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A Princesa do Sul foi a 1ª cidade do Brasil a receber duplo reconhecimento do IPHAN em uma única sessão
O destino histórico que recebeu dois títulos do IPHAN de uma só vez.
A 250 km de Porto Alegre, na margem da Lagoa dos Patos, Pelotas guarda o maior acervo de casarões ecléticos do Rio Grande do Sul. A Princesa do Sul que enriqueceu com carne salgada no século 19 hoje é a Capital Nacional do Doce e reúne mais de 200 receitas tradicionais em um único centro histórico.
O cearense que fugiu da seca e fundou a Princesa do Sul
A história oficial começa em 1780, quando o cearense José Pinto Martins fugiu da seca e instalou a primeira charqueada industrial da região às margens do Arroio Pelotas. A carne salgada seca ao sol virou motor econômico e integrou o Rio Grande do Sul ao mercado nacional. O nome da cidade vem das embarcações de couro usadas pelos antigos charqueadores para cruzar o arroio.
Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), o ciclo do charque atraiu nove barões, dois viscondes e um conde ao interior gaúcho. A elite ficou conhecida como aristocracia do charque, e os recursos financiaram uma arquitetura eclética de altíssima qualidade que sobrevive até hoje no centro pelotense.

O duplo tombamento inédito na história do IPHAN
Em 15 de maio de 2018, o Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural fez algo inédito em 80 anos de trabalho: tombou o Conjunto Histórico de Pelotas e registrou as Tradições Doceiras como Patrimônio Imaterial na mesma sessão. Foi a primeira vez que uma cidade brasileira recebeu os dois instrumentos de proteção simultaneamente.
O reconhecimento oficial celebrou a integração entre o material e o imaterial. O título de Capital Nacional do Doce foi oficializado pelo Ministério do Turismo em 2024. A doçaria pelotense nasceu das receitas portuguesas trazidas pelas freiras do Convento de São Francisco de Paula e ganhou corpo com o açúcar que os navios traziam do Nordeste.
O que fazer entre casarões e charqueadas do século 19?
O centro histórico pode ser explorado a pé em uma manhã. A Praça Coronel Pedro Osório concentra os principais casarões tombados e serve de ponto de partida para o roteiro.
- Charqueada São João: construída em 1810, é a única com arquitetura original preservada e foi cenário da minissérie A Casa das Sete Mulheres, exibida pela Globo em 2003.
- Rota das Charqueadas: a dez minutos do centro, reúne quatro fazendas visitáveis: Boa Vista, São João, Santa Rita e Costa do Abolengo, das mais de 50 que existiram no século 19.
- Theatro Sete de Abril: inaugurado em 1833, é o primeiro teatro do Rio Grande do Sul, reaberto em julho de 2025 após 15 anos fechado para restauro.
- Museu do Doce: instalado no casarão de 1878 do Conselheiro Francisco Antunes Maciel, na Praça Coronel Pedro Osório, conta a trajetória do sal ao açúcar com cenografia interativa.
- Mercado Público Central: em atividade desde 1848, reúne restaurantes, bares, exposições e o Mercado de Pulgas nos fins de semana.
- Praia do Laranjal: a 12 km do centro, praia de água doce na margem da maior laguna do Brasil, boa para caminhadas, chimarrão e esportes náuticos.
Sabores que atravessaram três séculos na Costa Doce
A tradição pelotense soma mais de 200 tipos de doces, muitos com certificação de autenticidade. As receitas são vendidas em confeitarias familiares que mantêm receitas passadas de geração em geração.
- Quindim: doce de ovos e coco assado em forminhas individuais, presença certa nas confeitarias tradicionais do centro histórico e em qualquer edição da Fenadoce.
- Camafeu de nozes: praliné coberto por fondant branco e uma noz inteira no topo, símbolo da doçaria fina herdada das famílias portuguesas.
- Pastel de Santa Clara: casquinha crocante recheada com doce de ovos, receita de origem conventual servida nos saraus das casas aristocráticas do século 19.
- Bem-casado: dois discos de massa recheados com doce de leite, tradição que virou marca da cidade e presença certa em casamentos gaúchos.

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Quando visitar a Capital Nacional do Doce?
O clima subtropical úmido garante chuvas o ano todo, sem estação seca definida. A Fenadoce acontece entre maio e junho e é o maior encontro gastronômico do Sul.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à Princesa do Sul?
Pelotas fica a 250 km de Porto Alegre pela BR-116, cerca de 3h30 de carro. A cidade tem o Aeroporto Internacional João Simões Lopes Neto, que recebe voos comerciais regulares, e ônibus intermunicipais frequentes ligam a Rodoviária do centro à capital.
Prove o Brasil que virou patrimônio
A herança do charque e do açúcar transformou a Princesa do Sul em um dos maiores conjuntos arquitetônicos preservados do Brasil. Poucas cidades reúnem duplo reconhecimento do IPHAN, mais de 200 doces registrados e o teatro mais antigo do Sul no mesmo endereço.
Você precisa cruzar a Praça Coronel Pedro Osório ao entardecer e provar um quindim recém-saído do forno para entender por que Pelotas ficou conhecida como a Capital Nacional do Doce.