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A primeira capital planejada do Brasil foi desenhada como um tabuleiro de xadrez em 1855
O traçado em tabuleiro de xadrez transformou essa cidade na primeira capital planejada do Brasil.
Um engenheiro militar traçou as ruas em linha reta sobre uma área de mangues e pântanos por ordem direta de Dom Pedro II. Nascia ali a primeira capital planejada do país, batizada com uma palavra tupi que significa cajueiro dos papagaios.
De colônia de pescadores à capital que nasceu no papel
O povoado de Santo Antônio do Aracaju era uma colônia de pescadores subordinada a São Cristóvão, quarta cidade mais antiga do Brasil, fundada em 1590. Em 17 de março de 1855, a Resolução nº 413 elevou o pequeno vilarejo à categoria de cidade e transferiu para lá a capital da Província.
A decisão veio de Inácio Joaquim Barbosa, presidente da Província que recebeu do imperador a missão de modernizar Sergipe. São Cristóvão ficava longe do mar e não atendia ao escoamento do açúcar produzido no Vale do Cotinguiba, então a maior região produtora do estado.
O engenheiro militar Sebastião José Basílio Pirro foi contratado para projetar a nova capital. Segundo a Prefeitura de Aracaju, ele traçou todas as ruas em linha reta e criou quarteirões simétricos que lembravam um tabuleiro de xadrez, plano batizado depois de Quadrado de Pirro. O nome da cidade, segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), vem do tupi e significa cajueiro dos papagaios.

O que fazer na Orla de Atalaia e nos arredores?
O cartão-postal da cidade é a Orla de Atalaia, com 6 km de calçadão à beira-mar. O trecho é considerado uma das orlas mais completas do Nordeste e concentra as atrações turísticas mais visitadas.
- Arcos da Orla de Atalaia: estrutura metálica dedicada ao fundador Inácio Barbosa, principal símbolo da cidade e ponto de foto ao lado do letreiro Eu amo Aracaju.
- Oceanário do Projeto Tamar: visto de cima tem formato de tartaruga e reúne 18 aquários com mais de 70 espécies marinhas do litoral sergipano.
- Passarela do Caranguejo: marcada por uma escultura de sete metros do artista sergipano Ary Marques Tavares, é o coração da vida noturna e boêmia da orla.
- Croa do Goré: banco de areia que emerge no meio do Rio Sergipe na maré baixa, acessível de barco em 15 minutos a partir do centro.
- Mercado Municipal Antônio Franco: reúne barracas de artesanato, doces caseiros e comida sergipana no centro histórico.
- Colina de Santo Antônio: local da capela erguida por pescadores no século XVIII, considerada o berço do povoado que virou capital.
Uma cozinha em que o caranguejo vira ritual
A gastronomia sergipana é pouco conhecida fora do estado e reúne especialidades protegidas como Patrimônio Cultural Imaterial. Segundo a Secretaria de Estado do Turismo, iguarias como o amendoim cozido, a carne de sol e o caranguejo têm registro oficial no estado.
- Caranguejo na mesa: tradição sergipana em que o crustáceo é servido inteiro, com mão de pilão para quebrar as patas. A refeição pode se estender por horas.
- Moqueca de aratu: pequeno caranguejo de mangue, ingrediente exclusivo da culinária local, servido com dendê e leite de coco.
- Sururu: mexilhão típico dos manguezais sergipanos, presente em sopas, ensopados e caldeiradas nas casas do centro.
- Torta de macaxeira: quitute salgado ou doce servido em quiosques da orla, com farofa e recheios variados.
- Amendoim cozido: petisco de mesa reconhecido como patrimônio imaterial, vendido por ambulantes na Passarela do Caranguejo.
Cidades históricas e cânions completam o roteiro
A capital sergipana é uma boa base para explorar o interior do estado. As distâncias curtas permitem incluir patrimônio mundial e o rio São Francisco no mesmo roteiro.
A cidade de São Cristóvão fica a 25 km e foi declarada Patrimônio Mundial da UNESCO em 2010, graças ao conjunto arquitetônico barroco do século XVII em torno da Praça São Francisco. É a antiga capital sergipana e a quarta cidade mais antiga do Brasil.
Já os Cânions de Xingó, formados pelo represamento do rio São Francisco, ficam a 200 km e são acessados a partir de Canindé de São Francisco. Passeios de catamarã percorrem paredões de até 60 metros de altura em águas verdes profundas.

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Quando o clima favorece cada tipo de passeio?
Aracaju tem clima tropical quente com brisa constante do Atlântico. O período seco vai de setembro a março, ideal para dias de praia. Entre abril e julho, as chuvas se concentram e maio costuma ser o mês mais chuvoso do ano.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à capital sergipana?
O Aeroporto Internacional Santa Maria fica na zona sul, a 12 km do centro e a 10 minutos de carro da Orla de Atalaia. Recebe voos diretos de Salvador, Recife, Fortaleza e São Paulo.
Quem vem de Salvador percorre 290 km pela BR-101. De Maceió, o trajeto é de 280 km pela mesma rodovia. A localização estratégica coloca Aracaju como uma boa parada entre as duas capitais para quem monta um roteiro pelo Nordeste.
Vale a pena conhecer a Cidade do Sol planejada
A capital sergipana entrega o improvável: uma cidade nascida no papel em 1855, com mar calmo, cozinha própria e escala humana suficiente para vencer as principais atrações em dois dias. Poucos destinos do Nordeste oferecem essa combinação de tranquilidade e riqueza cultural.
Você precisa conhecer Aracaju e caminhar pelas ruas retas que um engenheiro militar traçou sobre mangues por ordem do imperador.