Festa do Divino.
  • Museu das Cavalhadas: reúne máscaras, armaduras e fantasias das encenações, com acervo mantido pelas famílias tradicionais da cidade.

Sabores do cerrado goiano na mesa colonial

A cozinha pirenopolina mistura ingredientes do bioma com receitas herdadas do interior mineiro. Os restaurantes do centro histórico ocupam casarões coloniais e servem opções tradicionais em porções generosas.

  • Empadão goiano: recheio de frango, guariroba, queijo, azeitona e linguiça, servido em porções fartas nos restaurantes do centro histórico.
  • Arroz com pequi: prato símbolo do Cerrado, preparado com o fruto ainda no caroço, para chupar com atenção aos espinhos.
  • Guariroba: coração de palmeira nativa do bioma, com sabor amargo característico, usada em ensopados e refogados típicos.
  • Pamonha e curau: doces de milho verde vendidos em barracas do centro, herança da cozinha caipira que atravessou séculos na região.

Leia também: O Caribe Brasileiro vive em uma capital com piscinas naturais a 2 km da areia entre as melhores do país.

Qual a melhor época para conhecer o Cerrado goiano?

O clima tropical de altitude divide o ano em duas estações bem marcadas. A seca deixa as cachoeiras mais cristalinas, e a chuva enche as trilhas mas exige atenção com trombas d’água.

☀️ Verão Dez – Fev
Média: 18-30°C
Chuva: ⛈️ Alta
O volume elevado de chuvas recarrega os cursos d’água da região, tornando ideal priorizar visitas às cachoeiras cheias pela manhã antes das pancadas vespertinas.
🍂 Outono Mar – Mai
Média: 15-28°C
Chuva: 🌦️ Média
Com a redução gradual do calor extremo, as temperaturas de transição emolduram as festividades tradicionais da Festa do Divino e Cavalhadas no cenário colonial.
🧣 Inverno Jun – Ago
Média: 10-28°C
Chuva: ☀️ Baixa
A forte estiagem limpa completamente o céu serrano, consolidando o período perfeito para a prática de trilhas e Pico dos Pireneus com excelente visibilidade nos mirantes.
🌸 Primavera Set – Nov
Média: 15-32°C
Chuva: 🌦️ Média
A elevação paulatina dos termômetros e o retorno da umidade favorecem caminhadas agradáveis para explorar o casario do centro histórico e reservas naturais dos arredores.

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

A cidade colonial simples e bem localizada que é o destino perfeito para quem busca sossego e paz
Em Pirenópolis, cachoeiras refrescantes e praças charmosas esperam por você. Passeie leve pelo centro histórico e sinta o clima acolhedor goiano. // Créditos: depositphotos.com / MaRabelo

Como chegar à cidade das Cavalhadas?

Pirenópolis fica a 128 km de Goiânia pela BR-070, cerca de 1h30 de carro, e a 150 km de Brasília pela mesma rodovia. O aeroporto internacional mais próximo é o de Brasília, com deslocamento por locação de carro ou transfer combinado com pousadas.

Cruze a Serra e conheça Pirenópolis

Poucos destinos brasileiros reúnem três séculos de história, o primeiro tombamento moderno do Centro-Oeste e uma tradição equestre que atravessa gerações no mesmo endereço. Pirenópolis entrega ruas de pedra, cachoeiras cristalinas e um calendário cultural que raro cabe em um único ano.

Você precisa cruzar a Serra dos Pireneus em maio, sentar no Campo das Cavalhadas e entender por que os pirenopolinos mantêm viva uma tradição de dois séculos no coração do Brasil.