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A “Noiva da Colina” guarda o maior salão de humor do planeta e um campus da USP que parece um jardim europeu
Cultura internacional e universidade em cenário digno da Europa.
O Rio Piracicaba corta a “Noiva da Colina” com uma queda d’água de 200 metros de largura que há séculos dá sentido ao nome de origem tupi: “lugar onde o peixe para”. A 160 km de São Paulo, Piracicaba transformou um antigo engenho de açúcar em centro cultural, uma escola agrícola em patrimônio tombado e a beira do rio em endereço de peixe assado no tambor.
O rio que deu nome à cidade e moldou sua história
Fundada em 1º de agosto de 1767, a povoação nasceu junto ao salto do rio que servia de rota fluvial para expedições rumo ao Mato Grosso. A cana-de-açúcar e o café trouxeram riqueza no século XIX. Em 1877, o vereador Prudente de Moraes, que se tornaria o primeiro presidente civil do Brasil, conseguiu restituir à cidade o nome indígena original, abandonando a alcunha oficial de Vila Nova da Constituição.
Imigrantes alemães, suíços, italianos e tiroleses chegaram a partir de 1864 e ajudaram a moldar a identidade da Noiva da Colina. O bairro de Santa Olímpia, fundado por trentinos, ainda preserva dialeto e tradições trazidas dos Alpes. Essa herança aparece nos pratos, nas festas e no modo como a cidade trata quem chega de fora.

O que visitar na orla do Rio Piracicaba?
A margem esquerda do rio concentra as principais atrações de Piracicaba em um circuito que se percorre a pé. Os casarões coloridos, a feira de artesanato aos fins de semana e o aroma do peixe no tambor compõem o cenário da Rua do Porto.
- Engenho Central: construído em 1881, foi um dos maiores produtores de açúcar do país. Tombado como patrimônio, abriga desde 1990 espaços culturais em 80 mil m² de área verde e 12 mil m² de construções históricas.
- Ponte Pênsil Tião Carreiro: 77 metros sobre o rio, exclusiva para pedestres. Liga a Rua do Porto ao Engenho Central e oferece uma das melhores vistas do salto.
- Elevador Turístico: mirante a 24 metros de altura na Ponte Caio Tabajara, com vista panorâmica do rio e das quedas d’água.
- Museu da Água: instalado na antiga estação de captação, mistura arquitetura histórica com aquários e exposições sobre o rio.
- Parque da Rua do Porto: 200 mil m² com lago para canoagem, pista de caminhada e teatro de arena ao ar livre.
Explore o charme único de uma das cidades mais ricas do interior paulista. O vídeo é do canal De fora em Juiz de Fora, que conta com mais de 140 mil inscritos, e detalha a gastronomia da Rua do Porto, o sotaque “caipiracicabano” e o histórico Engenho Central com a turismóloga Tati Marmon.
O Salão de Humor que atrai cartunistas de 23 países
Criado em 1974, o Salão Internacional de Humor de Piracicaba é considerado o mais antigo evento do gênero em atividade no mundo. A 51ª edição, em 2024, reuniu 453 obras de 229 artistas de 23 países e recebeu cerca de 242 mil visitantes entre a mostra principal no Engenho Central e as exposições paralelas espalhadas pela cidade.
A Festa das Nações, em maio, é outro evento de peso: cinco dias de gastronomia internacional, danças folclóricas e shows que reúnem mais de 100 mil pessoas no mesmo Engenho Central. Em julho, a Festa do Divino Espírito Santo toma a Rua do Porto com procissões e comida caipira.

Quais pratos experimentar na cidade do rio?
A gastronomia piracicabana gira em torno do rio e da roça. Nos restaurantes da Rua do Porto, o visitante come com vista para a água.
- Peixe no tambor: pintado ou tilápia assado em tambor de metal à beira do rio, com farofa e vinagrete.
- Pamonha artesanal: herança caipira vendida nas feiras e no Mercado Municipal.
- Cachorrada: lanche típico local presente nos bares da orla.
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Por que vale visitar o campus da ESALQ?
A Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ/USP) funciona desde 1901 em um campus de 915 hectares tombado como Patrimônio Público Estadual em 2006. O parque interno, projetado em 1907 pelo paisagista belga Arsênio Puttemans, segue o estilo dos jardins ingleses e abriga lagos, árvores centenárias e mais de 260 espécies de animais silvestres. A entrada é livre e o passeio funciona como um mergulho em natureza a poucos minutos do centro.

Quando visitar a Noiva da Colina?
O período seco entre maio e outubro concentra os grandes eventos e facilita os passeios ao ar livre. O verão é quente e chuvoso, com pancadas concentradas no fim da tarde.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar. Consulte a previsão antes de viajar.
Como chegar à cidade do peixe no tambor?
Piracicaba fica a 160 km de São Paulo e a 70 km de Campinas pela Rodovia Luiz de Queiroz (SP-308), duplicada e bem sinalizada. O aeroporto mais próximo é o Viracopos, em Campinas, a 80 km. A Prefeitura de Piracicaba mantém informações atualizadas sobre eventos e serviços ao visitante. Ônibus intermunicipais partem da rodoviária com linhas frequentes para a capital e cidades da região.
Conheça a cidade que ri às margens do rio
Piracicaba combina um patrimônio industrial transformado em cultura viva, gastronomia de beira de rio e um campus universitário que funciona como parque público. A soma de engenho restaurado, humor gráfico internacional e peixe assado no tambor forma uma experiência rara no interior paulista.
Você precisa descer até a Rua do Porto, cruzar a ponte pênsil e entender por que o rio que fez o peixe parar também faz o visitante querer ficar.