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A “Princesa do Sul” surpreende com mais de 200 doces e o primeiro duplo reconhecimento do IPHAN

Entre sabores e cultura, se destaca como um dos mais únicos do Brasil.

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A “Princesa do Sul” surpreende com mais de 200 doces e o primeiro duplo reconhecimento do IPHAN
O título de Capital Nacional do Doce foi oficializado pelo Ministério do Turismo em 2024. / Imagem ilustrativa

A 250 km de Porto Alegre, Pelotas guarda o conjunto de casarões mais suntuoso do Rio Grande do Sul. Em 2018, a “Princesa do Sul” foi a primeira do Brasil a receber dois reconhecimentos do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em uma única sessão.

Por que Pelotas foi a cidade mais rica do Sul no século XIX?

Porque o charque construiu uma fortuna que poucas cidades brasileiras conheceram. A primeira charqueada industrial da região foi instalada em 1780 pelo cearense José Pinto Martins, às margens do Arroio Pelotas, e em poucas décadas o município virou o principal fornecedor de carne salgada do país. No auge do ciclo, mais de 50 charqueadas operavam na cidade, sustentadas por mão de obra escravizada vinda da África.

Os navios que partiam carregados de charque para o Nordeste voltavam repletos de açúcar. O intercâmbio deu origem a uma tradição doceira que hoje soma mais de 200 variedades, e financiou uma aristocracia que ergueu casarões ecléticos com materiais europeus e arquitetos estrangeiros. A elite pelotense contava com nove barões, dois viscondes e um conde.

A cidade é um importante polo regional em educação, economia e eventos culturais. // Créditos: Wikimedia Commons

O que visitar no Centro Histórico da cidade?

O conjunto histórico foi tombado pelo IPHAN em maio de 2018, em uma sessão que marcou o primeiro duplo reconhecimento da história do instituto: na mesma data, as Tradições Doceiras da região foram registradas como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. O centro reúne cerca de 1.300 prédios inventariados, muitos deles em estilo neoclássico e eclético.

  • Praça Coronel Pedro Osório: o coração da cidade, cercada pelos principais casarões tombados e pela Fonte das Nereidas, importada da França em 1875.
  • Theatro Sete de Abril: o primeiro teatro do Rio Grande do Sul, inaugurado em 1833, que reabriu em julho de 2025 após 15 anos de restauro.
  • Bibliotheca Pública Pelotense: fundada em 1875, destaque arquitetônico do centro com acervo raro de livros e documentos.
  • Mercado Público Central: funciona desde 1848 e reúne restaurantes, bares, artesanato e o famoso Mercado de Pulgas nos fins de semana.
  • Catedral Metropolitana São Francisco de Paula: templo católico cuja construção se estendeu de 1826 a 1948, símbolo religioso da Princesa do Sul.

O vídeo “Por Que Pelotas é Uma das Cidades Mais Charmosas do Sul do Brasil?“, do canal Ei Bora, apresenta Pelotas como um destino que une história, cultura e belezas naturais, sendo carinhosamente chamada de “Princesa do Sul”.

A Rota das Charqueadas e os casarões à beira do arroio

Das mais de 50 charqueadas que operavam no século XIX, quatro tiveram suas áreas preservadas e podem ser visitadas hoje: Boa Vista, São João, Santa Rita e Costa do Abolengo. Todas ficam a cerca de 10 minutos do centro e compõem a Rota das Charqueadas, percurso obrigatório para entender a formação social do estado.

A Charqueada São João, construída em 1810, é a única que mantém as características arquitetônicas originais e foi cenário da minissérie A Casa das Sete Mulheres. Um detalhe curioso dos casarões ajuda a medir a fortuna da família: quanto menor o vidro das janelas, maior a riqueza, já que o vidro era caríssimo e a importação exigia muitos pedaços pequenos em vez de placas grandes.

Aproveite o charme e a hospitalidade que fazem de Pelotas um destino acolhedor e vibrante.l // Créditos: Wikimedia Commons

Quindim, camafeu e o título de Capital Nacional do Doce

A doçaria pelotense nasceu das receitas portuguesas trazidas pelas freiras do Convento de São Francisco de Paula e ganhou corpo com o açúcar que voltava dos navios vindos do Nordeste. O Portal de Turismo de Pelotas destaca que a tradição envolve doces finos como quindins e ninhos, além de doces coloniais como compotas, cristalizados e pastas.

