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A cidade onde o mar invade de propósito para limpar as ruas conquista com seu patrimônio histórico no Brasil

Cidade onde o mar invade ruas para limpar encanta com história e paisagens únicas.

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A cidade onde o mar invade de propósito para limpar as ruas conquista com seu patrimônio histórico no Brasil
Paraty, no Rio de Janeiro guarda o conjunto colonial e patrimônio histórico mais harmonioso do Brasil. / Imagem ilustrativa

Fundada em 1667 como porto de escoamento do ouro de Minas Gerais, Paraty, no Rio de Janeiro guarda o conjunto colonial e patrimônio histórico mais harmonioso do Brasil. O esquecimento de quase um século preservou intactas suas ruas de pedra no litoral sul fluminense.

Por que Paraty tem ruas que o mar invade na lua cheia?

Os engenheiros militares do século XVII desenharam o traçado urbano com ligeira curvatura e calçamento irregular conhecido como pé-de-moleque. Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) registra que as construções obedeciam a regras rígidas, com multa ou prisão para quem desrespeitasse as determinações.

O detalhe mais surpreendente está no nível do solo. Nas marés altas, sobretudo em luas cheias, a água do mar entra pelas ruas e lava o calçamento, um sistema de drenagem natural pensado há mais de três séculos. O fenômeno virou cartão-postal e rendeu à cidade o apelido de Veneza Brasileira.

Uma das melhores cidades do Rio de Janeiro com charme colonial e natureza preservada se torna alvo de turistas
Paraty, RJ, com centro histórico preservado, praias exuberantes e natureza da Costa Verde. Ideal para turismo cultural e ecológico. / Imagem Ilustrativa

O passado colonial que sobreviveu ao abandono

Paraty viveu três ciclos econômicos antes de cair no esquecimento. Foi entreposto da cana-de-açúcar, porto do ouro vindo das minas e, no século XIX, ponto de escoamento do café do Vale do Paraíba. Quando rotas alternativas reduziram a importância do porto, a cidade ficou isolada e quase desabitada.

Esse abandono virou proteção. O IPHAN tombou o conjunto arquitetônico em 1958 e até os anos 1950 só era possível chegar de barco. A inauguração da rodovia Rio-Santos, na década de 1970, devolveu Paraty ao mapa turístico do país com casarões praticamente inalterados desde o século XVIII.

O vídeo “O que fazer em Paraty – RJ? (Melhores praias, cachoeiras, passeios, preços, e onde se hospedar)”, do canal Vamos Fugir Blog, oferece um guia completo sobre um dos destinos mais encantadores do litoral sul fluminense.

O que visitar dentro e fora do centro histórico?

O perímetro tombado se percorre a pé em poucas horas, mas a região oferece muito além das ruas de pedra. Algumas atrações ficam a menos de 30 minutos do centro.

  • Igreja de Santa Rita: cartão-postal de 1722 que abriga o Museu de Arte Sacra, à beira do cais.
  • Saco do Mamanguá: braço de mar entre montanhas de Mata Atlântica, conhecido como único fiorde tropical do Brasil.
  • Vila de Trindade: a 25 km do centro, reúne piscina natural do Cachadaço, Praia do Meio e o point de surfe do Cepilho.
  • Caminho do Ouro: trilha histórica de pedras originais usada para escoar o ouro até o porto.
  • Alambique Engenho D Ouro: visita guiada à produção artesanal de cachaça, com degustação inclusa.
  • Cachoeira do Tobogã: escorregador natural de pedra cercado pela vegetação nativa.

A cachaça e a cozinha caiçara reconhecidas pela UNESCO

Paraty integra a Rede de Cidades Criativas da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) na categoria Gastronomia desde 2017. A culinária mistura influências caiçaras, indígenas e portuguesas, com ingredientes frescos da serra e do mar.

A cachaça de Paraty foi a primeira do Brasil a receber o selo de Indicação Geográfica de Procedência pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial, em 2007. Pratos como o peixe azul-marinho, cozido com folha de banana até ganhar coloração escura, e doces vendidos em carrinhos de madeira pelo centro completam a experiência. O Festival da Cachaça, Cultura e Sabores acontece todo agosto com degustações e shows.

A "Cidade do Ouro" no Rio de Janeiro é tão preservada que é como visitar um Brasil de séculos passados
Passeie pelas casinhas charmosas de Paraty, RJ, prove cachaças artesanais e relaxe em cachoeiras. // Créditos: depositphotos.com / [email protected]

Quando o clima favorece cada tipo de passeio?

O inverno seco é a melhor época para trilhas e passeios de barco sem risco de chuva. No verão, as pancadas são frequentes, mas as manhãs costumam abrir com sol.

☀️ Verão
Dezembro a Fevereiro
23°C a 32°C
Temperatura
Calor e águas mornas. Aproveite as praias e escunas pela manhã para evitar as pancadas de chuva típicas do final do dia.
⛈️ Chuva Alta
🍂 Outono
Março a Maio
20°C a 28°C
Temperatura
Transição agradável. Clima perfeito para percorrer as trilhas no Caminho do Ouro e explorar o centro histórico com luz suave.
🌦️ Chuva Média
❄️ Inverno
Junho a Agosto
17°C a 25°C
Temperatura
Época dos grandes eventos. Curta a FLIP (literatura) e o Festival da Cachaça sob noites frescas e dias ensolarados.
☀️ Chuva Baixa
🌸 Primavera
Setembro a Novembro
19°C a 28°C
Temperatura
Natureza vibrante. Ótimo momento para conhecer o Saco do Mamanguá e as cachoeiras da estrada Cunha-Paraty.
🌦️ Chuva Média

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

A "Cidade do Ouro" no Rio de Janeiro é tão preservada que é como visitar um Brasil de séculos passados
Deixe-se encantar pelas ruas de pedra e mar cristalino de Paraty, RJ. Um paraíso que inspira aventuras inesquecíveis na serra e ilhas. // Créditos: depositphotos.com / dabldy

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Como chegar à joia colonial da Costa Verde

Paraty fica a cerca de 250 km do Rio de Janeiro pela Rio-Santos (BR-101), em torno de 4 horas de carro pelo litoral. De São Paulo, o trajeto tem aproximadamente 280 km e leva o mesmo tempo. Ônibus regulares partem das rodoviárias das duas capitais e a cidade não tem aeroporto comercial.

Conheça a única cidade colonial onde o mar lava as ruas

A Costa Verde guarda em Paraty a rara combinação de patrimônio mundial, fiorde tropical e cultura viva caiçara. Em 2019, ela se tornou o primeiro sítio misto das Américas reconhecido pela UNESCO, juntando valor cultural e natural no mesmo título.

Você precisa caminhar descalço pelas pedras do centro histórico, provar a cachaça direto do alambique e ver o mar entrar pelas ruas em uma noite de lua cheia.