Entretenimento
A planta de 3000 a.C. que blindava a memória dos antigos foi redescoberta em 1950 e está se tornando tendência entre os jovens mesmo sendo quase tão antiga quanto os dinossauros
Usada por civilizações antigas e estudada pela ciência moderna.
Imagine uma árvore que viu os dinossauros, sobreviveu a bombas atômicas e atravessou 290 milhões de anos quase sem mudar de aparência. Agora imagine que a mesma planta usada por sábios da China antiga para proteger o cérebro voltou aos holofotes graças à neurociência moderna e conquistou uma legião de jovens em busca de foco e memória afiada. Essa é a história do Ginkgo Biloba, o “fóssil vivo” que ressurgiu no século XX para se tornar um dos fitoterápicos mais estudados do planeta.
Por que o Ginkgo Biloba é chamado de fóssil vivo?
O apelido não é exagero. O Ginkgo Biloba é a única espécie sobrevivente da ordem Ginkgoales, um grupo de plantas que surgiu há mais de 290 milhões de anos, antes mesmo dos dinossauros dominarem a Terra. Fósseis de folhas praticamente idênticas às atuais comprovam que essa árvore manteve sua estrutura biológica quase intacta ao longo de eras geológicas inteiras.
Originária do leste asiático, a árvore pode viver mais de mil anos e atingir até 40 metros de altura. Sua resistência impressiona: exemplares em Hiroshima, no Japão, brotaram novamente um ano após a explosão da bomba atômica de 1945, transformando a planta em um símbolo mundial de longevidade e renascimento.

Como os antigos usavam o Ginkgo para proteger o cérebro?
Na medicina tradicional chinesa, o Ginkgo é cultivado e venerado há milênios. Há registros de que folhas e sementes da planta eram empregadas há cerca de 4 mil anos para tratar problemas de circulação, respiração e memória. A própria palavra “Ginkgo” significa “damasco prateado”, enquanto “biloba” remete ao formato das folhas em leque com dois lóbulos.
Plantada junto a templos, mosteiros e cemitérios na China, a árvore era associada à sabedoria e à introspecção. Algumas autoridades chinesas chegaram a usar suas folhas como moeda de troca, e seus frutos eram consumidos com a intenção de prolongar a vida e fortalecer o organismo.
O que a neurociência moderna descobriu sobre a planta?
A virada científica aconteceu em meados do século XX. Em 1965, o cientista alemão Willmar Schwabe identificou nas folhas do Ginkgo substâncias ativas como flavonoides e ginkgolídeos, dando início ao estudo farmacológico moderno da planta.
Esse extrato concentra cerca de 24% de glicosídeos de flavonoides e 6% de terpenoides. Segundo revisão publicada na SciELO, a ação combinada desses compostos favorece o suprimento sanguíneo cerebral por vasodilatação, reduz a viscosidade do sangue e diminui a presença de radicais livres nos tecidos nervosos.
O vídeo é do canal Neurologia e Psiquiatria, que traz orientações de um médico neurologista, e apresenta uma análise baseada em evidências sobre o uso desse suplemento para memória, vertigem e zumbido, reforçando a autoridade do canal Neurologia e Psiquiatria:
Quais benefícios são associados ao Ginkgo Biloba?
O interesse científico se concentra sobretudo em cognição e circulação. Pesquisas associam o extrato de Ginkgo Biloba à melhora da memória, da concentração e da oxigenação cerebral, além de efeitos antioxidantes que ajudam a proteger as células. Um estudo conduzido na Unifesp com modelos animais observou que, em doses maiores, o extrato favoreceu a retenção da aprendizagem, com significância estatística relevante.
Para organizar o que a literatura mais destaca, vale conhecer os principais efeitos investigados até hoje:
- Cognição e memória: apoio às funções de atenção, aprendizagem e raciocínio, especialmente ligadas ao envelhecimento.
- Circulação sanguínea: melhora do fluxo em extremidades como mãos e pés, graças à vasodilatação.
- Ação antioxidante: combate aos radicais livres, que em excesso danificam células saudáveis.
É importante lembrar que os resultados variam conforme o perfil de cada pessoa e que parte da comunidade científica ainda pede ensaios clínicos mais rigorosos para confirmar todos os benefícios cognitivos.
Como o Ginkgo se tornou tendência entre os jovens?
A planta milenar ganhou nova vida nas prateleiras e nas redes sociais. O Ginkgo Biloba virou um dos suplementos nootrópicos mais procurados por jovens que buscam foco, produtividade e desempenho mental em rotinas intensas de estudo e trabalho. Uma análise bibliométrica recente indexada no NCBI mostra que o interesse acadêmico pela planta como potencializador cognitivo só cresceu na última década.
Hoje, o Ginkgo é cultivado na Ásia, Europa, América do Norte e também na América do Sul, sendo consumido principalmente na forma de extratos, cápsulas e chás. Sua presença em listas de “biohacking” e vídeos virais ajudou a apresentar essa relíquia botânica a uma geração conectada e curiosa sobre saúde cerebral.

Quais cuidados tomar antes de consumir?
Apesar da fama, o Ginkgo exige atenção. A planta in natura pode ser tóxica, por isso o consumo seguro é feito apenas por meio de extratos padronizados, suplementos ou chás devidamente preparados, e sempre com orientação profissional. A automedicação não é recomendada, sobretudo para quem usa anticoagulantes, já que a planta possui propriedades de antiagregação plaquetária.
Para facilitar o entendimento, veja um resumo das principais formas de uso e suas características:
Extrato Padronizado (EGb761)
Concentração rigorosamente controlada. Esta é a forma mais estudada cientificamente, garantindo eficácia e segurança nos resultados.
Cápsulas / Suplementos
Focadas em praticidade para a rotina diária, oferecem a dosagem exata já definida, eliminando erros de preparo.
Chá das Folhas
Método de uso tradicional. Exige preparo cuidadoso e possui menor controle sobre a concentração real dos princípios ativos.
A recomendação de especialistas é sempre conversar com médico ou farmacêutico antes de iniciar o uso, respeitando dosagens e avaliando possíveis interações.
Leia também: 4 plantas lindas que adoram a umidade do banheiro e crescem na sombra.
Vale a pena conhecer essa árvore milenar?
Sem dúvida. O Ginkgo Biloba une história fascinante, simbolismo cultural e potencial terapêutico real, sendo uma ponte viva entre a sabedoria ancestral e a ciência moderna. Poucas plantas conseguem reunir tantos atributos: resistência geológica, beleza ornamental com folhas douradas no outono e um histórico de pesquisas que segue ativo em laboratórios do mundo inteiro.
Seja para enfeitar jardins, seja para apoiar a saúde cerebral, essa relíquia da natureza continua encantando gerações. Conhecer sua trajetória é, de certa forma, abrir uma janela para o passado remoto da Terra e, ao mesmo tempo, olhar para o futuro da neurociência com mais curiosidade e admiração.