Entretenimento
A pequena cidade a 17 km de Natal que está deixando de ser desconhecida e ganhando novos olhares
A charmosa vizinha de Natal.
Quem desembarca no Aeroporto Internacional Aluízio Alves já está em território de São Gonçalo do Amarante, município que funciona como uma das principais portas de entrada do Rio Grande do Norte. Enquanto muitos visitantes seguem diretamente para as praias de Natal, a cidade preserva manifestações folclóricas centenárias, tradições religiosas e um artesanato em argila que ajuda a contar a história cultural potiguar.
Por que São Gonçalo do Amarante é chamado de Berço da Cultura Popular?
A denominação ganhou reconhecimento oficial da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, que reconheceu o município como Berço da Cultura Popular do estado, retomando um título associado ao historiador Luís da Câmara Cascudo. A tradição aparece em diferentes manifestações que continuam fazendo parte da vida cultural das comunidades locais.
Entre elas está o Boi Calemba Pintadinho, manifestação potiguar com mais de um século de história que combina rabeca, pandeiro, cantorias e dança. O Pastoril Dona Joaquina reúne 18 pastorinhas em apresentações ligadas às tradições natalinas nordestinas, enquanto os Congos de Guerra, de Santo Antônio do Potengi, encenam conflitos entre reis africanos por meio de músicas, instrumentos e improvisações. Mercados, praças e eventos comunitários completam o cotidiano de uma cidade que mantém forte ligação com as tradições populares do estado.

Onde nasceu o símbolo do folclore do RN
Nos anos 1950, o artesão Antônio Soares, morador de Santo Antônio do Potengi, moldou em barro branco um galo para decorar suas quartinhas de cerâmica. A peça ganhou notoriedade, apareceu no cartaz da III Festa do Folclore Brasileiro, em 1975, e acabou se tornando símbolo oficial do folclore norte-rio-grandense. Em 2016, a cidade ganhou um monumento de 12 metros de altura dedicado à figura.
É também em Santo Antônio do Potengi que se concentra uma das maiores tradições de artesanato em argila do Rio Grande do Norte. As peças produzidas pelos artesãos locais podem ser encontradas no Mercado do Artesanato Dona Neném Felipe, às margens da RN-160, incluindo versões em miniatura do famoso Galo Branco.
Quais lugares conhecer em São Gonçalo do Amarante?
Entre santuários, construções religiosas e comunidades tradicionais, São Gonçalo do Amarante reúne atrações que ajudam a entender a formação cultural do município. Um roteiro pelo território pode incluir:
- Monumento dos Santos Mártires: santuário em Uruaçu dedicado aos 30 mártires canonizados pelo Papa Francisco em 2017. O local recebe cerca de 30 mil peregrinos por ano e celebra missas todo dia 3 de cada mês.
- Igreja Matriz de São Gonçalo: construída no local da antiga capela do início do século XVIII e ampliada em 1840. Guarda os Santos de Roca e participa das celebrações ligadas ao Festival do Folclore.
- Monumento ao Galo Branco: escultura de 12 metros inaugurada em 2016 para homenagear o principal símbolo do folclore potiguar.
- Mercado do Artesanato Dona Neném Felipe: espaço de Santo Antônio do Potengi dedicado à produção artesanal, com peças de argila, cerâmica decorativa e pequenas réplicas do Galo Branco.
- Comunidade de Utinga: uma das povoações mais antigas do município, situada em uma paisagem rural às margens do Rio Potengi.
Os primeiros santos brasileiros nasceram aqui
Em 3 de outubro de 1645, durante a invasão holandesa, cerca de 80 fiéis católicos foram massacrados na comunidade de Uruaçu. Liderados pelo padre Ambrósio Francisco Ferro, recusaram a conversão ao calvinismo. O camponês Mateus Moreira teve o coração arrancado enquanto repetia louvores.
Os 30 Mártires de Cunhaú e Uruaçu foram beatificados pelo Papa João Paulo II em 2000 e canonizados pelo Papa Francisco em 15 de outubro de 2017, na Praça São Pedro. A cerimônia reuniu 50 mil fiéis. São os primeiros santos oficialmente reconhecidos do Brasil, e o dia 3 de outubro é feriado estadual no Rio Grande do Norte.
Que sabores provar na terra dos mártires?
A culinária são-gonçalense reflete o interior potiguar com tempero de litoral. O Rio Potengi abastece a mesa com camarão e crustáceos frescos. O Galo Branco de Dona Neném, tradicional ponto gastronômico às margens da rodovia, serve pratos como carne de sol, carneiro torrado, buchada e galinha caipira. Tudo acompanhado de macaxeira, farofa e o inevitável arroz de leite.
Leia também: Sabonete caseiro de aveia que acalma e hidrata profundamente a pele sensível de idosos.

Quando o clima favorece a visita?
São Gonçalo do Amarante tem clima tropical quente, com chuvas concentradas entre março e julho. O calor é constante o ano inteiro.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar ao berço do folclore potiguar?
O Aeroporto Internacional Aluízio Alves fica dentro do próprio município, a cerca de 22 km do centro de Natal. Recebe voos domésticos das principais capitais e conexões internacionais. De carro, a sede de São Gonçalo está a 17 km de Natal pela BR-406.
Uma parada que vale mais que uma conexão
São Gonçalo do Amarante é daqueles lugares que a maioria dos turistas atravessa sem perceber, a caminho das dunas e praias da capital. O município guarda, porém, uma combinação rara: os primeiros santos do país, um folclore centenário dançado ao som de rabeca e um artesanato em barro branco que virou cartaz nacional.
Você precisa parar em São Gonçalo do Amarante antes de seguir para Natal, nem que seja para ver de perto o Galo Branco e entender por que Câmara Cascudo chamou esta terra de berço da cultura