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A fruta esquecida que pode ter até 10x mais cálcio e muito mais ferro que a maçã

Apesar de extremamente nutritivo, esse fruto raramente aparece nas prateleiras por causa da logística

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A fruta esquecida que pode ter até 10x mais cálcio e muito mais ferro que a maçã
Muitas frutas nativas acabam ficando restritas a regiões específicas e a colheitas sazonais

Entre as muitas contradições do sistema alimentar moderno, uma das mais curiosas é o desaparecimento de frutas altamente nutritivas das prateleiras, apesar de seu valor para a saúde. Em várias regiões, espécies nativas que já sustentaram comunidades inteiras deixaram de circular em feiras e mercados. Em seu lugar, prevalecem frutas selecionadas menos pelo conteúdo de minerais e mais pela capacidade de viajar longas distâncias sem estragar, manter aparência uniforme e se encaixar em cadeias de abastecimento rígidas.

Por que frutas nativas nutritivas somem dos mercados?

Um exemplo emblemático é de uma fruta nativa, como a pawpaw (Asimina triloba, em regiões temperadas da América do Norte), que oferece até 10 vezes mais cálcio do que a maçã e de 20 a 70 vezes mais ferro, dependendo do estágio de maturação. Mesmo assim, ela praticamente sumiu do cotidiano urbano, substituída por variedades mais “comerciais” e visualmente padronizadas.

Historicamente, foi muito utilizada em zonas rurais e por populações que dependiam diretamente dos recursos da floresta para sobreviver. Atualmente, esse tipo de alimento raramente aparece em mercearias, ainda que continue presente em áreas naturais, quintais de guardiões de sementes e iniciativas de preservação da agrobiodiversidade. A pawpaw, por exemplo, segue sendo mantida por agricultores familiares, colecionadores de frutas raras e projetos de conservação, mas quase nunca é vista em grandes supermercados.

A fruta esquecida que pode ter até 10x mais cálcio e muito mais ferro que a maçã
Uma fruta quase esquecida pode ser uma das mais nutritivas da natureza

Quais são os nutrientes das frutas nativas ricas em cálcio e ferro?

A fruta nativa especialmente quando se fala em espécies “melhores que a maçã” em termos de cálcio e ferro. Do ponto de vista nutricional, esse tipo de fruto apresenta densidade de minerais elevada, com destaque para o cálcio, importante para ossos, músculos e sistema nervoso, e para o ferro, essencial na formação de hemácias e no transporte de oxigênio.

Algumas dessas frutas, como a pawpaw em seus ecossistemas de origem, ainda reúnem todos os nove aminoácidos essenciais, característica pouco comum entre alimentos dessa categoria. Em certos casos, elas também concentram fibras solúveis, compostos antioxidantes e vitaminas do complexo B, reforçando seu papel em uma alimentação variada e de base local.

Como a logística interfere na presença das frutas nativas?

No entanto, fatores logísticos pesam mais do que a tabela nutricional na hora de decidir o que chega às prateleiras. Muitas frutas nativas, incluindo a pawpaw, amadurecem rápido, têm polpa cremosa, casca delicada e vida útil de poucos dias fora da árvore, o que entra em choque com cadeias longas de transporte e armazenamento.

Em um sistema baseado em longos trajetos, refrigeração prolongada e grandes centros de distribuição, essas características se tornam um obstáculo. Assim, a fruta altamente rica em cálcio e ferro perde espaço para variedades que aguentam semanas em caixas, suportam manuseio intenso e mantêm aspecto padronizado ao longo de todo o percurso até o consumidor.

Qual é o papel cultural e ecológico das frutas nativas?

Ao longo da história, frutas nativas com mais cálcio e ferro que a maçã estiveram ligadas à alimentação tradicional de diversas comunidades. Antes da expansão das cadeias de supermercados, a escolha do que comer era guiada principalmente pela disponibilidade local e pelo conhecimento acumulado sobre o ambiente.

Esse tipo de alimento também cumpre função ecológica relevante, pois árvores frutíferas nativas fornecem abrigo e alimento para insetos, aves e pequenos mamíferos. No caso da pawpaw, suas áreas de ocorrência servem de suporte para polinizadores específicos e para a fauna que depende de seus frutos. Quando o cultivo dessas frutas desaparece, a perda não se limita ao prato; afeta a biodiversidade, a segurança alimentar e a resiliência dos ecossistemas em diferentes biomas.

Ao longo da história, muitas frutas nativas fizeram parte da alimentação local e ofereciam uma quantidade surpreendente de nutrientes. Ainda assim, algumas delas praticamente desapareceram das prateleiras modernas, mesmo sendo extremamente ricas em minerais essenciais.

Neste vídeo do canal TV Aparecida, com mais de 4.6 milhões de inscritos e cerca de 3.6 mil de visualizações, a história de uma dessas frutas chama atenção ao mostrar como alimentos nutritivos podem ficar fora do sistema alimentar atual:

Como o sistema de abastecimento define o que é melhor que a maçã?

No sistema alimentar atual, ser “melhor que a maçã” em termos de cálcio ou ferro não é suficiente para garantir espaço nas prateleiras. O que costuma pesar mais são critérios invisíveis para quem está comprando, como durabilidade pós-colheita, resposta à refrigeração, resistência ao transporte e previsibilidade de maturação.

De forma simplificada, o caminho de um alimento até o supermercado costuma seguir etapas que favorecem esse tipo de padrão, deixando frutas nativas sensíveis em desvantagem:

  • Seleção de variedades, priorizando casca firme, tamanho uniforme e maturação previsível.
  • Colheita antecipada, para que a fruta suporte armazenamento e chegue “no ponto” às gôndolas.
  • Transporte e armazenamento, com foco em volumes grandes, empilhamento e refrigeração prolongada.
  • Exposição padronizada, valorizando aparência homogênea e baixa taxa de perdas por dano ou amassamento.

Há espaço para o retorno das frutas nativas ricas em minerais?

Embora estejam praticamente ausentes das grandes redes, frutas nativas ricas em cálcio e ferro começam a reaparecer em iniciativas de pequena escala. Projetos de agrofloresta, agricultura regenerativa, hortas comunitárias e feiras locais enxergam nessas espécies uma oportunidade de fortalecer cadeias curtas, aproximando produtores e consumidores. Em alguns desses projetos, a pawpaw é resgatada como exemplo de fruta nativa altamente nutritiva que pode ganhar novo espaço em mercados locais, processamento artesanal (sorvetes, polpas, geleias) e turismo gastronômico.

À medida que cresce o interesse por nutrição natural, minerais essenciais e alimentos de base local, ganham força estratégias como plantio em sistemas agroflorestais, venda direta, processamento artesanal e pesquisa aplicada. Nesses contextos, a vida útil mais curta deixa de ser barreira tão grande, e a discussão passa a incluir não só o que é mais nutritivo, mas também o que preserva cultura, biodiversidade e autonomia alimentar — abrindo espaço para que frutas como a pawpaw voltem a ser conhecidas, cultivadas e consumidas em maior escala regional.