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A cidade no Nordeste com noites de 15 °C, custo de vida baixo, a maior proporção de doutores do país e o maior São João do mundo
Com baixo custo de vida e a maior proporção de doutores do Brasil.
A mais de 550 metros de altitude no Planalto da Borborema, Campina Grande reúne duas características que parecem improváveis à primeira vista: tradição do Nordeste e inovação tecnológica. Conhecida nacionalmente pelas festas juninas gigantescas, a cidade também se destaca como um dos principais polos de ciência, pesquisa e desenvolvimento do Brasil, consolidando-se como uma das maiores forças econômicas e educacionais do interior nordestino.
Como é viver em Campina Grande?
Com cerca de 440 mil habitantes, segundo o IBGE, Campina Grande oferece estrutura de cidade grande sem o caos das capitais. São 21 universidades e faculdades, três delas públicas. A proporção de doutores é a maior do país: 1 para cada 590 moradores, seis vezes acima da média nacional.
A altitude garante noites mais frescas que no litoral paraibano, com mínimas que chegam a 15 °C no inverno. O custo de vida é menor que o de João Pessoa e Recife, e a posição geográfica favorece: a capital fica a 128 km, Natal a cerca de 250 km e Recife a aproximadamente 200 km.

Como Campina Grande se tornou um polo tecnológico reconhecido internacionalmente?
As origens de Campina Grande remontam ao fim do século XVII, quando a região servia como ponto de passagem para tropeiros que cruzavam o interior da Paraíba. O pequeno núcleo cresceu impulsionado pelo comércio e pela pecuária até conquistar o status de cidade em 1864. Décadas depois, a economia local encontrou no algodão o motor de seu desenvolvimento, transformando o município em um dos maiores centros exportadores da fibra no mundo durante a primeira metade do século XX.
Com o declínio do ciclo algodoeiro, a cidade investiu em conhecimento e inovação. A chegada de um computador de grande porte da IBM em 1967 marcou o início de uma nova fase voltada à tecnologia e à formação acadêmica. Atualmente, instituições como a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e a Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) sustentam um ambiente de pesquisa que impulsiona startups, empresas de software e projetos de engenharia. Esse desenvolvimento colocou Campina Grande em evidência internacional, sendo reconhecida como um dos mais importantes centros tecnológicos da América Latina.
O vídeo é do canal Cidades do Interior, com mais de 18 mil inscritos, e exibe a infraestrutura e o desenvolvimento urbano da Rainha da Borborema:
O que o Maior São João do Mundo tem de especial?
Durante 30 dias de junho, o Parque do Povo se transforma num arraial de 42 mil m² com palcos de forró, barracas de comida típica e apresentações de mais de 200 quadrilhas. A festa nasceu quase improvisada em 1983, numa palhoça montada para receber campinenses que voltavam para as festas juninas. Em cinco anos, já era destaque no calendário da Embratur.
Em 2025, a Prefeitura de Campina Grande registrou dois recordes validados pelo RankBrasil: o maior quadrilhão junino do mundo, com 1.303 pares dançando ao mesmo tempo, e o maior bolo de milho do mundo, com 49,41 metros de comprimento e 692 kg. A festa atrai mais de 2 milhões de visitantes e movimenta centenas de milhões de reais na economia local.

Onde passear além do Parque do Povo?
A Rainha da Borborema reserva atrações durante o ano inteiro. Boa parte delas fica a uma caminhada do centro.
- Açude Velho: cartão-postal de 1830, com calçadão, quiosques e as estátuas de Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro às margens.
- Museu de Arte Popular da Paraíba: projetado por Oscar Niemeyer e inaugurado em 2012, abriga o maior acervo de arte popular do estado. Fica à beira do Açude Velho.
- Vila do Artesão: chalés de madeira com rendas, cerâmicas e peças em algodão colorido, fibra desenvolvida por pesquisadores da região.
- Museu do Algodão: funciona na antiga estação ferroviária e conta a era em que a cidade rivalizava com Liverpool.
- Parque da Criança: maior área verde urbana, com lago, trilhas e quadras esportivas.
Carne de sol, cuscuz e bode: a mesa campinense
Campina Grande é conhecida como a Terra da Carne de Sol, e o título faz jus. No Bar do Cuscuz, à beira do Açude Velho, a carne de sol na nata é parada obrigatória. O Bodódromo, no bairro José Pinheiro, serve bode assado com macaxeira e queijo coalho ao som de forró pé de serra ao vivo.
A Feira Central completa a experiência: bancas de tapioca fresca, buchada, frutas do semiárido e temperos regionais. Durante o São João, o Parque do Povo vira um corredor gastronômico com cartola (banana frita com queijo e canela), pamonha, canjica e quentão.
Quando o clima favorece cada tipo de programa?
A altitude de 551 metros suaviza o calor típico do Nordeste. Invernos secos e amenos são a marca da cidade.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à capital do forró e da tecnologia?
Campina Grande fica a 128 km de João Pessoa pela BR-230, cerca de 1h40 de carro. O Aeroporto Presidente João Suassuna recebe voos regionais e fica a 6 km do centro. Para quem vem de Recife, a distância é de aproximadamente 200 km pela BR-104.
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A cidade que programa de dia e dança forró à noite
Campina Grande consegue algo raro: unir a efervescência de um centro universitário com a tradição mais viva do Nordeste. Poucas cidades brasileiras entregam, no mesmo endereço, pesquisa de ponta, gastronomia sertaneja e o maior arraial do planeta.
Você precisa subir a Borborema e sentir Campina Grande de perto, seja no frio de junho com cheiro de milho e caninha, seja numa tarde qualquer à beira do Açude Velho.