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A cidade mais alta do RJ onde o “Dedo de Deus” parece tocar o céu e o montanhismo nasceu em meio ao clima de montanha
A cidade onde o “Dedo de Deus” corta o céu e o montanhismo brasileiro.
Em Teresópolis, na Região Serrana fluminense, uma silhueta de pedra apontando para o céu virou símbolo nacional. A 95 km da capital, a cidade mais alta do estado guarda o pico do “Dedo de Deus” que estampa a bandeira do Rio de Janeiro e a maior rede de trilhas do Brasil.
De fazenda inglesa de 1821 a homenagem à Imperatriz Teresa Cristina
A história começa em 1821, quando o inglês George March comprou terras no alto da serra e ergueu uma fazenda modelo. O clima ameno atraiu colonos suíços, alemães e italianos em fuga do calor do Rio Imperial, e o lugarejo cresceu devagar ao redor da propriedade. A família imperial passou a frequentar a região, encantada com as montanhas.
A emancipação veio em 6 de julho de 1891, por decreto do governador Francisco Portela. O nome foi escolhido em homenagem à Imperatriz Teresa Cristina, esposa de Dom Pedro II. A herança europeia moldou a arquitetura, a gastronomia e a produção agrícola da serra, e a cidade acumula hoje dois títulos nacionais sancionados por lei federal: Capital Nacional do Montanhismo (2021) e Capital Nacional do Lúpulo (2022).

O Dedo de Deus aponta para o céu a 1.692 metros
A formação rochosa em forma de mão fechada com o indicador esticado é a silhueta mais reconhecível da Serra dos Órgãos. O nome veio dos primeiros viajantes europeus que cruzaram a região no século 19. Em 1912, uma expedição de alpinistas cariocas conquistou o cume pela primeira vez, feito considerado o marco fundador do montanhismo no Brasil.
O pico fica dentro do Parque Nacional da Serra dos Órgãos (PARNASO), visível de diversos ângulos da rodovia Rio-Teresópolis. A serra recebeu esse nome porque, vista de longe, seus picos lembram os tubos de um órgão de catedral, observação dos primeiros padres jesuítas que percorreram a região.
O vídeo é do canal De fora em Juiz de Fora, com 286 mil inscritos, e detalha as paisagens exuberantes e os principais atrativos dessa joia da serra fluminense:
Quais atrações compõem o roteiro do PARNASO?
Criado em 1939, o parque é o terceiro mais antigo do país e abrange 19.855 hectares em quatro municípios. Segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o PARNASO tem a maior rede de trilhas do Brasil, com mais de 200 km de percursos.
- Pedra do Sino: ponto mais alto da Serra dos Órgãos, com 2.275 metros, vista da Baía de Guanabara, do Rio e do Vale do Paraíba em dias claros.
- Travessia Petrópolis-Teresópolis: 30 km de subidas e descidas pela parte alta das montanhas, considerada a travessia mais bonita do país.
- Agulha do Diabo: pico ao lado do Dedo de Deus, com vias de escalada listadas entre as 15 melhores em rocha do mundo.
- Trilha Suspensa: percurso curto e acessível a cadeirantes, com piscina natural e cachoeiras de fácil acesso.
- Mirante do Soberbo: observatório natural com vista panorâmica do Vale do Paquequer, das montanhas e da Baía de Guanabara.
A Granja Comary recebe a Seleção Brasileira desde 1987
O centro de treinamento da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) ocupa parte da antiga Fazenda Comary e tem 150 mil metros quadrados de área verde. Cinco campos, alojamentos completos e vista direta para o Dedo de Deus formam o cenário onde as seleções masculina e feminina se preparam para competições internacionais.
O Lago Comary, artificial e cercado de mata, é tombado como patrimônio histórico municipal e fica aberto à visitação aos sábados e domingos. Quem chega cedo consegue circular pela estrada que contorna o complexo da CBF, com paradas em mirantes naturais ao longo do percurso.

Onde comer entre fondues, trutas e cervejas artesanais?
A gastronomia carrega a herança europeia dos colonos que chegaram no século 19. O frio do inverno deixa os restaurantes da serra cheios de panelas no fogo.
- Fondue: tradição de inverno servida em quase todas as pousadas da serra, com versões de queijo, carne ou chocolate.
- Truta na manteiga: prato típico da Região Serrana, com peixe criado em pesque-pague locais e servido com batata e legumes.
- Cervejas artesanais: o município é Capital Nacional do Lúpulo e abriga cervejarias premiadas, com destaque para o festival Serra Beer.
- Doces da Feirinha do Alto: licores caseiros, mel, biscoitos amanteigados e chocolates artesanais nas mais de 700 barracas da Praça Higino da Silveira.
- Morango fresco: produzido nas fazendas da zona rural, vira sobremesa principal na Festa do Morango em setembro.
Quando o clima favorece cada tipo de passeio?
O clima tropical de altitude rende verões úmidos e invernos secos, com temperaturas baixas pela manhã e à noite. A média anual fica em torno de 17°C, dispensando ar-condicionado o ano inteiro.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar a Teresópolis?
O acesso mais comum é pela BR-116, conhecida como Rio-Teresópolis, com cerca de 95 km e duas horas de viagem desde a capital fluminense. A Viação Teresópolis opera linhas regulares saindo da Rodoviária Novo Rio com chegadas no terminal central. Quem vem de avião desembarca no Aeroporto Internacional do Galeão, em Niterói, e segue de carro pela mesma rodovia. A proximidade com Petrópolis, a 60 km, e Nova Friburgo, a 50 km, permite emendar o roteiro pelas três cidades imperiais da serra.
Leia também: No sertão do Ceará, a “Suíça Cearense” surpreende com frio de até 10°C a mais de 800 metros de altura na Serra.
Suba a serra e descubra a capital do montanhismo
Teresópolis combina o que poucas cidades brasileiras conseguem reunir: um parque nacional com a maior rede de trilhas do país, o centro de treinamento da Seleção Brasileira, feiras com centenas de expositores e gastronomia europeia. Tudo a menos de 100 km do Rio, com clima de montanha o ano inteiro.
Você precisa subir a serra e olhar para o Dedo de Deus para entender por que o montanhismo brasileiro escolheu Teresópolis para nascer há mais de um século.