O título de Capital Nacional do Doce foi oficializado pelo Ministério do Turismo em 2024, consolidando um reconhecimento que já existia na prática. O Museu do Doce, instalado em casarão de 1878 na Praça Coronel Pedro Osório, conta a trajetória do sal ao açúcar e apresenta as iguarias que viraram símbolo da cidade.

A Fenadoce e o calendário de eventos gastronômicos

A Festa Nacional do Doce (Fenadoce) é o maior evento gastronômico da região, realizada entre maio e junho. O festival reúne produtores tradicionais, confeitarias e chefs em degustações, shows e feiras, e atrai milhares de visitantes de todo o país durante quase um mês de programação.

Ao longo do ano, Pelotas ainda sedia o Festival Internacional SESC de Música, a Feira do Livro e o Festival Internacional de Folclore, que reúne grupos de vários países em apresentações de danças tradicionais. Todos os eventos acontecem em espaços públicos do centro, com entrada gratuita na maior parte da programação.

A Praia do Laranjal e o encontro com a Lagoa dos Patos

A 12 km do centro, a Praia do Laranjal é a praia de água doce mais famosa do sul gaúcho, banhada pela Lagoa dos Patos, a maior laguna do Brasil. A orla tem calçadão, figueiras centenárias e infraestrutura de quiosques, e é procurada para esportes náuticos, caminhadas e pôr do sol sobre a lagoa.

Perto dali, a Colônia de Pescadores Z-3 preserva a tradição das comunidades que vivem da pesca artesanal, e o Pontal da Barra é ponto de encontro para quem quer comer peixe fresco direto dos barcos. Nos dias quentes, o Laranjal rivaliza com praias do litoral catarinense na preferência dos moradores e turistas.

Pelotas é daqueles destinos em que cada esquina carrega uma história. // Créditos: Wikipédia

Leia também: A terra dos ipês e das escolas chama atenção pela beleza rara em Minas Gerais.

Como é o clima da Princesa do Sul?

O clima é subtropical úmido, com estações bem definidas e chuvas distribuídas o ano todo. O inverno pode ser rigoroso, com temperaturas baixas e umidade alta, enquanto o verão é mais ameno que no restante do país.

☀️ Verão
Dezembro a Fevereiro
18°C a 30°C
Temperatura
Temporada de sol e brisa. Ideal para aproveitar a Praia do Laranjal, caminhar pela orla da Laguna e curtir os quiosques.
🌦️ Chuva Média
🍂 Outono
Março a Maio
13°C a 25°C
Temperatura
Clima ameno e época da famosa Fenadoce. Período perfeito para percorrer o Centro Histórico e se encantar com os casarões coloniais.
🌦️ Chuva Média
❄️ Inverno
Junho a Agosto
7°C a 18°C
Temperatura
Frio intenso e úmido. Momento de visitar as imponentes Charqueadas e se aquecer nos cafés históricos com doces tradicionais.
⛈️ Chuva Alta
🌸 Primavera
Setembro a Novembro
12°C a 24°C
Temperatura
Cores e flores nas praças. Visite o Museu do Doce e a icônica Fonte das Nereidas enquanto aproveita a renovação da paisagem urbana.
⛈️ Chuva Alta

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar saindo de Porto Alegre?

Pelotas fica a 250 km da capital gaúcha pela BR-116, com trajeto de cerca de 3 horas de carro. Há voos regulares no Aeroporto Internacional de Pelotas, além de ônibus frequentes partindo de Porto Alegre e de Rio Grande, a apenas 57 km de distância. Para quem vem do Uruguai, a cidade fica a cerca de 144 km de Jaguarão, na fronteira.

A cidade que transformou o sal em açúcar

Pelotas é daqueles destinos em que cada esquina carrega uma história. Os casarões do ciclo do charque, os doces que saíram dos conventos portugueses e as charqueadas à beira do arroio compõem um conjunto raro de patrimônio vivo, único no sul do país.

Você precisa conhecer Pelotas e experimentar um quindim recém-saído do forno em um dos casarões da Praça Coronel Pedro Osório, numa cidade em que a riqueza do passado ainda se serve em forma de sobremesa.