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A cidade que Dom Pedro II visitou em 1859 guarda o maior centro colonial preservado do Nordeste

A joia histórica do Nordeste visitada por Dom Pedro II em 1859.

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A cidade que Dom Pedro II visitou em 1859 guarda o maior centro colonial preservado do Nordeste
Penedo guarda o maior conjunto colonial preservado do Nordeste. / Imagem ilustrativa

Erguida sobre um rochedo à beira do Rio São Francisco, Penedo guarda o maior conjunto colonial preservado do Nordeste e uma tradição cinematográfica que começou nos anos 1970. A cidade alagoana rivaliza com Ouro Preto em barroco e virou referência mundial em audiovisual.

O povoado que nasceu do controle do Velho Chico

A origem remonta ao século 16, quando exploradores portugueses subiram o Rio São Francisco em busca de rotas para o interior do continente. Uma formação rochosa imponente na margem esquerda deu nome ao povoado que virou vila em 1636 e cidade em 1842.

Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), a fundação data do início da colonização portuguesa, em 1565. A posição estratégica no controle do rio atraiu invasores holandeses liderados por Maurício de Nassau, que ocuparam a vila em 1637 por oito anos. Portugueses, holandeses e franceses deixaram marcas no traçado urbano e na arquitetura barroca dos templos.

O centro histórico se percorre a pé, com atrações concentradas em poucas quadras. / Créditos: Wikipédia

Por que a UNESCO reconheceu Penedo?

Em 31 de outubro de 2023, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) incluiu Penedo na Rede Mundial de Cidades Criativas, na categoria Cinema. A cidade ribeirinha entrou ao lado de Roma, Cannes e Sydney. No Brasil, apenas Penedo e Santos carregam o selo na mesma categoria.

O reconhecimento veio depois de décadas de tradição audiovisual. Festivais de cinema acontecem na cidade desde a década de 1970, quando produções em Super-8 já eram exibidas nas ruas do centro histórico. O Festival de Cinema Brasileiro de Penedo, realizado em novembro, é um dos mais tradicionais do país.

O que fazer no centro colonial do São Francisco?

O centro histórico se percorre a pé, com atrações concentradas em poucas quadras. Mais de 60 edificações coloniais permanecem tombadas pelo IPHAN desde 1996, incluindo igrejas dos séculos 17 e 18.

  • Convento Franciscano de Santa Maria dos Anjos: construído entre 1660 e 1759, tem altar-mor pintado com ouro em pó misturado a óleo de baleia e clara de ovo. Protegido pelo IPHAN desde 1941.
  • Igreja Nossa Senhora da Corrente: iniciada em 1764, esconde sob a fachada simples interior coberto de azulejos portugueses e detalhes folheados a ouro.
  • Theatro Sete de Setembro: inaugurado em 1884, projetado pelo italiano Luigi Lucarini, formato de ferradura e acústica sem eco. Fachada com quatro musas em louça.
  • Igreja do Rosário dos Pretos: erguida no período colonial por escravizados, marco da religiosidade afro-brasileira em Alagoas.
  • Forte Maurício de Nassau: ruínas às margens do rio, com vista panorâmica do Velho Chico e do casario colorido do centro.
  • Foz do São Francisco: a 44 km do centro, o encontro do rio com o Atlântico forma dunas douradas e lagoas conhecidas como Lençóis Alagoanos.

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Peixes do Velho Chico e receitas de barro

A gastronomia penedense herda a cultura ribeirinha do São Francisco. Receitas passadas entre gerações valorizam peixes de água doce e ingredientes locais, servidos em restaurantes com vista para o rio.

  • Surubim na telha: peixe de água doce assado em forno de barro sobre telha de cerâmica, prato mais tradicional da mesa penedense.
  • Peixada de tilápia: receita ribeirinha com peixe fresco do São Francisco, cozido em caldo com legumes e temperos regionais.
  • Galinha de cabidela: influência portuguesa preservada nas casas de família, com o molho tradicional feito com o próprio sangue da ave.
  • Sururu do São Francisco: molusco típico das águas do rio, servido em caldos e ensopados nos restaurantes da orla.

Qual a melhor época para navegar o São Francisco?

O clima tropical semiúmido garante temperaturas entre 22°C e 33°C o ano todo. O período de maio a setembro é o mais seco e favorece caminhadas pelo centro e passeios de barco pelo rio.

☀️ Verão Dez – Fev
Média: 24-33°C
Chuva: ☀️ Baixa
O forte sol e a estiagem prolongada criam as condições perfeitas para navegar até o encontro do rio com o mar, focando na **Foz do São Francisco e passeios de barco**.
🍂 Outono Mar – Mai
Média: 23-31°C
Chuva: ⛈️ Alta
Com o avanço da temporada chuvosa na costa, os roteiros culturais protegidos tornam-se a melhor escolha para visitar os **museus e igrejas do centro histórico**.
🧣 Inverno Jun – Ago
Média: 22-29°C
Chuva: ⛈️ Alta
A permanência das precipitações frequentes convida o turista a desfrutar da rica programação urbana em locais cobertos, priorizando o **circuito de cinema e cultura**.
🌸 Primavera Set – Nov
Média: 23-31°C
Chuva: ☀️ Baixa
O rápido recuo da umidade e o retorno dos dias firmes abrem a melhor temporada ao ar livre, movimentada pelo tradicional **Festival de Cinema e caminhadas** históricas.

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Poucos destinos brasileiros reúnem barroco preservado. / Créditos: Wikipédia

Como chegar ao rochedo do Velho Chico?

Penedo fica a 170 km de Maceió pela AL-101 Sul, cerca de 2h30 de carro, e a 120 km de Aracaju. Quem vem de Sergipe cruza o São Francisco por balsa a partir de Neópolis, em travessia de 1,2 km. O aeroporto mais próximo é o Zumbi dos Palmares, em Maceió.

Suba o penedo e conheça o berço de Alagoas

Poucos destinos brasileiros reúnem barroco preservado, tradição cinematográfica reconhecida pela UNESCO e o Velho Chico correndo aos pés do casario. Penedo entrega o pôr do sol atrás das igrejas em três dias de viagem tranquila.

Você precisa cruzar a AL-101 e caminhar pelas ruas de pedra ao entardecer para entender por que a cidade dividiu o selo mundial com Roma e Cannes.