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A cidade que foi a maior mina de diamantes do mundo e ainda toca música nas sacadas

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A cidade que foi a maior mina de diamantes do mundo e ainda toca música nas sacadas
O resultado é um conjunto barroco sóbrio, encaixado na encosta rochosa, com até 150 metros de desnível dentro da própria cidade. / Imagem ilustrativa

A 1.280 metros de altitude na Serra do Espinhaço, Diamantina é uma cidade que guarda ruas de pedra, casarões coloridos e uma tradição que faz músicos subirem nas varandas para tocar ao pôr do sol.

O passado de diamantes que moldou cada esquina

No século 18, o antigo Arraial do Tejuco foi o maior centro de extração de diamantes do mundo, sob controle direto da Coroa Portuguesa pela Real Extração. Essa origem peculiar moldou um traçado urbano sem a praça central representativa típica das cidades mineiras do ciclo do ouro, conforme registra o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

O centro histórico foi tombado pelo IPHAN em 1938 e recebeu o título de Patrimônio Cultural da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação a Ciência e a Cultura (UNESCO) em dezembro de 1999. O resultado é um conjunto barroco sóbrio, encaixado na encosta rochosa, com até 150 metros de desnível dentro da própria cidade.

Diamantina, MG: casarões coloniais, ruas de pedra e minas de diamantes no Vale do Jequitinhonha / Créditos: depositphotos.com / [email protected]

O que ver no centro histórico em um fim de semana?

As principais atrações ficam a poucos minutos de caminhada pelas ladeiras de pedra. Vale alternar igrejas, museus e os passadiços que conectam sobrados antigos.

  • Casa de Juscelino Kubitschek: residência de pau a pique do século 18 onde o ex-presidente passou a infância, hoje museu com objetos pessoais e documentos.
  • Casa da Glória: dois sobrados ligados pelo famoso passadiço azul, sede do Centro de Geologia da Universidade Federal de Minas Gerais.
  • Mercado Velho: antigo Mercado dos Tropeiros do século 19, com feira aos sábados e música ao vivo às sextas.
  • Museu do Diamante: instalado na Casa do Padre Rolim, reúne ferramentas da extração e arte sacra do período colonial.
  • Casa de Chica da Silva: residência da figura mais emblemática da Diamantina colonial, em frente à Igreja Nossa Senhora do Carmo.

Como funciona a Vesperata nas sacadas da Rua da Quitanda

A Vesperata é uma serenata invertida: os músicos ocupam as varandas dos casarões coloniais e o público acompanha de mesas montadas no calçamento, com regentes posicionados no meio da rua. O formato remete a concertos do fim do século 19, quando a cidade ainda não tinha energia elétrica.

Em 2026, as apresentações acontecem entre 11 de abril e 17 de outubro, sempre aos sábados em datas selecionadas. A Vesperata foi reconhecida como Patrimônio Cultural de Minas Gerais em 2016.

O parque com 100 km de trilhas a poucos minutos do centro

O Parque Estadual do Biribiri tem portaria dentro de Diamantina e quase 17 mil hectares de cerrado. Segundo o Instituto Estadual de Florestas, são 100 km de trilhas consolidadas, cachoeiras, pinturas rupestres e mirantes, com entrada gratuita das 8h às 17h30.

As paradas mais procuradas são as cachoeiras da Sentinela e dos Cristais, além da Vila do Biribiri, uma antiga vila operária do século 19 com casarões brancos e azuis. Dentro do parque passa o Caminho dos Escravos, trecho calçado da Estrada Real construído no início do século 19 para escoar diamantes até Mendanha.

O que comer entre uma seresta e outra

A gastronomia mistura comida tropeira do norte mineiro com receitas de fundo de quintal. Os pratos aparecem em restaurantes do centro histórico e em barzinhos das ladeiras.

  • Feijão tropeiro: feijão refogado com farinha, torresmo, linguiça e couve, prato típico das paradas dos tropeiros que cruzavam a Estrada Real.
  • Frango ao molho pardo: ave cozida lentamente com sangue temperado, servido com angu de fubá e arroz branco.
  • Queijo do Serro: artesanal, do município vizinho, é Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil.
  • Beijus e licores caseiros: vendidos no Mercado Velho aos sábados, com sabores de jabuticaba, jenipapo e gengibre.
Cidade mineira colonial se destaca por natureza exuberante e um estilo de vida que preserva o passado
Viva Diamantina: ladeiras históricas e paisagens serranas inspiram descobertas na joia colonial de Minas Gerais eterna. // Créditos: depositphotos.com / [email protected]

Quando o clima favorece cada tipo de passeio?

O clima tropical de altitude garante noites frescas o ano inteiro. O inverno é seco e ideal para caminhadas e para as Vesperatas, enquanto o verão chuvoso engorda as cachoeiras.

☀️ Verão Dez – Fev
Temp: 17-26°C
Chuva: Alta
Período com maior volume de chuva, ideal para lavar a alma com as quedas d’água das Cachoeiras do Biribiri cheias.
🍂 Outono Mar – Mai
Temp: 14-24°C
Chuva: Média
Clima de transição ameno e muito agradável, marcando o aguardado início da temporada da Vesperata.
❄️ Inverno Jun – Ago
Temp: 10-23°C
Chuva: Baixa
Dias ensolarados e noites frias. Tempo firme e perfeito para caminhar por trilhas e explorar o centro histórico.
🌸 Primavera Set – Nov
Temp: 14-25°C
Chuva: Média
A estação colore a serra, tornando excelente o visual nos mirantes e as caminhadas pelo icônico Caminho dos Escravos.

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar ao Diamante do Sertão

Diamantina fica a 292 km de Belo Horizonte, cerca de 4 horas pela BR-040 e BR-259 até Curvelo, seguindo pela BR-367. A cidade conta com aeroporto regional e linhas de ônibus rodoviárias diárias saindo da capital mineira.

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Vale a pena conhecer Diamantina

A cidade entrega uma combinação rara: arquitetura colonial intacta, natureza preservada da Serra do Espinhaço e uma cena musical que ocupa as ruas. Poucos lugares no Brasil condensam tanta história em distâncias tão curtas.

Você precisa subir até o Vale do Jequitinhonha e conhecer Diamantina num sábado de Vesperata, quando os casarões viram palco e a noite mineira se entrega ao som dos metais.