Entretenimento
A Pequena Londres do Paraná já respondeu por 51% do café do mundo e tem lago projetado por Burle Marx
A antiga potência mundial do café.
Uma missão britânica batizou a cidade nos anos 1920 e transformou a terra roxa do norte paranaense em um dos maiores empreendimentos de colonização privada do país. Londrina, no Paraná nasceu de um projeto inglês, virou capital mundial do café e hoje reúne 4,5 km de lagos interligados no coração urbano, com paisagismo assinado por Roberto Burle Marx.
O nome que veio de Londres
A história começa em 1924, quando o escocês Lord Lovat chega ao Brasil à frente da Missão Montagu, a convite do governo brasileiro, atrás de terras para o cultivo de algodão. Ficou impressionado com a fertilidade da terra roxa e comprou duas glebas no norte do Paraná. A plantação de algodão fracassou, mas o interesse britânico deu origem à Paraná Plantations Ltd., criada em Londres, e à sua subsidiária brasileira, a Companhia de Terras Norte do Paraná (CTNP).
Segundo o Portal da Prefeitura de Londrina, na tarde de 21 de agosto de 1929 o engenheiro Alexandre Razgulaeff fincou o primeiro marco no local chamado Patrimônio Três Bocas. O nome foi sugerido pelo diretor João Domingues Sampaio como homenagem à capital inglesa, algo como filhas de Londres. O município foi criado oficialmente pelo Decreto Estadual 2.519, de 3 de dezembro de 1934, e instalado em 10 de dezembro de 1934, data que hoje marca o aniversário da cidade.

Da capital mundial do café à segunda maior comunidade japonesa do país
Nas décadas de 1950 e 1960, a região de Londrina respondeu por mais da metade da produção mundial de café. Foi essa bonança agrícola que atraiu levas de imigrantes de várias origens. Os ingleses dividiram a terra em lotes pequenos e trouxeram italianos, alemães, portugueses, árabes e japoneses. O ciclo cafeeiro só perdeu força a partir de 1975, com a Geada Negra.
A imigração japonesa é o legado mais visível dessa multiplicidade. Londrina abriga a segunda maior comunidade nipo-brasileira do Brasil, atrás apenas de São Paulo. Muitas famílias chegaram a partir dos anos 1930, trazidas pelo corretor Hikoma Udihara, funcionário da CTNP. Hoje, essa herança se traduz em festivais, associações culturais e uma cena gastronômica oriental que virou referência no interior do Sul.
O que fazer em Londrina?
A cidade é a segunda maior do Paraná e um dos maiores polos culturais do interior do Sul. As principais atrações ficam entre o centro e a zona sul, próximo ao Lago Igapó.
- Lago Igapó: inaugurado em 1959, tem quatro trechos interligados ao longo de 4,5 km do Ribeirão Cambé. Concentra ciclovia, pista de caminhada, teatro e um jardim projetado por Roberto Burle Marx com 187 espécies de plantas nativas.
- Catedral Metropolitana: dedicada ao Sagrado Coração de Jesus, foi construída em 1970 em estilo moderno, com formato cônico visível de várias partes da cidade.
- Museu Histórico Padre Carlos Weiss: instalado na antiga estação ferroviária, tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Conta a trajetória dos colonos e da Companhia de Terras.
- Museu do Café: inaugurado pelo Sesc Paraná em 2023 em um prédio dos anos 1960, reúne 750 itens doados pela população sobre o ciclo cafeeiro.
- Jardim Botânico: reserva urbana com trilhas, estufas e arboreto de mais de 100 espécies de Mata Atlântica e Cerrado. Entrada gratuita.
- Parque Arthur Thomas: reserva urbana com queda d’água, trilhas na mata e o sítio da primeira usina hidrelétrica da cidade.
A gastronomia da colonização mundial
Cada onda migratória deixou uma marca na mesa londrinense. A cidade combina cantinas italianas, esfiharias árabes centenárias e uma vasta oferta oriental que raramente aparece longe das capitais.
- Carne de onça: prato típico paranaense com carne bovina crua temperada com cebola, cebolinha e alho, servida sobre torradas.
- Sushi e sashimi: a comunidade nipo-brasileira transformou Londrina em referência de comida japonesa no interior do Sul.
- Esfihas árabes: tradição da colônia sírio-libanesa, com casas centenárias no centro da cidade.
- Cafés especiais: roteiros temáticos ligam cafeterias urbanas a fazendas históricas do entorno.
- Feira da Lua: evento noturno no Calçadão central com pastel, comida de rua e artesanato.
Como é o clima em Londrina durante o ano?
A cidade tem clima subtropical úmido com estações bem definidas. O verão é quente e chuvoso, e o inverno chega a registrar geadas raras, com termômetros próximos a zero. A primavera e o outono são as melhores janelas para o passeio ao ar livre.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar a Londrina?
A cidade fica a cerca de 390 km de Curitiba, 545 km de São Paulo e é servida pelo Aeroporto Governador José Richa, com voos diretos de várias capitais brasileiras. O acesso por carro é feito pela BR-369 vinda do interior paulista e pela BR-376 partindo de Curitiba. Ônibus interestaduais operam com frequência a partir de São Paulo, Curitiba e outras cidades da região Sul.
A Pequena Londres do Sul
Londrina entrega uma dose rara de origens misturadas. Fundação inglesa, ciclo cafeeiro que marcou o mundo, colônia japonesa entre as maiores do país e um lago com paisagismo de Burle Marx cortando o coração urbano.
Você precisa caminhar pelo Lago Igapó ao pôr do sol e entender por que a segunda maior cidade do Paraná virou o mais britânico dos endereços brasileiros.